<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324</id><updated>2012-01-20T04:00:23.126-02:00</updated><title type='text'>Acheronta Movebo!</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>162</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-4898421201185078795</id><published>2012-01-02T14:23:00.004-02:00</published><updated>2012-01-02T15:02:26.197-02:00</updated><title type='text'>Um vencedor</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-uQEe7dtdF8A/TwHhrf7olEI/AAAAAAAAApg/IZvdR-9Odo4/s1600/ayrton-senna.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 148px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5693079541395264578" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-uQEe7dtdF8A/TwHhrf7olEI/AAAAAAAAApg/IZvdR-9Odo4/s200/ayrton-senna.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Considerado o melhor filme documentário no Brasil no ano de 2011, &lt;em&gt;Senna&lt;/em&gt; (2010) não nos mostra nada de inédito, mas tem o mérito de nos relembrar certas lições que aprendemos com um dos maiores ídolos que o Brasil já conheceu. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acompanhando os passos de Ayrton Senna, piloto nascido em 21 de março de 1960, o documentário revela o submundo do automobilismo, antes mesmo de toda a parafernalha eletrônica tomar conta da F-1, tornando o esporte, no mínimo , chato, asséptico e previsível. Antes de Schumacher existiram algums ídolos dos quais poucos esquecem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Senna&lt;/em&gt; vale ser visto e revisto por todo aquele que deseja entender melhor como alguém pode vencer mesmo diante de diversidades. Diante da politicagem que já corria solta no mundo perfeito imaginado pela FIA, diante de inimizades, inveja e injustiças, Ayrton Senna mostrou perseverança, obstinação e firmeza, qualidades tão em falta nos dias de hoje, nos ídolos atuais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Inúmeras são as passagens mostradas pelo documentário nos quais percebemos a garra que fez de Ayrton um campeão. Longe do cenário bizarro que envolve os grandes nomes do futebol atualmente, longe das baladas, das mulheres-fruta, dos anabolizantes , drogas e álcool, Ayrton Senna deu uma lição de como insistir em um objetivo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando perguntado sobre o que a vitória significava para ele, Senna costumava dizer que esta era como uma droga, uma vez vencendo, difícil seria deixar de se levar pela busca dessas sensações que envolvem coragem e firmeza. Só não concordo com o campeão sobre sua opinião a respeito da similaridade entre droga e vitória: Ao contrário da vitória, a droga tira a coragem e destrói. Uma vitória prepara para a próxima.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar de ser um ídolo esportivo, Senna teve um importante papel para a auto-estima do brasileiro que, nos anos 90, via em seu campeão o único motivo de orgulho da nação. Um país soterrado por uma inflação gigantesca, um povo miserável que tinha nos domingos a possibilidade de esquecer um pouco a miséria em que vivia para torcer pelo ídolo que, apesar de ter origem abastada, nunca esqueceu de revelar a qualidade mais rara encontrada nos seres humanos: humildade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A história nos leva aos três campeonatos mundiais para nos guiar, finalmente, para a curva final, no famigerado GP de Ímola, onde Senna perdeu a vida, apesar de seus pressentimentos. Espiritualidade também marcou sua vida e nos faz entender melhor quem foi essa pessoa que deixou o mundo no auge de seu sucesso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passaram-se quase 18 anos e Senna continua presente em cada homenagem que se faça a sua garra e determinação, tão em falta hoje em dia. Achei que este seria um bom motivo para escrever: um ano gastando seus primeiros dois dias, as pessoas pensando no que fazer para viverem melhor e uma lição nos ensinada sobre humildade, generosidade e persistência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para mim alguns aprendizados para toda vida: não existe o impossível, apesar de ser clichê, poucos de fato acreditam que podem fazer a diferença, não existe o incompreensível e não existe dificuldade nenhuma que a força de vontade não vença. Coragem, coragem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-4898421201185078795?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/4898421201185078795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=4898421201185078795' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4898421201185078795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4898421201185078795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2012/01/considerado-o-melhor-filme-documentario.html' title='Um vencedor'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-uQEe7dtdF8A/TwHhrf7olEI/AAAAAAAAApg/IZvdR-9Odo4/s72-c/ayrton-senna.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-4776964488545136082</id><published>2011-12-23T13:03:00.006-02:00</published><updated>2011-12-23T13:25:57.500-02:00</updated><title type='text'>Poeminha quase casado*</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-S00rBm3jCTs/TvSboxeJd6I/AAAAAAAAApU/FcJdUXKVXIQ/s1600/letters%252Cletter%252Creading%252Cbook%252C%252C%252Cphotography%252Cvintage-f987712b2929a3adbc0ca952ae0710e5_h.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5689343354052638626" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-S00rBm3jCTs/TvSboxeJd6I/AAAAAAAAApU/FcJdUXKVXIQ/s200/letters%252Cletter%252Creading%252Cbook%252C%252C%252Cphotography%252Cvintage-f987712b2929a3adbc0ca952ae0710e5_h.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Porque você é um menino com uma flor, e tem uma voz tão doce e bela, eu lhe prometo amor mais que eterno, pois é amor que não se contenta com a eternidade de um mundo só, pois quer outras para ser bem mais eterna. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Porque você é um menino com uma flor, e tem esta voz tão doce que dá certinho com estes olhos teus que são tão profundos, é que eu te prometo o amor mais belo, mais de uma beleza tão vistosa que a própria beleza se esconde de tão feia que é, perto da beleza deste amor que tenho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Porque você é um menino com uma flor, que tem uns cabelos brilhosos e usa um shampoo que eu escolhi e que cheira tão bem como você. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Porque você é um menino com uma flor, porque constrói carro de lata e faz dela nascer arte, e se admira com a própria criação. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Porque você é um menino com uma flor, que sabe cantar bossa nova até com os olhos, os que já disse serem tão profundos, porque choram bem raramente, mas quando choram é um choro assim muito sincero que eu quero logo enxugar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Porque você é um menino com uma flor e diz coisas tão sérias, e sabe coisas tão sérias, é que bendigo todo este amor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Porque você faz o bem mesmo que não goste de ser chamado de bom, porque se importa com os outros, porque me escuta e me diz somente para me acalmar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Porque você é um menino com uma flor e transborda lucidez e serenidade, porque você preza o equilíbrio e porque é libriano. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Porque você é um menino com uma flor e tudo que faz é perfeito: com arte, música e amor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Porque você é um menino com uma flor e me ama como ninguém jamais me amou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Porque você é um menino com uma flor, e me prometeu um livro, uma máquina de fazer poesia, e me escreveu " a face pintada" é que você é um menino com uma flor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Porque você é um gênio dentro de um menino, mas com uma flor, é que adoro sempre este amor e por mais que muitas vezes não saiba compreender o tamanho deste amor, eu nunca o digo menor, porque isso seria mentira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Porque você é um menino com uma flor eu me torno, a cada dia, uma menina, com outra flor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;E por estas e outras eu te amo calma, linda e profundamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;*&lt;em&gt;Poema descaradamente inspirado em Vinícius de Moraes (Para uma menina com uma flor)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-4776964488545136082?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/4776964488545136082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=4776964488545136082' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4776964488545136082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4776964488545136082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/12/para-um-menino-com-uma-flor.html' title='Poeminha quase casado*'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-S00rBm3jCTs/TvSboxeJd6I/AAAAAAAAApU/FcJdUXKVXIQ/s72-c/letters%252Cletter%252Creading%252Cbook%252C%252C%252Cphotography%252Cvintage-f987712b2929a3adbc0ca952ae0710e5_h.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-4249871790465595675</id><published>2011-11-18T01:38:00.004-02:00</published><updated>2011-11-18T02:23:02.220-02:00</updated><title type='text'>O que aprendi com Lévi Strauss sobre o meu país</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-v9iIx1oXk18/TsXbCiJDXnI/AAAAAAAAApI/Houk1n68DYU/s1600/longe_do_brasil_levi-strauss.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 149px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5676183741941374578" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-v9iIx1oXk18/TsXbCiJDXnI/AAAAAAAAApI/Houk1n68DYU/s200/longe_do_brasil_levi-strauss.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Foi nos idos de 2009 que entrei em contato com Lévi Strauss. Acidentalmente, devo dizer. Foi quando ministrava uma disciplina chamada "Antropologia empresarial". Parecia que havia um desinteresse geral pela temática o que ocasiou o tal acidente: Lévi Strauss surgiu para mim. Como o nome já diz, seria uma disciplina em que haveria a aplicação da Antropologia, campo de estudos no qual o pensador de origem belga se destacou, à Administração.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Depois de um certo tempo, tive outro encontro intelectual com o autor de origem belga. Foi assim então que, apesar de não ter lido seu famosíssimo &lt;em&gt;Tristes Tópicos&lt;/em&gt;, resolvi ler &lt;em&gt;Longe do Brasil &lt;/em&gt;(UNESP, 2011). Trata-se de uma entrevista concedida à Véronique Moraigne em 2005 e publicada no jornal francês Le Monde. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Neste pequeno livro que se lê literalmente em duas horas, encontra-se um prefácio tão interessante quanto o seu conteúdo restante. Escrito pelo antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, o prefácio a que me refiro anuncia o que vai se constatar na leitura da entrevista: Um Lévi Strauss lúcido, apesar de seus quase 100 anos, relatando como sua experiência no interior do Brasil foi fundamental para sua carreira de teórico. Digo mais, Lévi Strauss, com a lucidez e a coragem que só a idade e a proximidade da morte permitem, consegue definir sua experiência brasileira como algo fundamental em sua vida, em geral. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Sabe-se que o pensador em questão esteve no Brasil e aqui embrenhou-se pelas bandas do interior do país buscando conhecer as comunidades e os hábitos dos brasileiros situados nos mais longínquos cantos desse país de dimensões continentais. Vale dizer que na década de 30 a condição de precariedade em que se encontrava o país não se compara ao que vemos atualmente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Lévi Strauss, foi, portanto, um desbravador, alguém que, não sabendo bem o que de fato fazer, foi capturado pelos povos que visava estudar. Por isso fez anotações, publicações, fotografias no intento de conhecer melhor todas as peculiaridades que esses povos apresentavam aos seus olhos europeus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Lévi Strauss, em sua experiência brasileira, não gostava muito de fotografias, acredita que estas tinham alguma importância, mas, do mesmo modo, poderiam distraí-lo e afastá-lo do seu real objetivo que seria entrar em contato com o que se apresenta diante da lente da objetiva. Ao observarmos o relato desta experiência que marcou a juventude do teórico e o alçou a uma popularidade sem precedentes na França e resultou na inauguração do que hoje chamamos de "etnografia" ou relatos etnográficos, percebemos que o pensador hoje cultuado por uma série bem variada de intelectuais, estudantes de várias áreas do conhecimento, se encantou com o povo brasileiro, foi capturado, por assim dizer, pelo encanto do Outro: eis uma bela lição de contato com a alteridade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Se para alguns o Outro ameaça, para Lévi Strauss, o Outro ensina, promove desterritorialização, a qual tantas vezes já citei aqui. Como perceber o contato, o diálogo e a convivência entre um teórico europeu e os povos erroneamente chamados de primitivos? Melhor dizendo: existem culturas inferiores?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A estes questionamentos certamente não poderemos responder sem aludir à Lévi Strauss e sua experiência marcante nos anos 30. Interessante é que &lt;em&gt;Longe do Brasil&lt;/em&gt; também relembra o fato de que o pensador francês retornou ao Brasil, em 1985, fazendo parte de uma comitiva do governo francês.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Nesta última ocasião, neste último encontro ou (des) encontro com o Brasil, percebeu que muita coisa mudou; que o país que outrora conheceu já não é do jeito que o encontrou, pela primeira vez. E continuou pensando sobre isso, o que, inevitavelmente, nos faz pensar também, não seria este o papel fundamental de todo pensador, a produção do insight?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;Longe do Brasil&lt;/em&gt; é um livro tocante que nos revela a importância do nosso país para a construção de um campo de conhecimento; o livro também nos mostra quem somos, assim como os outros livros do autor sobre o tema. Livre de qualquer exagero, acredito que somente um olhar distanciado e ao mesmo tempo implicado poderia nos oferecer uma visão tão apurada de nós mesmos, nós, como povo e nação. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Eis uma das variadas lições que lévi-straussianas. O teórico, com a paciência que é uma dádida velhice, responde sobre o futuro:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;"Estamos num mundo ao qual já não pertenço. o que conheci, o que amei, tinha 2,5 bilhões de habitantes. O mundo atual conta com 6 bilhões de seres humanos. Ele não é mais o meu. E o do amanhã, povoado por 9 bilhões de homens e mulheres - mesmo se for o pico de população, como nos asseguram para nos consolar - , proibe-me qualquer previsão..."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Se ao menos Lévi Strauss imaginasse que apenas em seis anos aumentaríamos nossa população em mais 1 bilhão... A velhice nos permite certos privilégios, um deles é a sensatez e , sobretudo, a licença de não termos respostas para tudo que nos perguntarem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-4249871790465595675?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/4249871790465595675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=4249871790465595675' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4249871790465595675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4249871790465595675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/11/um-pensador-e-suas-licoes.html' title='O que aprendi com Lévi Strauss sobre o meu país'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-v9iIx1oXk18/TsXbCiJDXnI/AAAAAAAAApI/Houk1n68DYU/s72-c/longe_do_brasil_levi-strauss.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-5974873181800375644</id><published>2011-10-29T11:41:00.009-02:00</published><updated>2011-10-29T13:55:25.958-02:00</updated><title type='text'>Feminino: arte &amp; revolução: um aporte psicanalítico</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-rRLJAH1epaE/TqwJa4ICNlI/AAAAAAAAAo8/1EtUwWU9YGk/s1600/Convite.png"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 138px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5668916388299945554" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-rRLJAH1epaE/TqwJa4ICNlI/AAAAAAAAAo8/1EtUwWU9YGk/s200/Convite.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Se eu for pensar em quantos posts já dediquei a livros e a filmes que me marcaram, que trouxeram algum conhecimento, que, enfim, me mobilizaram e inspiraram, certamente perderia as contas. Por este motivo, pensei em adicionar à coleção o meu próprio livro, aquele que mobilizou, inspirou e inspira minha vida, ao menos minha vida como pesquisadora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Penso que não há ninguém melhor, e ao mesmo tempo, ninguém pior do que o próprio autor para analisar sua obra, dizer algo sobre. Sendo assim, não pretendo aqui fazer uma defesa apaixonada do meu projeto que durou, ao todo, quase cinco anos para se materializar, tampouco espero estar imune a algum sentimento de orgulho que de fato sinto, por ter conseguido realizar este desejo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Para Lacan, em seu seminário sobre a Ética, não existe nada mais perigoso do que realizar o seu desejo. Para este autor, parece que realizar um sonho ou um desejo significaria, necessariamente, realizá-lo no fim de tudo, ao apagar das luzes. Por isso, então, "realizar um desejo" seria o mesmo que "realizar , no final". Ainda sobre o desejo, lembro de Zizek - um filósofo que dialoga com a Psicanálise lacaniana - falando sobre o caráter paradoxal que envolve desejo/sonho e felicidade. Para o autor esloveno, realizar um desejo seria, de saída, abrir mão da felicidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Sendo assim, das duas uma: ou você é feliz, ou realiza seu desejo. Esse caráter perigoso do desejo está tanto em Zizek como em Lacan, e perpassa, em geral, toda a ideia psicanalítica de subjetividade. Aí entra o mote para o meu livro: &lt;em&gt;Feminino, arte &amp;amp; revolução: um aporte psicanalítico&lt;/em&gt; (Edufal, 2011) que fala sobre esses desejos que , via de regra, nos mobilizam e geram inquietações, construindo nossa identidade. Este livro, cabe dizer, foi o resultado de minha dissertação de mestrado realizado em São Leopoldo-RS. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Busquei aliar meu interesse pela subjetividade feminina ao diálogo com as artes, porque sempre acreditei no que Freud dizia a respeito do pioneirismo da arte nas questões do inconsciente. Porém, não necessariamente poderia fazer esta relação livremente, por exigências acadêmicas as quais, não retiraram todas as minhas esperanças deste intento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Entendendo a subjetividade feminina como uma invenção, tal como Lacan desenvolveu, percebi o conceito de mascarada como uma possibilidade criativa diante da falta de referência na construção da identidade feminina e me coloquei à disposição do tema para que ele demolisse meus próprios paradigmas, me levando ao meu desejo, e não a minha felicidade. Estranho? Sendo um livro acadêmico, nascido de exigências igualmente acadêmicas, a ideia que norteou o projeto foi falar, mesmo que de maneira indireta, da arte feminina em fazer-se mulher e para tanto é necessário revisitar os autores, os teóricos que respaldaram o projeto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;No entanto, em poucas palavras, o que busquei entender - e por isso, me senti mobilizada - foi como esta construção de identidade se dá no contexto cultural atual, como as mulheres se tornam mulheres? Além da ultrapassagem do Édipo, da constituição da feminilidade através de amigas e de outras mulheres, como a mulher, hoje, se torna um sujeito, apesar da ausência do significante da feminilidade?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Leituras sexistas à parte, meu interesse foi me sustentar em quem primeiro falou sobre o tema, Joan Riviére e Lacan, para que, de fato, fosse possível pensar nas reconstruções que a mulher faz diante das exigências dos tempos atuais, a saber, a obediência irrestrita e geradora de ansiedade ao tripé " beleza-juventude-magreza", aos novos ideiais que apregoam a liberdade, a livre disposição dos sujeitos, toda a parafernalha científica-midiática que torna a mulher uma outra mulher, porque se reinventa hoje não mais como se reiventava ontem, seguindo referências outras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;No fim dessa discussão teórica surge o discurso das próprias mulheres que hoje tentam e criam a sua verdadeira "arte e revolução" diante dos ideiais contemporâneos. É preciso dar-lhes fala, tal como o fez Freud, desde as suas histéricas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Até este ponto, talvez não saibamos o que isto tem a ver com o desejo, com o desejo feminino, mas, acredito que há uma relação quando começo esse texto falando do meu desejo que foi realizado, no fim. Desejo de pesquisadora de entender como se dão todas essas questões que, invariavelmente, também são minhas. No fim , realizei um desejo?Não sei, mas desconfio da face mortífera deste: pois só me vieram mais perguntas ao invés de conclusões sobre tudo isso que tem relação com a mulher e com sua subjetividade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Realizar um desejo no fim, é saber que não há fim para um desejo, pois este continua nos guiando, por onde bem entender, assim é o papel do pesquisador que deve abandonar as ideias ingênuas que poderia ter sobre neutralidade. Esta não existe. Gosto muito de um trecho que escrevi neste livro, justamente falando da minha incapacidade de ouvir tudo isso incólume:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;" [...] escutar é, necessariamente, dar forma aos próprios fantasmas; aquele que escuta não está imune ao que se lhe apresenta como queixa do outro e é neste ponto que se faz a dificuldade e também o motor, a mola propulsora desta empreitada"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Quer saber? No fundo, no fundo, pesquisar é nunca realizar o seu desejo. Porque isso nunca termina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-5974873181800375644?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/5974873181800375644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=5974873181800375644' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/5974873181800375644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/5974873181800375644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/10/feminino-arte-revolucao-um-aporte.html' title='Feminino: arte &amp; revolução: um aporte psicanalítico'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-rRLJAH1epaE/TqwJa4ICNlI/AAAAAAAAAo8/1EtUwWU9YGk/s72-c/Convite.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-3211762934409888578</id><published>2011-08-29T22:32:00.005-03:00</published><updated>2011-08-29T23:10:20.209-03:00</updated><title type='text'>Um conto chinês ou até onde a alteridade nos conduz</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-IxY22n65Zgk/TlxGUpiOFeI/AAAAAAAAAoE/HQ-I1sV1IOc/s1600/un-cuento-chino-2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 132px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5646465353376470498" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-IxY22n65Zgk/TlxGUpiOFeI/AAAAAAAAAoE/HQ-I1sV1IOc/s200/un-cuento-chino-2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Um argentino ermitão, um chinês perdido e uma mulher apaixonada. Essas são as personagens centrais de &lt;em&gt;Un cuento chino&lt;/em&gt; (Argentina, 2011). A trama busca lançar luz sobre um relacionamento insólito mantido por acidente entre Roberto (Ricardo Darín, de &lt;em&gt;O segredo de seus olhos, Abutres e O filho da noiva&lt;/em&gt;) e Jun (Ignacio Huang). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Darín, que consegue ser unânime em críticas quanto a sua vibrante e precisa atuação, vive uma personagem solitária, imersa em um mundo obsessivo em que não se come os miolos dos pães. Roberto é dono de uma pequena loja de ferragens a qual, herdada de seu velho pai, serve de palco para muitas atitudes típicas de um verdadeiro rabugento, como, por exemplo, maltratar clientes que buscam parafusos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Roberto, apesar de suas próprias manias, herdou outras de seus pais: costuma colecionar notícias de jornal que guardam em comum o fato de serem estranhas: a prova da hipótese de Roberto de que a vida não faria o menor sentido. É com esta certeza que Roberto coleciona recortes de jornal que comprovam a veracidade de sua hípótese, mas o estranho hábito vai além: é através do mergulho nas vidas alheias, desconhecidas, que Roberto consegue dar um sentido a sua própria vida: aí está o paradoxo: é tentando obsessivamente provar que a vida não tem o mínimo sentido que Roberto vai reunindo e colecionando sentidos para sua , uma motivação que o faz acordar todos os dias e apagar a luz de seu quarto, indefectivelmente, às 23 horas da noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Tão sem sentido como as notícias bizarras colecionadas por Roberto é a vida do chinês Jun, perdido na Argentina desde a tragédia que matou sua noiva: um desastre insólito, um fato considerado por muitos improvável, bizarro: eis que surge, do alto do céu, uma vaca a mugir que acaba atrapalhando o pedido de casamento que Jun faria à noiva, que não resiste à pesada vaca. Assim a história começa e também começa a relação estranha mantida entre Roberto e Jun.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Apesar da incompreensão entre os idiomas, os hábitos e culturas tão diferentes entre Argentina e China, &lt;em&gt;Ún cuento chino&lt;/em&gt; vai além do óbvio: o que está claro no filme - e esta deve ter sido a verdadeira intenção de seu realizador Sebastián Borensztein - é que para além dos idiomas é a própria subjetividade que afasta e ao mesmo tempo une as pessoas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O atrapalhado chinês que não consegue pronunciar sequer o nome de Roberto , estranha não só a sisudez do anfitrião argentino: estranha-lhe os hábitos, o gosto pela comida, a casa, os recortes. O belo e simples filme nos mostra nada de novo e, ao mesmo tempo, nos coloca à frente uma verdade que parece sempre inédita: o Outro nos constitui e nos dá um lugar em seu discurso, e por isso existimos, é através do olhar do Outro, representado pelo chinês que "é limpo, calado e colaborador", que Roberto consegue encontrar um sentido em sua vida tão perpassada pela própria incapacidade típica dos obsessivos de lidar com os sentimentos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O pobre e inadequado chinês ensina a Roberto coisas sobre sua cultura, sua gente, sua língua , mas ensina, sobretudo, lições sobre os sentimentos e como estes podem ser acessados: solidariedade, compaixão e agradecimento estão presentes neste sensível filme como se fossem lições das quais Roberto deveria entender. Apesar das confusões entre as línguas e da necessidade de tradutores, Jun e Roberto se entendem pelo fio mais tênue que os liga à vida: o insólito e trágico acidente com a vaca e sua consequência, o não menos insólito encontro entre o argentino solitário e rabugento e o chinês sensível e observador. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A pista sobre o que de fato está em jogo neste filme é-nos jogada pela personagem de Muriel de Santa ana, Mari, de quem Roberto não consegue se aproximar da maneira como deveria segundo os próprios sentimentos. Mari insiste, convida e oferece afeto à Roberto que, diante disto, não consegue expressar nada além do que uma cansativa e obsessiva educação. Enquanto isto, Jun consegue comprender bem o vínculo afetivo que existe entre o novo amigo e a moça romântica, mesmo sem falar uma palavra em espanhol.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O filme gasta seus quase noventa e quatro minutos falando, inclusive nas entrelinhas, de como precisamos do olhar do Outro, esse mesmo outro que nos constitui à medida que nos desaloja, nos desterritorializa em nosso próprio espaço, em nossa própria subjetividade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Era preciso que Roberto encontrasse Jun, e este filme, sincero, convicente e coeso mostra todo esse desencontro diante do Outro, tão bem representado pelo estrangeiro, pela "cultura estranha", o encontro como o novo, como o diferente faz com que ambos ultrapassem os próprios limites e, com isto, encontrem o verdadeiro sentido das suas vidas, mesmo que isso tenha sido determinado no fatídico dia em que uma vaca caiu do céu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-3211762934409888578?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/3211762934409888578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=3211762934409888578' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/3211762934409888578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/3211762934409888578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/08/um-conto-chines-ou-ate-onde-alteridade.html' title='Um conto chinês ou até onde a alteridade nos conduz'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-IxY22n65Zgk/TlxGUpiOFeI/AAAAAAAAAoE/HQ-I1sV1IOc/s72-c/un-cuento-chino-2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-3577899304797295029</id><published>2011-08-19T09:54:00.010-03:00</published><updated>2011-08-19T10:43:56.942-03:00</updated><title type='text'>"Eu queria ser médico, mas fiz Psicologia"</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-fiQcjkzxbG0/Tk5kM6uIZLI/AAAAAAAAAn8/e8jhZGadv7w/s1600/psi.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5642557556225762482" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-fiQcjkzxbG0/Tk5kM6uIZLI/AAAAAAAAAn8/e8jhZGadv7w/s200/psi.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde &lt;span style="color:#666666;"&gt;que surgiu no horizonte do pensamento humano, a Psicologia vem superando obstáculos com a mesma rapidez com que cria as mesmas barreiras que dificultam o real entendimento sobre sua função e especifidades. Ao buscar apoio nas teorias pré-psicológicas de origem filosófica estruturalistas e funcionalistas, a nova ciência apareceu como uma aposta daqueles que buscavam conhecer os processos mentais e, de quebra, elucidar os mistérios do comportamento humano. Em suma: era hora do homem conhecer as motivações que agiam no interior de si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A partir disto, o que se viu foi uma proliferação de teorias, hipóteses, um mundo colorido de variáveis idealizadas somente para delícia e desespero de qualquer pesquisador. Vimos passar por nós teorias deterministas, teorias que pretendiam entender o cerne do comportamento - para manipulá-lo e prevê-lo, até o surgimento de uma abordagem que se situa para além da psicologia , uma metapsicologia na qual o comportamento não é sinônimo de personalidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Entre comportamentalismos e freudismos há mais coisas do que ousa sonhar nossa vã Psicologia - aqui me aposso de Shakespeare. Assim, para entendermos o lugar que a Psicologia ocupa no discurso contemporâneo é preciso de certos pré-requisitos. Dentre eles, cito:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;1- Contexto sócio-histórico: Pois toda ideia nasce em um determinado cenário, revestido de contrasensos e peculiaridades. Skinner não pensou em modelar o comportamento humano sem considerar as exigências sociais as quais se impunham ao homem moderno. Tampouco as ideias de Freud foram alheias ao trajeto Viena-Paris-Alemanha fin de siécle em que se constituiram. Cada povo tem uma história e essa história é dinâmica, transformável a medida que é de autoria do próprio povo , quisera eu ser inédita neste ponto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;2 - Status de ciência: Apesar do que supôs Immanuel Kant, a Psicologia poderia se tornar uma ciência, apesar de não se fazer valer de proposições matemáticas. Contrariando o pessimismo do alemão, a Psicologia deu largos passos diferenciando-se da concepção positivista reinante que lh e pariu para buscar outras searas. Essa é a grande virada psicológica: a ruptura com o paradigma positivista que nos faz entender a velha máxima cartesiana do "Penso, logo existo", como uma piadinha ingênua e sem graça perto do que já descobrimos no mundo Psi.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;É interessante que o discurso social seja tão importante para a validação de uma ciência tanto quanto o é o grau de fidedignidade alcançado por um experimento que se pretenda científico. Testamos tudo, mensuramos todas as variáveis possíveis e imagináveis e ainda assim, dependemos inescapavelmente do aval social para respaldar nosso direito de existir. Era assim na época de Freud, era assim na época de Skinner, por que agora seria diferente? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Continuamos lutando por um lugar nesse vistoso campo das Ciências e - pasmem - como diria Figueiredo, ainda sentimos a necessidade de prestar contas a qualquer tribunal epistemológico que se revista com a pompa da Verdade absoluta para sermos autorizados a dizer: Sim, existimos, somos ciência e temos um lugar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Dentro dessas questões acima citadas, talvez uma das mais interessantes esteja relacionada a este afã que muitos psicólogos têm no que tange ao respaldo ao seu saber. Por que precisamos de tal aval social, epistemológico, positivista para, simplesmente, existirmos? Responder a esta questão é, no mínimo, uma empreitada árdua, sem garantias de sucesso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Buscamos incessantemente fazer-nos respeitar, não que isto seja errado, equivocada é a forma pela qual exigimos este respeito, quase rasteijando. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Existe uma espécie de complexo de inferioridade que perpassa a alma psicológica de tal maneira que nos faz submeter aos horrores positivistas: queremos usar branco , queremos ser objetivos, queremos, finalmente, existir, por a mais b. É este desejo que nos leva, algumas vezes, a falsificarmos nosso discurso em nome de uma adesão ao determinismo, a lógica médica, retirando da Psicologia o que ela tem de mais especial - sua subjetividade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Desse modo, pisamos, xingamos qualquer coisa que esteja relacionada a uma subjetividade que nem de longe se explica pela química hormonal. Não somos um feixe de glândulas e neurônios a espera de um comportamento. Somos isso também, não só isso. Compreender a personalidade humana é uma tarefa que não se esgota na compreensão das estruturas mentais - caso assim fosse Titchener e seus companheiros estruturalistas não teriam perdido seus postos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;É preciso - e a história nos confrontou com isto - que vamos além da descoberta dos arquivos mentais, que vamos além para acharmos o que diabos existe dentro dessas tais gavetas e de que forma esse conteúdo altera o modo de ser, de pensar, de sentir de alguém.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Todas essas opiniões não precisariam ser defendidas, mas o faço porque ainda me contorço diante de afirmações anacrônicas que sugerem um retorno a essa necessidade positivista, a essa ânsia de reconhecimento a partir da semelhança com tudo que produziu o engessamento paulatino da subjetividade - o principal objeto de estudo do psicólogo, a meu ver.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Tal como uma criança carente de afeto, ainda buscamos o olhar dos superiores, fazemos uma palhaçada ou outra, uma traquinagem aqui outra ali esperando o sorriso nos lábios daqueles aos quais devemos respeito e consideração, simplesmente pelo fato de que somos menores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Deveríamos lutar contra tudo isso, contra essa necessidade de se apresentar no banco dos reús desse tribunal da Epistemologia, deveríamos ter coragem de esfregar nossa subjetividade por aí, bem indecentemente, e pagar o preço das conseqüências. O único alento diante de tudo isto é que não podemos generalizar esse complexo. Ainda existem revolucionários românticos que acreditam que não precisamos do branco gélido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Porém, Enquanto pairar sobre nossas cabeças qualquer espécie de complexo de inferioridade , qualquer desejo de estar à altura do discurso médico-positivista, o psicólogo adorará usar um jaleco branco e se regozijará somente por ser chamado de "Doutor".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-3577899304797295029?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/3577899304797295029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=3577899304797295029' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/3577899304797295029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/3577899304797295029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/08/eu-queria-ser-medico-mas-fiz-psicologia.html' title='&quot;Eu queria ser médico, mas fiz Psicologia&quot;'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-fiQcjkzxbG0/Tk5kM6uIZLI/AAAAAAAAAn8/e8jhZGadv7w/s72-c/psi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-5680812166480902116</id><published>2011-08-01T10:47:00.004-03:00</published><updated>2011-08-01T11:07:37.654-03:00</updated><title type='text'>Um entre cem sonetos de amor</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-etKZs5b54ms/Tjax5UKMJeI/AAAAAAAAAn0/Q5181tHjzrs/s1600/neruda%2Be%2Bmatilde.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 133px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635887581922862562" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-etKZs5b54ms/Tjax5UKMJeI/AAAAAAAAAn0/Q5181tHjzrs/s200/neruda%2Be%2Bmatilde.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Em Outubro de 1959 , Neruda, poeta chileno conhecido por ser amigo do amor e exaltá-lo de tantas formas, escreve um pequeno compêndio de uma centena de sonetos dedicados a sua esposa, Matilde Urrutia. Os sonetos são precedidos por uma pequena dedicatória na qual Pablo esclarece suas "razões de amor" , as únicas razões pelas quais se justificam os cem sonetos de amor de madeira que só se levantaram porque a amada Matilde deu-lhes vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Em homenagem a todo ser que ama e é amado, trago aqui o soneto número XVII, que faz parte do singelo livrinho de bolso "Cem sonetos de amor" que a editora L &amp;amp;PM lançou este ano. Um poema que cheira a madeira, a sal e nos faz lembrar que o amor, embora quisesse o poeta fazê-lo, não se justifica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;XVII&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;NÃO TE AMO como se fosses rosa de sal, topázio&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;ou flecha de cravos que propagam o fogo:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;te amo como se amam certas coisas obscuras,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;secretamente, entre a sombra e a alma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Te amo como a planta que não floresce e leva&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;e graças a teu amor vive escuro em meu corpo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;o apertado aroma que ascedeu da terra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;te amo diretamente sem problemas nem orgulho:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;assim te amo porque não sei amar de outra maneira,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;senão assim deste modo em que não sou nem és&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;tão perto que tua mão sobre meu peito é minha&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;Pablo Neruda&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-5680812166480902116?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/5680812166480902116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=5680812166480902116' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/5680812166480902116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/5680812166480902116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/08/um-entre-cem-sonetos-de-amor.html' title='Um entre cem sonetos de amor'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-etKZs5b54ms/Tjax5UKMJeI/AAAAAAAAAn0/Q5181tHjzrs/s72-c/neruda%2Be%2Bmatilde.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-4108156370744678860</id><published>2011-07-24T13:04:00.006-03:00</published><updated>2011-07-24T13:44:45.538-03:00</updated><title type='text'>Por uma nostalgia salvadora</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-heKC4UmEWd4/TixJCGqMh_I/AAAAAAAAAns/vfO0l2i46FE/s1600/nostalgia_by_SuzyTheButcher.jpg"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 174px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5632957534429808626" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-heKC4UmEWd4/TixJCGqMh_I/AAAAAAAAAns/vfO0l2i46FE/s200/nostalgia_by_SuzyTheButcher.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Eu sei que há tempos se critica - e sempre irão criticar - esse tipo rançoso que vive como se vivesse atravessado por um tempo outro, um tempo melhor, em que não se matava, em que não se morria - não pelo que se mata e pelo que se morre hoje, ah, estes eram os meus tempos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Por todos os campos do conhecimento sempre existirá lugar para o teórico nostálgico - e eu não estou falando de Psicanálise apenas, estou incluindo aí, nesta mesma seara, os sociólogos, os linguistas, os filósofos. Sempre há uma legião de defensores dos dias de outrora. Eu também os defendo. Na cara dura. E direi por que.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;O passado parece ser o lugar das realizações, o lugar do conforto. O passado é sempre uma casa mobiliada como nos tempos das avós - cristaleiras, móveis de imbuia, e porta-retratos bem antigos estampando outros tempos. Assim é o passado, uma casa de vó, bem mobiliada, cheirando a pitanga e a genipapo. É a este lugar , situado em algum lugar da história dos homens, que muitos dedicam suas vidas, suas trajetórias. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;A contrário do que alguns possam pensar, ao contrário de toda a ladainha modernosa, o passado não é feito de naftalina: é lugar de reflexão por excelência - lugar para repensar o presente e de idealizar o futuro, o qual, nunca, mas nunca será tão colorido como o passado em preto e branco. Bem já disse Janis Joplin ao dizer que trocaria vários dias no futuro por apenas um dia no passado, e, o mais irônico de tudo é que a cantora de voz singular era considerada tão &lt;em&gt;avant gard tão prafrentex&lt;/em&gt; em sua época. É. Até os moderninhos têm saudade de um não sei o quê que nem viveram.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Recentemente, o último filme de Woody Allen, "Meia-noite em Paris" revelou o que todos já sabiam, seja através de biografias do cineasta americano, seja por perspicaz observação: Allen é frequentador assíduo das confeitarias do passado, e mesmo na pele do ótimo Owen Wilson, Allen consegue nos deixar entender o porquê da nostalgia ser válida , ou melhor dizendo: porque o passado é alento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;A esta altura alguém poderia perguntar: o que tem isso de novo? Realmente, nada há de novo em nostalgia a não ser a exaltação desta como nunca antes em outros tempos: roupas retrô, brechós, móveis vintage, tudo isto surge como uma novidade da sociedade pós-moderna que cansou - ou não resistiu - aos constantes apelos que bradavam: "inovem!inovem!". O passado, a casa e as receitas da vó - além de seus vestidos e coques - voltaram a ser valorizados e ostentados por cabecinhas tão modernas. Só que a onda nostálgica para aí na área do design, da estética.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Como sabemos, ou podemos suspeitar, não parece nada bonito assumir-se um nostálgico convicto. Retrô é apenas moda pós-moderna, de uma contemporaneidade ímpar, mas não vá sair por aí ostentando o que viveu - ou o que não viveu, mas que gostaria. O idealismo nostálgico - cunho o termo agora - não é bem vindo, está roto, é tão anacrônico como a palavra anacrônico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Desse modo, aquele teórico que , porventura, deixar sua alma saudosa dos tempos da brilhantina falar mais alto e denunciar que bons mesmo eram os velhos tempos será execrado, chamado de antigo, ultrapassado, intransigente, até mesmo de "defensor de uma visão de futuro apocalíptica". Pois é na carona desses que vou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Não peço desculpas por continuar ostentando o velho discurso de que sou do tempo em que as pessoas temiam os professores, não pelo autoritarismo destes, mas pela simples existência daquele sentimento misto de afeto e medo que um dia Piaget chamou de respeito. Sou do tempo de agora, mas bem que me agradaria esperar por um antigo Peugeot à meia-noite em Paris. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Por isso não peço desculpas por realmente constatar que o passado, sim, nem precisa ser aquele de Dali ou de Picasso, ali sim é que eram os tempos. Afinal, uma hora teremos que tomar partido, apesar desta sociedade politicamente correta que escorrega em tantas cascas de banana por amor à contemporaneidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Assistir a juventude aclamar Charlie Sheen como ídolo não por seu talento como artista, mas por sua vida desregrada, presenciar os supostos fãs de uma celebridade que vivia no terrível mundo das drogas deixarem bebidas álcoolicas em sua porta como uma bizarra homenagem não me deixa animada com os dias que virão e, provavelmente, todos estes fatos que assistimos diariamente me deixam mais saudosas do tempo não vivido, mas por mim internalizado, seja por sorte, seja por neurose.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Diante de tudo isto que vemos por aí é que não devemos nos encolher com medo dos olhos da crítica: a nostalgia é benéfica, talvez seja ela a única coisa que nos faz suportar o mundo. Bradem aos tempos da vóvó, estes sim!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-4108156370744678860?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/4108156370744678860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=4108156370744678860' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4108156370744678860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4108156370744678860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/07/por-uma-nostalgia-salvadora.html' title='Por uma nostalgia salvadora'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-heKC4UmEWd4/TixJCGqMh_I/AAAAAAAAAns/vfO0l2i46FE/s72-c/nostalgia_by_SuzyTheButcher.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-4888490226964121328</id><published>2011-06-09T20:56:00.005-03:00</published><updated>2011-06-09T22:11:59.857-03:00</updated><title type='text'>Entre Plumas, paetês e lacanês</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-4rMgye-cUSw/TfFuIFOuylI/AAAAAAAAAnk/eFPFpX6G78w/s1600/2282009-084102-palestrante-alexandre-garcia.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5616391295429691986" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-4rMgye-cUSw/TfFuIFOuylI/AAAAAAAAAnk/eFPFpX6G78w/s200/2282009-084102-palestrante-alexandre-garcia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;É certo que toda disciplina, todo campo de estudo deve promover eventos para que as ideias referentes a este circulem, ecoem por todos os lados e façam despertar em todos o desejo de prosseguir com a empresa dos pioneiros, daqueles que primeiro desbravaram o campo científico destinado à determinada área do conhecimento. Com a Psicanálise não é diferente: todos os anos pipocam eventos durante todos os meses com os mesmos objetivos: propagar a invenção freudiana, desenvolver temáticas que partam do pressuposto de que insistimos em algo que ainda faz sentido, apesar do centenário da ciência psicanalítica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;O engraçado é que existe toda uma ciência oculta que envolve um evento científico do porte de um congresso ou seminário. Como minha experiência decorre de muita freqüencia nestes ambientes em que se propaga a Psicanálise - ou algo parecido com isto - foi interessante para mim, ao longo destes quase dez anos de trânsito nestes eventos, reunir alguns conhecimentos informais que me ajudaram a sobreviver em tais situações; isto é, procurei desenvolver determinadas capacidades para poder fazer parte do seleto grupo de conferecistas e ouvintes destes congressos que, se não logram êxito em propagar a invenção freudiana, são bem sucedidos em promover risos, gargalhadas e um texto irônico como este, ou que pelo menos pretende sê-lo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Eis os motivos para tanto:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Em toda a história dos congressos e seminários acadêmicos uma figura específica teima em aparecer, faça chuva ou faça sol, sempre existirá espaço , na plateia, para aquele ser que atrapalha o curso normal de uma palestra, de uma fala, geralmente de um palestrante-estrela, do qual falarei mais tarde. Esta figura, tal como um rato sorrateiro, chega antecipadamente ao evento, procura sentar-se nas primeiras cadeiras, frente ao conferecista (para que assim possa debater melhor com este a temática apresentada) e, não raramente, desperta ódio, desprezo e/ou raiva nos demais integrantes da plateia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Pelo andar da carruagem, certamente o leitor deve ter adivinhado quem seria essa pessoa: o louco da palestra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;O louco da palestra abusa da boa vontade ou da educação do conferencista, usualmente não se constrange em utilizar todo o tempo destinado às perguntas e reflexões para fazer uma espécie de "mini conferência", que, se não traz nenhuma contribuição para a temática ali proposta, também não pode ser vista como uma dúvida real: ninguém se engane: o louco da palestra gostaria mesmo é de estar ali, por entre arranjos florais, copos d´água e microfones, à frente, conferindo a palestra, e não na plateia, lugar do qual, incessamente, visa escapar com seus comentários equivocados, prolixos e desprezíveis os quais, muitas vezes devem ser entendidos como críticas agressivas diante do brilho do palestrante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;O louco da palestra, apesar de sua agressividade nem sempre velada, faz irromper a criatividade do conferencista em dar-lhe uma espécie de "fora politicamente correto"; pois é notável que o louco visa tão somente o espetáculo, as luzes da ribalta; ele não visa saber, conhecer, inferir, ele visa mesmo é aquele tempinho em que fantasia rivalizar com o palestrante. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Geralmente o louco da palestra recebe respostas politicamente corretas dos palestrantes. Algo do tipo: "Agradeço sua atenção, de fato não tinha pensado neste tema desta maneira" ou "Agradeço sua contribuição, anotarei para que em outras oportunidades possa falar sobre isto". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Uma ou outra a resposta politicamente correta poderia ser traduzida, em termos menos formais com um: "não me interessa o que você tem a dizer, certamente é uma besteira, mas para não ser mal educado, vou fingir que o que você falou tem alguma importância para mim". Este é o mundo: cruel e frio, não se engane, puro leitor (ui, minha veia machadiana agora grita).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Como a idiotice não é privilégio do louco, cabe falar também do conferencista, ele mesmo idiota, tachado como a estrela do evento que muitas vezes confia tanto no seu próprio taco que não se dá ao trabalho de preparar, de fato, sua fala: recorre frequentemente a anotações esparsas, de cadernos amarelados e sai pinçando um trecho ou outro que foi capaz de produzir há cerca de 10 anos ou mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;O conferencista-estrela muitas vezes não se julga ao alcance da simplória plateia; não raramente começa sua fala com um: "Não sei se serei claro, mas se vocês não conseguirem alcançar, digam-me que eu tento falar de outra forma". Àquele que não é &lt;em&gt;habitué&lt;/em&gt; destes eventos, certamente concordará com o conferencista-estrela; devido também à inexperiência, realmente pode pensar que está muito aquém daquele ser que surge à mesa e toma de assalto toda a plateia, uma mente brilhante que sequer consegue ser compreendida devido ao seu brilhantismo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Quase sempre o palestrante-estrela usa de subterfúgios conhecidos do mais baixo idiota: começa sua fala com uma frase de efeito que pouco ou nada tem a ver com a temática que propõe. É prolixo, arrogante e isto se pode notar pelo número de bocejos por segundo observados na plateia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Quando era estudante, não conto as vezes em que me rebaixei, com toda a neurose que Deus me deu, diante daqueles semi-deuses que para mim falavam tão mais bonito à medida que usam termos do tipo "o significante barrado" " a borda de Moebius", "lalangue", e tantas outras palavras deste idioma tão estranho que é o lacanês (uso inapropriado dos termos desenvolvidos pela teoria lacaniana pelo sujeito que, perversamente, não se contenta com o seu suposto saber e nega a possibilidade de, um dia, vir a tornar-se dejeto).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;É um tal de "sujeito barrado" "letra", "significante Outro" "banda de Moebius", "cross cap", "lalangue", sem falar no uso inadvertido de termos em língua francesa para dar mais veracidade à encenação do suposto saber. Se você não é da área, não entende bulhufas de Psicanálise ou algo que a valha, ao menos entenderá que , no mundo acadêmico, para que você seja respeitado, muitas vezes é necessário recorrer a um jogo sedutor o qual se vence quanto mais palavras e termos estranhos usar: simples assim, quanto mais eloquente parecer, quanto mais ambíguo e obscuro for, maior a possibilidade de não entenderem, logo, serei o palestrante o qual a plateia não conseguirá alcançar. Este é o mundo: cruel e frio, inocente leitor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Neste mundo imagético o qual habitamos, uma imagem e um lacanês vale mais do que qualquer entendimento real sobre o assunto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Há, entre a seara dos palestrantes, um tipo muito interessante, além do pedante que insiste no lacanês: o palestrante louco. Geralmente apresenta-se como um ser estranho, possivelmente mal amanhado (mal vestido e desgrenhado) como se isto fosse garantia de que, se aquele ser não tem tempo para pentear as madeixas, certamente isso se deve ao fato de estudar muito, mas muito mesmo, a ponto de desconhecer o objetivo de um pente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Estes seres surgem e se proliferam nas palestras e seminários de Psicanálise; é o famoso estranho que mais parece perdido, como se um ser mítico, fosse, talvez advindo do distante mundo neozelandês dos &lt;em&gt;hobbits&lt;/em&gt; (analogia que devo a uma querida professora) que veio ao seminário obrigado por deveres acadêmicos, pois é notória sua vontade de estar em casa, sem banho e sem pente, ensandecido diante de tantos compêndios, dicionários e livros técnicos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;O palestrante louco não fala coisa com coisa; costuma apresentar-se de maneira histriônica e visa tamponar a própria vacuidade com termos em outras línguas para mostrar erudição. O ser mítico, como será perceptível ao longo de sua fala, não sabe mais do que ninguém da plateia, não sabe mais do que qualquer rato; seus textos são marcadamente desorganizados e não chegam a lugar algum. Não concluem o que não desenvolveram e nem sequer introduziram.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Neste ponto, alguém poderia perguntar: é fácil distinguir um palestrante de verdade de um engodo? Não, a resposta é não; é somente com muita experiência nestes ambientes e, sobretudo, com o crescente conhecimento que adquirimos ao longo da formação acadêmica que começamos a descobrir quem de fato sabe e quem de fato enrola, inventa, alucina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Aqui cabe o conhecimento popular e um trechinho de "Canto de Ossanha", de Vinícius de Moraes: "O homem que diz sou, não é, porque quem é mesmo diz , não sou". Ou seja, em poucas palavras: humildade e sabedoria caminham juntos, e estes seres advindos de florestas longínquas, além de demonstrarem profundo mal gosto em sua apresentação pessoal, também demonstram que , não necessariamente você precisa se desgrenhar para ser, de fato, estudioso. Muitas vezes estas pessoas são apenas falácias, discurso vazio recoberto de uma arrogância sem limites.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Por último, mas não menos importante, não poderia encerrar este textículo sem mencionar uma das figuras das quais mais gosto, não pela eloquência e sabedoria, mas pelo que ela me suscita em sua essência. É o famoso palestrante-psicografista. Com frequência este palestrante surge e inicia sua fala com uma revelação: tem mantido contato com seres que passaram desta para melhor, tem conversado com grandes nomes da Psicanálise, como Freud, Lacan, Winnicott, Melanie Klein, enfim, todos os grandes nomes, numa espécie de mesa branca ou coisa que o valha e trazem os resultados disto na palestra. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;É comum que o palestrante-psicografista apresente textos conhecidos como "colcha de retalhos", nos quais não se sabe quem está falando, se o próprio ou a entidade invocada. Como se trata de Psicanálise lacaniana, sabe-se da importância da oralidade no discurso lacaniano, mas há gente que abusa, usam expressões como "Eu tenho pensado essa questão com Lacan" , "É o que penso com Freud", etc. Além destas citações que explicitam um contato íntimo com a entidade psicanalítica que parece estar sempre acessível ao mundo terreno. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Sempre que ouço alguém proferir algo do tipo: "Eu penso com Freud", ou "Venho desenvolvendo essa questão com Lacan", me vem à mente a situação de um bando de psicanalistas brincando da famigerada "brincadeira do copo" ou "tabuleiro ouija". Queria saber aonde acontece o tal encontro, como entrar em contato. Venho observando que Lacan vem se tornando uma entidade do porte de um Emmanuel e que os palestrantes não economizam em citações que indicam que existe, de fato, um contato íntimo com o pensador, muito disto se deve ao fato dos textos nem sempre obedecerem às mais simples regras metodológicas: se você vai citar alguém, anuncie-o antes, ou, invariavelmente, a plateia ficará confusa sem saber se tal trecho é seu, se é psicografado, se é do autor renomado, enfim, muitas questões que ultrapassam nossa vã filosofia, ultrapassam o entendimento que temos neste nosso pequeno mundo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Só não vou me admirar quando psicografarem uma obra de Lacan e se apresentarem como uma espécie de Doutor Fritz da Psicanálise. Há louco para tudo, mas há espertos para tudo também.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Ao longo deste texto também lembrei de outras situações, tais como o momento do coffee break em que as pessoas costumam se engalfinhar por um suco de cajá, ou mesmo o palestrante humilde que tudo que tem deve à Freud ou Lacan, aquele que inicia sua fala com expressões do tipo "estou aqui, na verdade, macaqueando Lacan, porque tudo ele já disse". Estes parecem ser os mais humildes, mas de uma humildade que beira à ignorância: Se Lacan disse tudo, porque você ainda está aqui? Vá embora, vá a piscina do hotel, deixe essa sala fria e vá descansar, porque Lacan já disse o que você diria, então, esqueça a possibilidade de falar algo novo, já o fizeram, a você cabe a cadeira do deck da piscina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;São tantas as situações vividas em um congresso, certamente não abordei nem metade do que minha observação tem encontrado por aí, independente do estado, da região do país em que esteja. Apesar de tudo isto, dos loucos, dos hobbits, das estrelas, dos humildes, da plateia, eu gosto, não vou negar, gosto de observar, pois o que seria da Ciência se não fosse o compromisso de continuar o empreendimento ao qual tantos homens célebres dedicaram suas vidas? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Mentira, vou mesmo é para garantir meus pontos no currículo lattes e rir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;em&gt;Ilustração: esta imagem foi buscada aleatoriamente através do Google images; achei que deveria manter no anonimato as figuras reais que inspiraram este texto.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-4888490226964121328?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/4888490226964121328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=4888490226964121328' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4888490226964121328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4888490226964121328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/06/entre-plumas-paetes-e-lacanes.html' title='Entre Plumas, paetês e lacanês'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-4rMgye-cUSw/TfFuIFOuylI/AAAAAAAAAnk/eFPFpX6G78w/s72-c/2282009-084102-palestrante-alexandre-garcia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-1314850418660128566</id><published>2011-05-05T23:53:00.003-03:00</published><updated>2011-05-06T00:01:19.715-03:00</updated><title type='text'>Ato de saudade.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-G0r6eeixarg/TcNkdTWjYEI/AAAAAAAAAnY/5flNUtvEmPs/s1600/canstock5213756.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 122px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5603432815952879682" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-G0r6eeixarg/TcNkdTWjYEI/AAAAAAAAAnY/5flNUtvEmPs/s200/canstock5213756.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Do doce amor agora me restam uns olhos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Esses olhos tão profundos que Deus te deu&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Agora, quis a vida, que passassem dois dias assim, longe dos meus&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Do doce amor agora me restam uns olhos e uma boca&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Do doce amor, agora, é a saudade&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;que invade e atesta&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;que, de fato, só o que resta&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;a uma namorada bem modesta&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;é uma meia dúzia de rimas &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;é ser um tanto quanto brega&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;e chorar a ausencia de quem&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;somente por dois dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;se ausenta&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Doces olhos, voltem&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;que dois dias é muita coisa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;pra quem te quer a vida inteira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-1314850418660128566?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/1314850418660128566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=1314850418660128566' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/1314850418660128566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/1314850418660128566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/05/ato-de-saudade.html' title='Ato de saudade.'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-G0r6eeixarg/TcNkdTWjYEI/AAAAAAAAAnY/5flNUtvEmPs/s72-c/canstock5213756.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-2193482188868603939</id><published>2011-05-05T00:39:00.006-03:00</published><updated>2011-05-05T01:21:10.711-03:00</updated><title type='text'>Transferência: O difícil lugar por trás do véu rendado</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Ifhhm4nLZNo/TcIjLt01MSI/AAAAAAAAAnQ/FIvY82rdj1c/s1600/veu.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5603079570589036834" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-Ifhhm4nLZNo/TcIjLt01MSI/AAAAAAAAAnQ/FIvY82rdj1c/s200/veu.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Em&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt; 1912, em um texto chamado "A dinâmica da transferência", Freud já evidenciava o caráter perigoso da transferência, talvez o conceito psicanalítico que mais suscita polêmicas nos mais variados âmbitos em que a invenção freudiana penetrou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;No referido texto Freud indica, de saída, que a transferência é a arma mais forte de resistência, justamente por sua intensidade e por sua persistência. Em outras palavras, o autor chega a afirmar que a transferência consiste numa luta entre o racional e o instintual, entre a compreensão e a procura da ação entre médico ( na época não existia a função do psicanalista) e paciente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;De tudo isto, podemos dizer que, em palavras menos rebuscadas, transferir é próprio do neurótico e, se aceitamos a assunção de Freud de que todos somos neuróticos - uns em alto nível, outros ainda engatinhando rumo à neurose - e a transferência, essa arma quase letal está presente em tantas outras situações que não necessariamente clínicas, entre médico- paciente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Existe transferência porque existe o bom neurótico que, devido a sua ambivalência típica, dirige sentimentos afetuosos positivos e negativos a uma figura que assume um lugar em seu desejo. Além de Freud, é interessante lembrar também de Racker , que vem nos ensinar que a transferência não se justifica pela pessoa do médico, nem por sua conduta. Ou seja, mais uma vez, simplificando: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O lugar da transferência é um lugar de suplência: o sujeito alvo de transferência , seja ele médico, analista, psicólogo, professor e até amigo, nunca é ele mesmo quando revestido pelo belo véu da transferência aos olhos do outro, que fantasia, que o pinta com as cores mais bonitas, que tece o véu com as rendas mais esmeradas. O grande problema é que o véu é - e deve ser - rasgado, para que o sujeito volte a ser ele mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Existe a ambivalência típica do neurótico embasando e dando forma ao véu da transferência, véu este do qual o sujeito nada sabe, posto que se situa por trás desta fina camada revestida de fantasias, tecida pela via do imaginário do Outro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Assim, entramos, não mais na discussão teórica acerca do conceito "Transferência", mas começamos a abordar os efeitos desta, efeitos do olhar do Outro, que me torna um Outro para ele também. Assim, somos alçados a um lugar de suplência, um lugar que o o Outro nos dá. Aos olhos do Outro não somos nós, somos Outro: mais belos, mais fortes, mais seguros e, também, menos belos, menos fortes, menos seguros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Da tranferência, desta que acontece em todas as situações em que existam mais de um sujeito, só se sabe seus reflexos. Ninguém supõe o que representa para um Outro, mesmo que esse Outro nos coloque naquele lugar privilegiado para, depois , nos retirar a fantasia, nos desvelar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Pelo que se nota, ocupar esse lugar requer sensibilidade e, diria eu, até humildade - claro que não estou falando aqui de um lugar teórico - estou falando, em geral, da humildade que se deve ter em se saber que se é tudo diante do Outro, menos si mesmo. Ao passo que um sujeito pode ser alçado às alturas por alguém, pode ser também destituído deste lugar, posto no lugar de dejeto ( não resisti e me remeti à Lacan) . &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O dejeto, este sim é um lugar que não desejamos ocupar. Mas ocupamos. Na situação clínica, já nos ensina Lacan, que este lugar é previsível, deve acontecer. Mas , e o narcisismo? Como fica diante de tudo isto, desta queda súbida das nuvens rumo ao chão? Resposta: Analise-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Estou aqui pensando em transferência e escrevendo intento elaborar esse lugar de dejeto, coisa pouco confortável com a qual teremos que lidar. Professor, por natureza, é um sujeito que se coloca - e é colocado - em lugar de transferência. Não se pode saber o que um aluno pensa do professor, por sua didática, por sua técnica e por seu conhecimento, você poderá ser reconhecido, mas, repito o que já disse noutro momento, nem tudo é cognição neste mundo de meu Deus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A palavra aluno tem uma significação tão pejorativa mas deve ser trazido aqui à guisa de justificativa da temática escolhida. Aluno - A-luno, aquele que é desprovido de luz. Não concordo, mas , vejamos. Se é desprovido de luz, consegue, misteriosamente iluminar, por seus olhos, os olhos do Outro, este Outro que vem em suplência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Aluno não é sem luz, mas , talvez pelo fato da transferência estar relacionada à saber - e este saber não quer dizer um saber intelectual, apenas - é importante que veja a luz no Outro, o professor. É aí que reside a luz do aluno: quando ele é capaz de dirigi-la ao professor, que, coitado dele, nada ou pouco sabe diante do desejo do outro, tal como o analista. Assim chegamos aos céus. Mas o tombo, o tombo é feio e previsível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O tombo vem no momento em que o sujeito assume suas cores reais, ele é aquilo e não mais é recoberto pelo véu imaginário repleto das rendas mais belas e feito no tecido mais delicado. Somos xingados, expurgados, criticados, imitados ( e se algum professor acha que nunca foi imitado, sinto dizer, não existe professor que não tenha sido, uma vez na vida, imitado por seus alunos, seus trejeitos são meticulosamente estudados, talvez mais até do que a teoria que você tente trabalhar) ejetados da cadeira do suposto saber. Eis o tombo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Alguém poderia perguntar se é possível escapar desse lugar tão instável, escapar desse movimento que, ora lhe condecora, ora lhe condena. Não. A resposta é não. Porque um sujeito será um Outro para outro sujeito ( mesmo que eu tente, é difícil deixar Lacan) e este Outro é repleto de todos os materiais possiveis à sua construção, menos os reais). Não se escapa à transferência, e a ela se deve, no mínimo, a aprendizagem da humildade, na aceitação da função-dejeto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Nesse momento, lembro de Machado de Assis, que, se não nega a inevitabilidade do tombo, o minimiza em seu célebre aforismo: "Antes cair das nuvens, do que de um terceiro andar". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-2193482188868603939?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/2193482188868603939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=2193482188868603939' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/2193482188868603939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/2193482188868603939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/05/transferencia-o-dificil-lugar-por-tras.html' title='Transferência: O difícil lugar por trás do véu rendado'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Ifhhm4nLZNo/TcIjLt01MSI/AAAAAAAAAnQ/FIvY82rdj1c/s72-c/veu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-8538385917611316279</id><published>2011-04-05T23:27:00.004-03:00</published><updated>2011-04-06T01:17:18.387-03:00</updated><title type='text'>Movendo-se com Marc Augé</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-hZYHRG_o0Qg/TZvlTpxkjwI/AAAAAAAAAnI/ueF3rUTec2c/s1600/aa.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 123px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592315488104648450" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-hZYHRG_o0Qg/TZvlTpxkjwI/AAAAAAAAAnI/ueF3rUTec2c/s200/aa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Pensar a mobilidade. É este o convite que Marc Augé faz ao leitor. O antropólogo francês que andou transitando - quem diria - pelo campus da Ufal Maceió no ano passado, traz o essencial de seu pensamento acerca da mobilidade e do que chama de tempos sobremodernos em seu &lt;em&gt;Por uma antropologia da mobilidade &lt;/em&gt;(Unesp/Edufal, 2010). O livro é um reflexo do que Augé pensa sobre esse ir e vir que caracteriza a contemporaneidade, mas vai além disto: articula as noções de cidades mundo e mundo cidades com a perenidade do presente, passando, sem sombra de dúvidas, por temas já trabalhados por outros teóricos como Gilles Lipovesky, Zygmunt Bauman, Sebastien Charles e claro, Guy Debord, sobre a consumação do tempo e a sociedade de consumo calcada em imagens e mensagens.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;Por uma antropologia da mobilidade&lt;/em&gt; é um livro de leitura agradável, dividido em seis capítulos nos quais o autor nos apresenta a sua visão sobre as perspectivas futuras da humanidade, para tanto, resolve analisar os percalços presentes na subjetivação sobremoderna que nos caracteriza: somos sujeitos do presente, um presente que passa rápido mas que nem todos entendem seu movimento.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Augé também adverte o leitor desavisado sobre o uso de certas palavras que ocasionam, na verdade, o engessamento de determinadas noções pensadas justamente para serem engessadas. É o caso das expressões "marginalidade", "clandestino", "exclusão", que, se não colaboram para o pensar acerca do que visam significar, contribuem para a naturalização de algo nítido: a fronteira. O autor inclusive alerta para o fato de que caracterizar alguém como "clandestino"não quer dizer que uma cultura não o reconhece, ao contrário, o conhece, só não faz sentido incluí-lo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Para pensar a mobilidade é interessante pensar no que a obstaculiza: a fronteira. Fronteira seria o que tradicionalmente demarca o dentro e o fora, o interior e o exterior. Para o autor, essas fronteiras são de variadas espécies: há fronteiras culturais, fronteiras de linguagem, fronteiras geográficas, mas, seja qual for a fronteira, esta serve para delimitar ao marcar o que está dentro e , consequentemente deixar o espaço da exclusão para o externo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;De acordo com o autor de &lt;em&gt;Por uma antropologia da mobilidade&lt;/em&gt;, o problema das fronteiras está justamente no fato de que elas não se desfazem jamais, mesmo em eras de globalização e de superconexões entre cidades, as fronteiras jamais deixam de existir, apenas adquirem novos contornos, um novo desenho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Ora, podemos pensar, se a fronteira é o invariável, ela continua, mesmo em tempos sobremodernos a delimitar o que é o exterior e o que é o interior. Acabei de lembrar , inclusive da mensagem publicitária que anuncia um produto sem fronteiras; o mundo move-se e você é convidado pela publicidade a mover-se com ele, caso contrário você estará fora. Quando mantemos isto em mente, chegamos a outro conceito explorado por Augé: o conceito de periferia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Periferia, como o bom e sábio senso comum já instituiu, significa todo aquele "outro lado" da cidade que se agrupa e se integra num determinado espaço que não o centro: espaço de exclusão, uma vez que essa exclusão e essa periferia só podem ser pensados se imaginamos seu contraponto: o centro. Desse modo, tudo que se localiza na periferia encontra-se ex-cêntrico. Semelhante pensamento pode ser associado ao termo "marginalidade" que serve para caracterizar o indivíduo que se encontra à margem da sociedade, sem contudo, esqueçamos que este existe, ele existe em sua invisibilidade. Não é de se espantar que esses sujeitos, em determinadas circunstâncias apelem para a violência para serem enxergados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Toda essa discussão acerca de termos que passamos a utilizar como que mecanicamente faz saltar aos nossos olhos os paradoxos nos quais nossa sociedade midiática se sustenta: É preciso viver o hoje como se não houvesse amanhã; mas é necessário entender a história, entender a humanidade que nos antecedeu, não através de um processo interno, mas sim, através do consumo do passado, consumo de história, o qual, por sua, vez , se baseia num consumo de mensagens e imagens que fazem alusão a um passado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Neste ponto chegamos a uma das mais interessantes discussões do livro em questão, refiro-me em especial ao capítulo intitulado "O escândalo do turismo". Antes de tudo creio que o que, de saída se impõe é na verdade o impacto causado pelo título da seção: o escândalo, a meu ver, lembra a noção de espetáculo que nos foi apresentada por Debord. Mas em quê consiste esse escândalo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O escândalo do turismo relaciona-se, para Augé, com a atividade do turista-consumidor que, diante de paisagens que lhe são virtualmente apresentadas por agências de turismo, pode mover-se espacialmente, buscando consumir a cultura de um determinado local tal como consumiria uma coca-cola no deserto do Saara.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Assim opera o escândalo: a partir da lógica de que o turista contemporâneo é aquele que , em férias, decide adquirir um pouco de cultura, visitando as ruínas que testemunharam a queda de nossos ascendentes, e mais, que testemunharam a queda do modelo de História do qual temos notícia. Para Augé, e seu ponto de vista não pode ser confundido com uma percepção apocaliptica da contemporaneidade, nosso tempo atual não nos deixará ruínas; não há espaço para elas, há, de fato , registros, imagens, fotografias, tudo que nos mostrará o passado como imitação , tal como um álbum de fotografias , mas não nos deixa evocar um tempo qualquer, "puro", como sustenta ao autor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Ao defender essas concepções acerca da figura do turista sedento por conhecimento, consumidor de cultura, Augé o contrapõe a outra figura, diferente do turista em muitos aspectos mas que se aparenta com este em um determinado ponto: estamos falando da figura do etnólogo, do estudioso que se imbui de um objetivo e destina-se a vivenciar a realidade de uma outra cultura, ao colocar-se em campo e em suspenso diante de uma experiência que, inevitavelmente, o modificará, além de modificar o campo em questão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Etnólogos não são turistas, mas há turistas que desejam aprender, estudar, conhecer como se etnólogos fossem. Etnólogos vão ao campo e diferenciam-se do turista pelo simples fato de utilizarem um método. A semelhança entre ambos talvez estivesse no fato - e isto Augé sustenta - de ambos apresentarem o mesmo fascínio pelo que veio a chamar de charme de encontrar indivíduos e paisagens.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Certamente não há espaço para buscarmos clarificar todos os importantes conceitos que nos são apresentados por Augé, mas resta algo da leitura de sua &lt;em&gt;Antropologia:&lt;/em&gt; o fato de que, por mais que nos aproximemos do tal fenômeno, jamais chegamos a conhecê-lo profundamente, totalmente. É nesse momento que o autor nos interroga: É possível nos conhecermos? É possível conhecer esse outro que se impõe como diferente de mim?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Em outras palavras, vamos a campo, viramos antropólogos, etnólogos - e por que não, psicólogos sociais, não com a pretensão de dominar o objeto de nosso estudo, mas, sobretudo, com a intenção de nos desenraizarmos de nós mesmos, de sairmos do posicionamento concêntrico, e assumirmos o difícil lugar do estrangeiro, lugar de falta, por excelência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Ampliando esta questão para termos gerais, encontramo-nos, todos, em uma sociedade que, apesar de nós - tal como enfatiza Augé- caminha, segue um rumo que nós, inevitavelmente, seguimos. A última lição que o autor nos oferece é a de que necessitamos da mobilidade para fazermos o penoso exercício de nos afastarmos de nós mesmos e sairmos de nossos contornos. Precisamos repensar a mobilidade para podermos pensar em novos modelos de nos relacionarmos uns com os outros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Assim, em sua antropologia Augé nos mostra de uma forma honesta o que significar mover-se atualmente, levando-se em consideração a necessidade urgente de descentrar-se no mundo, nas cidades, nas moradas, descentrar-se na História, e, por que não, descentrar-se de si mesmo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-8538385917611316279?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/8538385917611316279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=8538385917611316279' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/8538385917611316279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/8538385917611316279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/04/movendo-se-com-marc-auge.html' title='Movendo-se com Marc Augé'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-hZYHRG_o0Qg/TZvlTpxkjwI/AAAAAAAAAnI/ueF3rUTec2c/s72-c/aa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-7139828591807328058</id><published>2011-03-30T23:55:00.006-03:00</published><updated>2011-03-31T01:06:23.000-03:00</updated><title type='text'>Reflexões para docentes, discentes e para os que duvidam</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4gch-_FLSgo/TZP32jxX5AI/AAAAAAAAAnA/W6AZr-vuJR8/s1600/trabalho_docente.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 134px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5590084079184241666" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-4gch-_FLSgo/TZP32jxX5AI/AAAAAAAAAnA/W6AZr-vuJR8/s200/trabalho_docente.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Docente: Palavra de origem latina que significa "aquele que ensina". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Docente é um substantivo adjetivado que vem sendo empregado a torto e a direito, de frente e pelo avesso por aí. Eis que surge algo fruto da minha reflexão sobre a própria profissão. Aqui vão as minhas reflexões, inquietações, desabafos e a minha definição de docência a qual, sem dúvida, sinto-me capaz de explicar, de ensinar, pois sou aquela que ensina e nada mais natural do que isso para mim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Aquele que ensina recebe o título de docente. Quanto mais o docente estuda, mais o seu substantivo ganha companhias: é mestre, é doutor, é pós-doutor, mas nunca deixa de ser docente, caso ainda insista na difícil arte de ensinar. Arte sim, porque nem tudo é cognição nesta vida de meu Deus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Segundo nos ensina Freud, existem três profissões impossíveis: governar, psicanalisar e ensinar. Eu, por ora, fico no ensinar. Talvez eu venha, em outro momento, a falar das outras duas, mas, agora falo do ensinar. Não foi à toa que Freud começou a nos advertir sobre a impossibilidade da docência. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Endosso a opinião do pai da psicanálise porque , como não sou nem governante nem psicanalista, cabe-me apenas a terceira, fico então na minha seara, buscando meios de falar do impossível. Vejamos os argumentos para enfatizar tamanha impossibilidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;1. Acredito que a impossibilidade reside num simples fato: Analogamente àquele que casa, o docente quer casa, e, não se engane ingênuo leitor, (voltei ao meu lado machadiano mais oculto, agora fui descarada) a casa do docente é a Academia. É lá que investe todos os recursos os quais amealhou durante a vida, esse duro processo do amadurecimento, e de lá pretende nunca sair. O docente sabe-se docente desde o primeiro dia em que pisa na Academia; fascina-se pelas aulas, pelo quadro negro, pela eloquência ou pela falta dela nos professores, os primeiros agentes do fascínio, modelos para aquele que , mesmo verde, sabe: Serei docente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;De lá para cá o que se vê é um sujeito que entende que a biblioteca é uma ilha - e disso ele sabe porque já deve ter lido Saramago , um acervo sem fim (mesmo aquelas mais limitadas) de conhecimento e cultura. O docente ainda engatinha com a docência latente em seu espírito. Gosta de ler, passa horas na companhia dos livros e muitas vezes recorre a eles por gosto e não obrigação. De poucas coisas tem certeza, costuma duvidar das falas dos professores, duvida de Foucault, de Freud, de Piaget, duvida de Hegel, duvida de Sócrates e - valha-me Deus - duvida até de Descartes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;O pequenino docente não duvida de apenas uma coisa: ele não duvida da gestação lenta daquele embriãozinho da docência. Quer ensinar, quer saber, saber muito, saber além e depois disso tudo, entender que o que vale mesmo é o que não se sabe. Ele sabe que quer ser docente, quer ser é professor, apesar de todos os comentários que invariavelmente neste processo de gestação irá ouvir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;O docente sai da Academia para nunca sair dela, pois um lugar aspira em meio a tanto conhecimento. Busca incessantemente tudo saber: especializa-se, torna-se mestre, termina um doutorado tudo para nunca deixar a Academia e poder, um dia, ser um daqueles que fizeram tudo isso acontecer. Quer ser professor, e , além do simples querer, desejou e fez por onde: Habilita-se para tal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;O problema está prestes a aparecer no horizonte daquele esperançoso docente. Aquele recém chegado à Academia da qual nunca saiu e que deve ocupar , agora, uma outra posição: É professor. Fato. Tudo poderia ser explicado assim , porém, sabe-se que nem sempre os dias que seguem uns aos outros costumam se imitar; são sempre diferentes, uns mais coloridos, outros nevoentos, uns quentes, outros gélidos. Não se espante se aquilo que pareceu um céu de brigadeiro tornar-se, em seguida, uma noite escura, refletida num céu de mistérios sem nenhuma estrelinha para animá-lo. Surge a maturidade no ingênuo docente, e com ela os problemas da casa. Ou foram os problemas da casa que trouxeram a maturidade de presente para o docente?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;É que docente que é docente ama a Academia e, para a infelicidade de muitos, esta Academia da qual falamos facilmente é confundida com outra academia, aquele lugar de exercitar os músculos, músculos que talvez nem soubéssemos que possuíamos, devido ao total desuso destes. Academia vira assim a outra academia e os docentes passam a se portar como se narcisistas fossem, uns ostentando mais do que outros os músculos torneados, a beleza dos cérebros e egos inflados. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Nessa confusão entre academia e Academia, entre músculos e cérebro, entre exibir-se e ensinar perde-se o objetivo da docência em si. Perde-se o porquê, perde-se a razão de ter buscado com afinco usar o tal substantivo adjetivado. É que tem docente que se acostuma tanto em adjetivar-se que esquece do essencial, esquece o substantivo ali, largado na esquina, pedindo um trocado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Perde-se tempo e inocência com egos e cérebros inflados. Perde-se o sentido da docência, perde-se a decência da docência que deveria ser o norte da profissão. Eis que surgem os docentes indecentes, os que, nesta academia são os mais fortes, os mais esbeltos e torneados. O objetivo do "ser aquele que ensina" se perde em discussões teóricas que têm a profundidade de uma colher de chá, em alusões desrespeitosas ao trabalho do outro, perde-se, enfim, na luta de egos bombados o desejo mobilizador de tudo isso, a alegria de descobrir algo e de continuar s espantando com isto, perde-se o desejo de aprender e ao mesmo tempo ensinar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Apesar de tanto ter falado do problema em questão, não mencionei o maior deles: Toda essa confusão entre livros e halteres entre egos e sabedoria deixa rastros, e quem perde é o lado mais fraco de tudo isso: os discentes, aqueles outros que personificam esse outro substantivo adjetivado que deveria ser o objetivo daquele que ensina. Na luta de egos e halteres o mais ferido é o discente, aquele que guarda consigo o maior dos tesouros: o desejo de aprender.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Não sei aonde poderíamos chegar falando das feridas que respingam dessa luta de egos , mas sei o que cada um deveria fazer. Ao docente, lutar, sempre, mesmo que pareça clichê, lutar pela disciplina, pela ordem, por todas essas coisas chatas que hoje em dia muita gente despreza.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Lutar pelos alunos, lutar pela função crítica, lutar contra a preguiça e não se preocupe em saber responder todas as perguntas porque você jamais terá todas as respostas. Lutar para ficar na memória daqueles que um dia lembrarão do que aprenderam e certamente não estou falando apenas de teorias e métodos. Lutar todos os dias para se empolgar e se deixar fascinar todos os dias, todas as vezes em que você começar uma aula, porque naquilo você acredita.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Duvide dos livros e deles faça nascer a sua crítica, a sua interpretação. Brigue com os livros, mas saiba também afagá-los porque você os tirou daquela mesma ilha perdida e maravilhosa e ele lhe deu tesouros os quais você jamais esperava encontrar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Lute pelo ensino, pelos livros, pelas boas salas de aula, pelo quadro branco, por melhores salários, por respeito, por Freud, por Skinner, por Marx, por Hegel, por qualquer um em que acredite, mas essa luta só deve ser travada se o docente de fato acreditar em algo. Se a resposta for positiva, que vista a melhor indumentária e faça uso dos melhores escudos, pois há que se preparar para a batalha de egos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Se a resposta depois disso tudo for negativa, desista, desista da disciplina da ordem, da lista de frequencia, desista do quadro branco porque , uma vez desistindo de tudo isso o docente desiludido estará provando para si mesmo que não acredita nem em Freud, nem em Skinner, nem em Marx, nem em Hegel e com isso, prova-se o pior: não acredita nem em si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Ao discente cabe uma tarefa talvez mais fácil: duvide sempre. Da teoria, da prática, da técnica, dos egos. Duvide.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Quanto a mim? A resposta que eu dei a mim mesma foi positiva. Vou continuar lutando, defendendo tudo aquilo em que acredito, e isso provavelmente vai manter acesa uma pequenina chama de ingenuidade que fará de mim sempre, a esperançosa docente.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-7139828591807328058?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/7139828591807328058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=7139828591807328058' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/7139828591807328058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/7139828591807328058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/03/reflexoes-para-docentes-discentes-e.html' title='Reflexões para docentes, discentes e para os que duvidam'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-4gch-_FLSgo/TZP32jxX5AI/AAAAAAAAAnA/W6AZr-vuJR8/s72-c/trabalho_docente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-6636460441638388671</id><published>2011-03-19T16:27:00.004-03:00</published><updated>2011-03-20T12:15:44.066-03:00</updated><title type='text'>Sob a nuvem da fumaça com Clarices Lispector</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JQm5_slN9R0/TYUL5HXzoyI/AAAAAAAAAm4/VOL_5tF9uAs/s1600/img.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585883988682318626" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-JQm5_slN9R0/TYUL5HXzoyI/AAAAAAAAAm4/VOL_5tF9uAs/s200/img.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A princípio achei que o documentário &lt;em&gt;De corpo inteiro &lt;/em&gt;(2009, direção de Nicole Algranti) seria apenas uma tentativa de fazer a ficção tomar conta da realidade ao adentrar no universo íntimo de uma das mulheres mais representativas do nosso país. Ledo engano: enganei-me redondamente com &lt;em&gt;De corpo inteiro&lt;/em&gt;, pois achei que o que se seguiria era a interpretação de atrizes que, por sua semelhança física e por seu talento artístico, emprestariam à personagem célebre o mistério de Clarice, envolta sempre, nas nuvens de fumaça e - penso eu - de elocubrações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Em vez disto, deparei-me com o que a própria Clarice entendia por ela mesma: em seu universo não habitava apenas uma, mulher, do mundo e de todos, com seu sotaque único constituído tal e qual uma colcha de retalhos, mezzo ucraniano, mezzo recifense. Clarices me foram apresentadas nas figuras de Louise Cardoso, Letícia Spiller, Aracy Balabanian ( a Clarice que estrela o documentário-ficção e chama atenção pela impressionante semelhança física com a escritora), Beth Goulart, entre outras que interpretaram a escritora em diversas fases da sua vida, mas sempre, no difícil papel de entrevistar e de se colocar tão verdadeiramente em cada pergunta que dirigia a seus interlocutores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Vimos passear diante de nossos olhos uma Clarice voluptuosa tal como a interpretada por Letícia Spiller, em cenário baiano que, de saída, já convida a qualquer coisa de sensualidade, ao entrevistar Carybé. Antes, porém, conhecemos uma Clarice quase brejeira, fanfarrona pela interpretação de Louise Cardoso, que, se não reproduzia Clarice guiada pela imitação dos gestos e expressão, emprestava-lhe outra faceta, alegre em demasia, quase afetada, a faceta quase caipira , na tentativa de fazer-lhe um sotaque que a evocasse. Assim, conhecemos Clarices tantas, Clarices-homem, Clarice em todas e em todos aqueles que bem poderiam ser homens também. Arnaldo Block, ao entrevistar Ferreira Goulart, por exemplo, dá-nos uma amostra do que é Clarice e sua postura diante do entrevistado, uma postura que se esconde na aparente calmaria, quando, na verdade, tudo que arde dentro é revolução. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O documentário realizado por Nicole, que era sobrinha-neta de Clarice, nos oferece a oportunidade de entender o que Clarice pensava, sobretudo, do ato de entrevistar. Não era fácil, já destacamos - vide, e , para quem não viu ainda, a entrevista feita por Clarice com Carlinhos Oliveira, ela, gripada, ele, contestando tudo ou quase tudo: o mundo, a vida e a Academia Brasileira de Letras. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;De corpo inteiro&lt;/em&gt; foi baseado no livro homônimo da escritora ucraniana e agora virou filme nos dando a chance de conhecer para além da Clarice que escreve, mas a Clarice que entrevista, que respeita a diferença de opinião (tal como nos faz lembrar a entrevista de Carlinhos Oliveira), que reverencia a quem admira ( trecho em que Letícia Spiller, vivendo a escritora, entrevista Jorge Amado), que enche suas perguntas das suas próprias inquietações ( vide o trecho em que é entrevistada a artista Djanira).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Clarice é dúvida. Nada mais natural, quase automático, para aquele que é feito de dúvida do que questionar, questionar sobre os mistérios da vida, sobre os mistérios da morte, sobre o que é, enfim, o amor. Sobre o amor, a escritora em todas as suas mais variadas faces, sempre o lembra, sempre o interroga, e, uma vez não chegando a conclusão alguma, pergunta, em quase todas as suas entrevistas as quais foram documentadas no filme, ao modo de uma criança curiosa: O que é o amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Quanto mais se perguntava , mais ainda indagaria, mais ainda questionaria a quem se deixou entrevistar: Na entrevista com Clarice, Nelson Rodrigues dá sua opinião: Amor é eterno, senão é eterno , é porque não era amor. Já Hélio Pelegrini, psicanalista e amigo do controvertido autor pernambucano, diz que o amor é o afeto pura e simplesmente. Djanira, a artista que alça o trabalho acima de qualquer outra atividade humana, confessa a Clarice que, sim, amor é tudo aquilo que se pode dar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;As Clarices mudavam, rostos se alteravam, vozes, umas com sotaque, outras sem, umas semelhantes outras distoantes , Clarice continuava a mesma. Ao passo que o documentário vai gastando seus 66 minutos de duração, não percebemos outra atmosfera que não a de Clarice, esta sempre a mesma, inalterada , mesmo que colorida por outros olhos nem sempre esverdeados, por outras bocas. O cigarro indefectível , a aura de mistério e esse não sei o quê de angústia prevalece em quase todas as Clarices do filme, seja ela brejeira, voluptuosa, gripada, quase irritada...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;As Clarices eram únicas e várias e isto era a opinião da própria sobre si mesmo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Entendido isto, pude me desapegar da minha necessidade quase metodológica-científica de verossimilhança e de fidedignidade e me acostumar à idéia que a intenção da diretora fugia ao que eu entendi primeiramente: a intenção era mostrar nas várias a única.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Além disto, cabe ressaltar as entrevistas com outras personalidades das mais variadas áreas: Vimos de Ferreira Gullar à Elke Maravilha, passando pela escritora Nélida Piñon, pelo arquiteto Oscar Niemayer uma maneira de deixar mais uma vez uma porta aberta para se conhecer Clarice, agora na voz e no corpo de jornalistas. As perguntas, muitas vezes, pareciam sair da boca de Clarice : O que é o amor, Por que você escreve? Por que você pinta?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Os grandes mistérios da vida e da escritora mais uma vez transformados em enigmas e oferecidos a figuras como as citadas. Chamo atenção para a entrevista com Elke Maravilha que, citando de Sófocles a Nietzsche, nos faz lembrar o que é a vida, o que é o ser humano e até nos faz lembrar Brigitte Bardot em sua defesa dos animais.&lt;/span&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;De corpo inteiro&lt;/em&gt; ensina. Mostra-nos o que é a vida, o que é a morte, a poesia, a escrita e a arte, ao menos na visão dos que estavam presentes nos momentos em que se podia refletir sobre todas essas coisas, momentos estes sempre envoltos pelo cigarro e pelo mistério de Clarice e das Clarices.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-6636460441638388671?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/6636460441638388671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=6636460441638388671' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/6636460441638388671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/6636460441638388671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/03/sob-nuvem-da-fumaca-com-clarices.html' title='Sob a nuvem da fumaça com Clarices Lispector'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-JQm5_slN9R0/TYUL5HXzoyI/AAAAAAAAAm4/VOL_5tF9uAs/s72-c/img.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-8570915728125863123</id><published>2011-02-24T20:43:00.004-03:00</published><updated>2011-02-24T21:16:33.787-03:00</updated><title type='text'>A melancolia, o tempo e o cão</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-i9y3nZ1tYNQ/TWbz1eBcU5I/AAAAAAAAAmo/N_F4SCg_acM/s1600/Melancolia_de_Durer.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 155px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5577413288462668690" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-i9y3nZ1tYNQ/TWbz1eBcU5I/AAAAAAAAAmo/N_F4SCg_acM/s200/Melancolia_de_Durer.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;(...) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Eu sou feito de estrelas derretidas,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;e sangue do infinito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Com meu toque descubro as várias cores&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;dos âmagos dormidos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Vou ferido de místicas miradas,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;e carrego os suspiros&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;efervescendo em sangues invisíveis&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;até o sereno triunfo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;do imorredouro amor pleno de Noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Conhecem-me as crianças.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;e me coalho em tristezas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Em contos de castelos e rainhas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;sou corola de luz. Sou incensário &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;de cantos desprendidos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;que caíram envoltos em azuis&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;transparências de ritmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Em minh'alma perderam-se solenes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;carne a alma de Cristo,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;e finjo entardeceres de tristeza,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;melancólico e frio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;O bosque inumerável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;em&gt;Ritmo de Outono - Federico García Lorca&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Melancolia. Algo que muitos confundem com os contemporâneos estados depressivos. Pela pena do poeta fica mais fácil entendermos esse estado diverso da depressão que nos põe diante da angústia ante o objeto que já se perdeu. Perdeu-se e cabe a nós, tal como ao poeta, evocá-lo. Conhecendo o ótimo "O tempo e o cão" (Boitempo, 2009), dei-me conta de que o poeta muito tem a ensinar a respeito desse estado tão interessante que se encontra a meio caminho da solidão. A melancolia, sustenta Maria Rita Kehl, é pensada de maneiras distintas  ao longo dos tempos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Aos estudiosos da escolástica o estado melancólico advinha do fato de que era necessário ceder às pulsões da carne para que o acesso ao gozo do Outro nos fosse permitido, sendo este Outro, Deus. É pois, dessa forma, entre a exigência da disciplina perante o ser supremo e a fuga das tentações demoníacas que se estabelece a melancolia na tradição cristã. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Do melancólico disciplinado passamos a investigar o melancólico romântico, ilustrado pela figura de Baudelaire: o estado melancólico se estabelece como o estado &lt;em&gt;flaneur&lt;/em&gt; do sujeito que nada encontra senão ilusões nas supostas benesses que deveriam vir de carona com as outras promessas feitas por um capitalismo que se insinua através das primeiras cartadas da sociedade industrial. Baudelaire voava com suas asas melancólicas acima da cidade industrial que tanto lhe prometera; voava sobre as revoluções que nenhuma certeza lhe deu que não a incerteza e o preço a pagar por toda a autonomia do sujeito, um preço diante da certeza do não-saber, de nunca ter de volta o objeto para sempre perdido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;O melancólico freudiano, fruto da sociedade a qual se insinuava aos olhos de Baudelaire continua sendo aquele ameaçado por tantas possibilidades de escolha e por, ao mesmo tempo, nenhuma possibilidade de escolha. A melancolia, assim, para Freud, torna-se a testemunha de que algo na sociedade moderna vitoriana não estava dando certo; o sofrimento e o desejo de partilhar de um tempo em que ja não há certeza acerca do quem é o Outro se faz presente e nos faz, ainda, poetas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;É por esse motivo que trago Garcia Lorca no início deste &lt;em&gt;post.&lt;/em&gt; Poderia ser Rilke, o poeta que se entristecia por perceber a transitoriedade das coisas da natureza ( de acordo com o texto Sobre a Transitoriedade, de Freud) e o qual nos advertia sobre a utilidade da solidão para a criação e compreensão do mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Poderia ser Fernando Pessoa, poderia ser Byron, Álvares de Azevedo, nosso representante mal-du-siècle. Todos , em algum ponto de sua obra, nos revelaram a angústia de estarmos perdidos e separados desse Outro de quem tanto demandamos um olhar. Poderia ser Byron, poderia ser eu ou você.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Todos nós somos pequenos seres desamparados à espera de algo que se perdeu, fosse Deus ou outro Outro, algo de nós se desprendeu e aqui estamos, sempre a vagar, tal como o flaneur, à espera do suave retorno daquele que um dia nos constituiu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Estaremos sempre à espera da certeza, à espera do Outro, à espera de Deus. Mesmo que não saibamos rimar. A melancolia é democrática.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Enquanto isso, ficamos a vagar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-8570915728125863123?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/8570915728125863123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=8570915728125863123' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/8570915728125863123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/8570915728125863123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/02/melancolia-o-tempo-e-o-cao.html' title='A melancolia, o tempo e o cão'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-i9y3nZ1tYNQ/TWbz1eBcU5I/AAAAAAAAAmo/N_F4SCg_acM/s72-c/Melancolia_de_Durer.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-3049172827209206862</id><published>2011-02-09T23:25:00.003-02:00</published><updated>2011-02-10T00:09:38.265-02:00</updated><title type='text'>Rilke, o aprendiz de poeta e a solidão</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-QGlDRudN7wg/TVNI2bKMyoI/AAAAAAAAAmY/34fliQiNcpM/s1600/50699325_1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 144px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571877263828109954" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-QGlDRudN7wg/TVNI2bKMyoI/AAAAAAAAAmY/34fliQiNcpM/s200/50699325_1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-55-fLLVEV5k/TVNHLdS6obI/AAAAAAAAAmQ/pR13qKxy4wI/s1600/images.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;" O que é necessário é apenas o seguinte: solidão, uma grande solidão interior. Entrar em si mesmo e não encontrar ninguém durante horas, é preciso conseguir isso. Ser solitário como se era quando criança" &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Rainer Maria Rilke&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;As palavras do poeta mais atual e permanente do nosso tempo, de acordo com Otto Maria Carpeaux permanecem vivas dentro daquele que não tem medo de se aventurar nas cirandas do mundo que insiste em sem mover. Isso é uma das lições que podemos aprender em &lt;em&gt;Cartas a um jovem poeta&lt;/em&gt; ( L &amp;amp; PM, 2009). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Trata-se da publicação das cartas trocadas entre Rilke, já bastante aclamado e reconhecido, e um aprendiz de poeta, Franz Kappus, jovem, impaciente e sedente de conhecimento entre os anos de 1903 e 1908. Não foi à toa que a correspondência entre essas duas almas durou cerca de cinco anos, entre idas e vindas, viagens e imprevistos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Tantos são os conselhos que Rilke dá ao imaturo Kappus que deles podemos extrair as maiores lições que alguém pode levar por toda a vida. Muitos são os assuntos que, apesar de girarem em torno da atividade artística, acabam enfim, por revelar a magnanimidade da alma do velho poeta : nobre, humilde e, sobretudo, simples, belo por sua simplicidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Ensina-nos o velho poeta a nos sentirmos em paz, tranquilos, mesmo em períodos em que as adversidades imperam: é preciso viver e saber que a vida, esta está sempre girando, cirandando, tornando-nos outros, transformados que somos pela tristeza, que, se tem algum mérito, este seria dar-nos outra vida, outra essência. Aprende-se na tristeza , e especialmente, aprende-se mais na tristeza solitária.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Não há conselho que Rilke tenha dado nestas &lt;em&gt;Cartas a um jovem poeta&lt;/em&gt; que não esbarre na necessidade do ser humano de extrair de dentro de si a pura essência que o faz inevitavelmente humano. Para que isto se dê é mais que recomendado, é mesmo necessário que se seja só, e porque só, podemos viver intensamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Mergulhar dentro de si mesmo, experimentar a dádiva que é ver a vida girar, experimentar o gosto amargo da tristeza que não pode ser compartilhada (porque invariavelmente exclusiva) acaba sendo, para Rilke, a fonte de todo amadurecimento diante da vida, da existência, um campo seguro para que se semeie o verdadeiro amor, coisa difícil, demandante ao extremo e que somente por ser difícil já merece ser vivenciada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Diante das tristezas, um só remédio: Paciência. Diante do amor: disponibilidade para compartilhar. Diante dos pais, tolerância, diante da vida, insistência. Rilke aconselha que sejamos pacientes e tolerantes com nossa tristeza e saibamos viver a solidão como quem espera o nascer do sol dia após dia. Viver só é preciso, e não há coisa mais solitária que uma obra de arte, que nasce não sei da onde e invade isto que chamamos de vida, tal como se fosse um sonho que insiste em nos tomar , mesmo quando já estamos de olhos abertos, e nada, nada poderia ser capaz de explicar uma obra de arte, essa obra da tristeza, filha da solidão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Por isso criamos, porque dispomos da medida certa de solidão que é requerida pela obra que pede, exige, clama para sair de dentro de nós. Rilke fala também sobre a vida, a morte, mulher, homem e sexo, porém, é sobre a poesia que o experiente poeta parece não saber o que dizer ao nosso Kappus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Ora, o poeta apenas é; Não se aprende a fazer poesia, nasce-se poeta por possuir o livre acesso à reserva de criatividade, a esse não-sei-onde, esse compartimento secreto que tanto nos assombra e que faz parte da nossa alma. Sobre a poesia, Rilke nada aconselha a não ser que entremos em nós mesmos, e , nesse mergulho profundo recuperemos os tesouros da infância perdida, de uma vida esquecida, que, surpreendentemente descobrimos ainda fazer parte de nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Será mesmo necessário voltar à superfície? Certo estava Kappus que, ao introduzir estas Cartas, acerta em cheio ao dizer que quando fala alguém grandioso e único, os pequenos têm de se calar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Calo-me.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-3049172827209206862?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/3049172827209206862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=3049172827209206862' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/3049172827209206862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/3049172827209206862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/02/rilke-o-aprendiz-de-poeta-e-solidao.html' title='Rilke, o aprendiz de poeta e a solidão'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-QGlDRudN7wg/TVNI2bKMyoI/AAAAAAAAAmY/34fliQiNcpM/s72-c/50699325_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-831362666653021360</id><published>2011-02-07T21:36:00.003-02:00</published><updated>2011-02-07T21:52:51.091-02:00</updated><title type='text'>A dor é minha só (?)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TVCFx3bS6PI/AAAAAAAAAmI/Tn04NimhdbY/s1600/imagesCAHAEG0C.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 194px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571099830795823346" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TVCFx3bS6PI/AAAAAAAAAmI/Tn04NimhdbY/s200/imagesCAHAEG0C.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Recentemente estive me informando sobre um caso que trouxe a questão à tona: O que fazer com a dor?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Obviamente, se isto se faz questão é porque não estamos falando de dores facilmente localizáveis; estamos falando de dores as quais estão longe de terem explicações que passam por medicamentos e/ou tratamentos com pomadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Estamos aqui falando da dor proveniente da angústia de viver. Um dia Oscar Wilde já disse que poucos de fato vivem, sendo hábito da grande maioria apenas existir. Na minha trajetória no campo psi - como professora e como profissional, percebo que a dor de existir sem viver é o que mais tem levado as pessoas a consultórios psicológicos, os felizardos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Se a maioria de nós apenas existe, os dados comprovam que não estamos sabendo lidar com nossa própria existência: a dor e a angústia de existir: quando já não há chama de desejo que nos faça vislumbrar uma vida para além da reles existência, ou mesmo quando há tantas chamas de desejo que já não há outra alternativa que não o incêndio. Aí está a dor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Em eras de twiter e facebook, a dor , além de ser anunciada , vende revista e dá Ibope. Recentemente prestei atenção a um depoimento de uma dessas celebridades instantâneas sobre o suicídio de alguém próximo: Poucas horas separaram o evento trágico do suicídio e a divulgação deste na rede social Twiter. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O que se seguiu ao anúncio foram demonstrações de todos os tipos que tinham mais ou menos o mesmo objetivo: acalentar a alma da tal celebridade que anunciava em seu microblog o suicídio do noivo. Uma legião de fãs apareceu para prestar condolências e desejar força a tal beldade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Pergunto-me sobre esta dor, esta dor divulgada, anunciada, até mesmo alardeada - cerca de 5 depois do evento, a celebridade se diz "melhorando a cada dia", superando o luto de alguém que decidira pôr fim a sua existência justamente por causa de tanto desejo, ou falta dele, ou simplesmente, por não conseguir mais suportar o passar dos dias. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Em seu "Livro da dor e do amor" , o psicanalista Juan-David Nasio poderia fazer uma bela análise da dor. Indico fortemente a leitura do mesmo. Porém, é preciso que tantas outras questões surjam desta que se tornou a principal neste post: O que fazer com a dor?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Há quem a divulgue e anuncie, posteriormente a venda - vide o caso da citada celebridade. Há quem procure um amparo, alguém para escutar essa dor. Há quem não faça nada e simplesmente vá desistindo, lenta e gradualmente da própria existência por não suportar viver sem viver. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Há quem escreva, há quem trabalhe, há quem chore. Gostaria que as pessoas realmente soubessem o que fazer com a própria dor. No fim isso sempre ajuda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-831362666653021360?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/831362666653021360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=831362666653021360' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/831362666653021360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/831362666653021360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/02/dor-e-minha-so.html' title='A dor é minha só (?)'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TVCFx3bS6PI/AAAAAAAAAmI/Tn04NimhdbY/s72-c/imagesCAHAEG0C.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-3406801346063360615</id><published>2011-02-02T02:36:00.004-02:00</published><updated>2011-02-02T02:46:54.685-02:00</updated><title type='text'>O vento e a mesma vidraça</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TUjhIWlfGJI/AAAAAAAAAmA/S3F3X5iyG9k/s1600/images.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 200px; height: 153px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TUjhIWlfGJI/AAAAAAAAAmA/S3F3X5iyG9k/s200/images.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5568948472861628562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;A multidão costuma dizer que de amargo, já basta a vida e que melhor adoçante não há além de uma boa poesia, aquela capaz de consolar a todos e revelar pela milésima vez o mistério que teimamos em esquecer: a vida e sua beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;É disso que vivem os poetas. Aqui vai uma dessas que costumar tornar tudo tão mais doce:&lt;/span&gt;   &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ar noturno (1919)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho muito medo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;destas folhas mortas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;e medo dos prados&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;cheios de rocio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Vou adormecer;&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;se não me despertas&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;ao teu lado&lt;br /&gt; deixo meu coração frio.&lt;/span&gt;  &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é isso que soa&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;tão longe?&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;Amor. O vento nas vidraças,&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;meu amor!&lt;/span&gt;  &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te pus colares&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;com gemas de aurora.&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;Porque me abandonas&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;por este caminho?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;Se vais muito longe,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;meu pássaro chora&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;e o vento vinhedo&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;não dará seu vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Que é isso que soa&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;tão longe?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Amor. O vento nas vidraças, meu amor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Não acabarás nunca,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;esfinge de neve,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;o muito que eu&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;te houvera querido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;essas madrugadas&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;quando chove tanto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;e no ramo seco&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;se desfaz o ninho.&lt;/span&gt;  &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é isso que soa&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;tão longe?&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;Amor. O vento nas vidraças,&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;meu amor!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Federico García Lorca&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-3406801346063360615?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/3406801346063360615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=3406801346063360615' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/3406801346063360615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/3406801346063360615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/02/o-vento-e-mesma-vidraca.html' title='O vento e a mesma vidraça'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TUjhIWlfGJI/AAAAAAAAAmA/S3F3X5iyG9k/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-2437194237797308347</id><published>2011-01-05T00:57:00.003-02:00</published><updated>2011-01-05T01:48:21.941-02:00</updated><title type='text'>Por amor às ilusões:  Você vai conhecer o homem dos seus sonhos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TSPp-3Sy3SI/AAAAAAAAAlk/MMnYEvoaq1c/s1600/tall%252520dark%252520stranger.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5558543631309266210" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TSPp-3Sy3SI/AAAAAAAAAlk/MMnYEvoaq1c/s200/tall%252520dark%252520stranger.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"&lt;strong&gt; when you wish upon a star, makes no difference who you are&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;anything your heart desires will come to you"&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Tema da abertura: When you wish upon a star&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;É com esta música tão singela que se inicia &lt;em&gt;You will meet a tall dark stranger&lt;/em&gt; (EUA, 2010). No Brasil, o título foi traduzido para "Você vai conhecer o homem dos seus sonhos", tudo bem, a tradução está ok, tão diferente do que fizeram com o ótimo "Whatever works", do ano passado. Woody Allen se mantém ativo com seus filmes anuais, filmes que, justamente pela frequëncia, correm o risco de se tornarem repetitivos, que percebamos cada vez mais claramente as obsessões atuais do diretor/roteirista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Quando se trata do novo de Woody Allen, parece que não é bem o caso. No entanto, percebe-se uma tendência atual , desde "Tudo pode dar certo", de falar com simplicidade sobre os dramas psicológicos humanos, uma espécie de "lição para se levar a vida", nada tão diferente do que Allen vem fazendo há mais de 40 anos, sendo mais simples, um tom que Allen atinge somente por causa da maturidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Neste filme o espectador é presenteado com atuações maravilhosas de Gemma Jones, Antony Hopkins e Lucy Punch ( brilhante no papel da ex-prostituta Charmaine que casa-se com Hopkins) além, claro, de contar com o brilho de Allen que escreveu e dirigiu o filme.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Se eu pudesse dizer de que se trata o filme, poderia dizer que era mais um filme sobre as neuroses nossas de cada dia, tão bem retratadas e flagradas pelas lentes de Allen, poderia também falar que o filme fala sobre família, valores e pudores. Falaria também que o filme trata das ilusões humanas. Ilusões. Este parece ser o tema central, mais do que qualquer um dos citados, o tema que move a narrativa e leva-a ao clímax em que o espectador pode realmente se perguntar: quem será o pior cego: o que não vê ou o que prefere não ver? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Ilusões se espalham pela narrativa do início ao fim. Do início, quando encontramos a ótima Gemma Jones, no papel de uma senhora idosa, abandonada pelo marido que vai a uma cartomante charlatã na tentativa de buscar um sentido para sua vida ou o que o futuro reserva para ela. A cena abre o filme que segue com a voz onipresente de um narrador que explica os caracteres de cada uma das personagens que se entrecruzam durante a narrativa. Este recurso também é utilizado recentemente por Allen em "Vicky, Cristina, Barcelona", dando uma prévia sobre o que se esperar das personagens, especialmente deixando claro ao espectador o &lt;em&gt;modus operandi&lt;/em&gt; de cada uma delas e como isto interferirá no desenlace da trama.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Assim, o narrador onipresente nos apresenta Alfie (Antony Hopkins), um senhor de idade, casado com Helena e que, de súbito, assim como quem espirra, resolve levar uma vida saudável, e, nesta nova vida, não há lugar para Helena, com quem foi casado por quarenta anos. De acordo com Alfie, Helena se entregou ao envelhecimento, coisa que ele não faz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;No outro núcleo encontramos Sally (Naomi Watts), filha de Alfie e casada com Roy, um escritor de um livro só, mas médico de formação, vivendo um casamento falido que ninguém tem coragem de dar por encerrado jogando a primeira pá de cal. Outras personagens aparecem na trama, como a jovem musicista Dia, o dono de uma livraria especializada em literatura ocultista Jonathan, o dono da galeria de arte Greg, interpretado por Antonio Banderas, todos, enfim, em busca de suas próprias ilusões, de segui-las até o fim, posto que estas lhes permitem que continuem vivendo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;No velho estilo Allen de ser, há muita ironia e hipocrisia que numa mistura que só Allen sabe fazer, transforma-se em comédia inteligente, como é típico de seus filmes. Se eu pudesse apontar um problema, ou mesmo que não seja um problema, algo que me incomodou foi a velocidade da narrativa, que em alguns momentos pareceu arrastar-se, não percebi o mesmo ritmo em "Vicky, Cristina, Barcelona", nem em "Whatever works/tudo pode dar certo". De qualquer forma, isso é secundário, o tema da ilusão e do quanto elas nos podem ser úteis nos faz reconhecer, novamente, que Allen mantém a velha forma, sarcástico, talvez mais lento, mas, como sempre, indo direto ao ponto: a hipocrisia humana, o ceticismo aparente, e, mais que isso, a fragilidade humana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Apesar de nos apontar as vicissitudes humanas, isto de ver o que se quer e ouvir apenas o conveniente, tão típico da humanidade. Parece que em &lt;em&gt;You will meet a tall dark stranger&lt;/em&gt;, Allen nos aponta um caminho otimista: as ilusões, são elas que nos fazem suportar a vida, fosse de outro jeito, ainda estaríamos deitados, esperando a morte chegar. Em outras palavras : uma ode inesperada à pulsão de vida, a tudo isto que nos faz insistir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-2437194237797308347?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/2437194237797308347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=2437194237797308347' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/2437194237797308347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/2437194237797308347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/01/por-amor-as-ilusoes-voce-vai-conhecer-o.html' title='Por amor às ilusões:  Você vai conhecer o homem dos seus sonhos'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TSPp-3Sy3SI/AAAAAAAAAlk/MMnYEvoaq1c/s72-c/tall%252520dark%252520stranger.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-9036845189403772455</id><published>2011-01-04T12:27:00.006-02:00</published><updated>2011-01-04T13:59:09.500-02:00</updated><title type='text'>São demais os perigos desta vida...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TSM0ojxyaqI/AAAAAAAAAlc/Ekia5cNCDZ0/s1600/rabbit-hole-nicole-kidman.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 142px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5558344236508801698" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TSM0ojxyaqI/AAAAAAAAAlc/Ekia5cNCDZ0/s200/rabbit-hole-nicole-kidman.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;São demais os perigos desta vida... foi a lição que Vinícius de Moraes nos ensinou. A vida, esta efêmera, é uma das armadilhas que mais buscamos entender...Para uns ela vem suave, tal como uma brisa e do mesmo modo que vem, vai. Para outros, apegados que são à própria materialidade, acabam por consumi-la, nos últimos goles que ingerem, insensata e paradoxalmente , esperando a morte chegar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A imprevisível não escolhe hora, nem lugar, não escolhe nem mesmo a quem pegar. Pega o que estiver à mão. Portanto, esqueçamos a teoria de que Deus precisa de nós lá no céu - uma vez que não sabemos muito bem porque Deus precisaria de nós, logo de nós, que importante trabalho seria este para o qual estaríamos invariavelmente convocados...e porque nós?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A maldosa chega, invade os lares e destrói os planos. E assim, quando ela nos toca, seja por qual maneira for, sempre nos relembramos da nossa própria finitude. &lt;em&gt;Rabbit Hole,&lt;/em&gt; novo filme em que atuam Nicole Kidman e Aaron Eckhart, nos deixa claro que nunca sabemos lidar com a indesejada das gentes, com a morte, com o que quer que seja isso que nos leva alguém e nos enfia, goela à baixo, uma coisa chamada saudade. O filme é sobre luto, sobre como uma família lida com a morte de alguém, como cada pessoa se levanta depois da queda. Pela relevância da temática, pela atuação dos protagonistas, o filme vale a pena e nos relembra, sempre, que ela virá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Certamente este não seria o &lt;em&gt;post&lt;/em&gt; que eu imaginava inaugurando o ano, mas aconteceu. Aconteceu porque a indesejada já havia chegado , na verdade, desde novembro. E assim tive contato com ela, através de sua magnitude, dela não pude me livrar. Ela me deixou sem dormir, me deixou sem saber o que sentir, e em troca, deu-me várias horas intermináveis de insônia, repletas de "porques", de "comos". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Inadvertidamente ela continua seu trabalho. Levando as gentes, lavando as almas e contribuindo para o controle demográfico da população. A vantagem que temos, e única diante dela é que nunca a esperamos...ela vem de repente, sorrateira, nos leva algo de dentro de nós, mas, para nossa sorte, sempre podemos encontrar novos tesouros para preencher as nossas almas esburacadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Por que é assim? Porque sempre o foi e sempre será, mas tão inevitavel como a morte é a vida, ela nunca cessa de aparecer e é nisto que podemos pensar. A vida, esta inevitável, é o único antídoto de que dispomos diante da morte, esta insensível. Portanto, vivamos, porque, graças a Deus ou a qualquer outra coisa que o valha, não somos avisados sobre a visita da outra. Vivamos&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-9036845189403772455?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/9036845189403772455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=9036845189403772455' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/9036845189403772455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/9036845189403772455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2011/01/sao-demais-os-perigos-desta-vida.html' title='São demais os perigos desta vida...'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TSM0ojxyaqI/AAAAAAAAAlc/Ekia5cNCDZ0/s72-c/rabbit-hole-nicole-kidman.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-5899454085294750873</id><published>2010-12-17T20:24:00.005-02:00</published><updated>2010-12-17T21:03:57.123-02:00</updated><title type='text'>Woody Allen e a humanidade sem plumas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TQvsMJkhzMI/AAAAAAAAAlQ/_SRK2UotexI/s1600/sem.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5551790659135982786" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TQvsMJkhzMI/AAAAAAAAAlQ/_SRK2UotexI/s200/sem.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;"A beleza está em quem vê. Se quem vê for míope ou estrábico deve perguntar à pessoa ao lado qual é a garota mais bonita"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Woody Allen&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Ao se deparar com esta frase, o atento leitor poderia já adivinhar a autoria: Woody Allen. Ele é desses autores que já fazem parte do imaginário popular. Não conto as vezes em que Woody apareceu aqui neste modesto blog, seja devido às sensações de estranhamento, seja devido às perolas como estas, presente em seu pequeno livro, editado no Brasil pela L&amp;amp;PM, em 2008 , &lt;em&gt;Sem Plumas. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Seria pouco dizer que o livro é de fácil e agradável digestão: lê-se em menos de duas horas, nas quais o leitor poderá , além de ler, que é seu ofício nato, rir, que é algo que somente os autores talentosos podem causar. São 17 historietas com títulos bastante sugestivos, tais como: Examinando excertos psíquicos, Os Pergaminhos, O gênio irlandês e para mim , a mais genial de todas: Se os impressionistas tivessem sido dentistas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;Sem Plumas &lt;/em&gt;seria um modo de desdizer Emily Dickinson que uma vez afirmou: "a esperança é uma coisa com plumas". No mais puro estilo Allen de ser, o autor americano fascinado por jazz e por teoria psicanalítica - não necessariamente nesta ordem - parece nos dizer que seus escritos são relatos desesperançosos diante dos lugares comuns mais desejados pela humanidade: felicidade, amor, sorte, saúde.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Claro que o leitor atento perceberá que é na desesperança que Allen encontra seu gênio: Auto de frases como " Morrer é uma das poucas coisas que se pode fazer deitado", sendo da opinião de que o Além existe, o problema seria saber a quantos quilômetros fica do centro da cidade e até que horas fica aberto, Allen nos revela a mesma veia cômica que faz sucesso em seus filmes, exemplo disto são "Melinda &amp;amp; Melinda", "Maridos e Esposas", "Vicky, Cristina , Barcelona" , e o mais recente "Tudo pode dar certo" que, apesar do péssimo título em português vem ressaltar exatamente a noção de que, na impossibilidade da felicidade eterna, deveríamos nos contentar com qualquer coisa que dê certo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Esta ideia aparece e reaparece na obra de Allen, se fosse eu Zizëk, comentado no &lt;em&gt;post&lt;/em&gt; passaado, diria que a desesperança, o fato do homem ser ontologicamente sem plumas seria o &lt;em&gt;sinthoma &lt;/em&gt;de Woody Allen, esse jeito irreverente e irônico de rir de si mesmo ao trazer suas neuroses para a tela e para qualquer outro meio em que se expresse transforma o diretor de &lt;em&gt;O que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha vergonha de perguntar&lt;/em&gt; num dos maiores nomes da desesperança de que se tem notícia atualmente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O primeiro deles? Acho que não erraria se falasse que foi Freud: Se houve alguém que começou com essa história de denunciar nossa ausência de penas, este alguém foi o psicanalista de Viena, Allen foi apenas o carona. Vejamos alguns dos tipos e das situações sem plumas exploradas por Allen :&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;1- A jovem pseudo-intelectual:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;" Família grã-fina de Nova Iorque. Passava as férias com o pessoal da esquerda festiva. Podia ser vista em todas as sessões dos cinemas de arte. Viciada em escrever ' É isso aí!' nas margens dos livros de Kant" (ALLEN, 2008, p.45)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;2- A prostituta intelectual:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;" O quente custava 300 dólares: uma recém-formada em psicologia fingiria apanhar [ o cliente ] no Museu de Arte Moderna, envolver-se-ia com [ele] numa discussão sobre o conceito freudiano da mulher, deixá-lo-ia ler a sua tese de mestrado e até encenaria um suicídio" (ALLEN, op cit. p.47)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;3 - O problema filosófico original:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;" Se uma árvore tomba na floresta e não há ninguém por perto para ouvi-la cair - como sabemos que fez barulho?" (ALLEN, op. cit. p. 121)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;4 - Sobre a diferença entre amor e admiração:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;" É evidente que ser amado é diferente de ser admirado, já que sempre se pode ser admirado a distância - enquanto, para se amar de verdade uma pessoa, é preciso estar no mesmo quarto com ela e, de preferência, enrolado atrás das cortinas" (ALLEN, op. cit. p. 94)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;5 - Sobre o dinheiro:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;" O dinheiro não é tudo, mas é melhor do que ter saúde. Afinal, não se pode entrar num açougue, pedir um quilo de alcatra e dizer ao açougueiro: 'Olhe como estou bronzeado. Vendendo saúde!Nunca fico gripado!' e esperar que ele lhe entregue a carne" ( ALLEN, op cit. p. 93)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Como estes existem tantos outros espalhados, como que impregnando a obra deste homem que, senão nos conta nada inédito, ao menos nos ensina a rir das nossas próprias mazelas. Sim, somos humanos, passíveis de erros, interesseiros, frugais , fúteis e essencialmente desamparados, sem plumas que somos. Recomendo fortemente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;" &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-5899454085294750873?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/5899454085294750873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=5899454085294750873' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/5899454085294750873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/5899454085294750873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/12/woody-allen-e-humanidade-sem-plumas.html' title='Woody Allen e a humanidade sem plumas'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TQvsMJkhzMI/AAAAAAAAAlQ/_SRK2UotexI/s72-c/sem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-4293215853177313350</id><published>2010-12-11T12:08:00.002-02:00</published><updated>2010-12-11T12:51:11.457-02:00</updated><title type='text'>Zizëk, Hitchcock e corpos que caem</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TQOPyDRGHYI/AAAAAAAAAlI/EKihxw7lw40/s1600/vertigo3.gif"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 132px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5549437255883824514" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TQOPyDRGHYI/AAAAAAAAAlI/EKihxw7lw40/s200/vertigo3.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Quem não conhece os filmes de Hitchcock não sabe o que está perdendo. Acredito, no entanto, que não estejamos falando da maioria das pessoas que aprecia a sétima arte. Em seu livro &lt;em&gt;Lacrimae Rerum &lt;/em&gt;(Boitempo, 2009), o filósofo pop esloveno Slavoj Zizëk nos apresenta seus ensaios sobre cinema moderno, que, inclusive é o subtítulo deste seu livro lançado há dois anos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;É neste livro que Zizëk faz suas reflexões e nos oferece seus originais &lt;em&gt;insights &lt;/em&gt;sobre aquela que seria a arte da qual Freud menos se aproximou, mas que , nem por isso escapa de ser analisada por um viés psicanalítico. Zizëk, especificamente em seu ensaio denominado "Alfred Hitchcock ou Haverá uma maneira certa de fazer o &lt;em&gt;remake&lt;/em&gt; de um filme?", inicia suas pontuações sustentando que não seria de seu interesse empreender nenhum tipo de idolatria a qual o levaria pela mão e guiaria seus pensamentos a respeito de Alfred Hitchcock, por muitos considerado o pai do cinema de suspense.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Nas palavras de Zizëk: " é preciso evitar aqui o discurso carregado de jargões sobre o toque único de Hitchcock, e coisas do gênero, e abordar a difícil tarefa de &lt;em&gt;especificar&lt;/em&gt; o que confere a seus filmes um caráter singular". (ZIZEK, 2009, p.79)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Ou seja, não há necessidade de rasgação de seda, o importante é falar o motivo pelo qual Hitchcock é considerado brilhante e seu cinema, único. É por esta via que Zizëk nos guia. Sendo assim, o escritor esloveno fala que qualquer tentativa, por mais pretensiosa que for, de "explicar Hitchcock" tenderá a assemelhar-se a uma coisa do tipo "Hitchcock made easy", ou , um Hitchcock envernizado, quase "de A a Z", feito para quem não precisa entender tanto de cinema e que tem uma necessidade extrema de padronizar o que vê. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Em seu ensaio sobre a obra de Hitchcock, Zizëk fala sobre o traço perverso presente na Marion, a primeira hóspede do lendário Motel Bates, que a liga a seu assassino Norman. Há inclusive uma semelhança entre os nomes, o que não se pode deixar de observar ( mas esta é por minha conta, não por Zizëk, me atrevi).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Sobre os traços gerais presentes na obra de Hitchcock, Zizëk nos fala do que chama "motivos visuais impostos por uma estranha compulsão" (ZIZEK, 2009, p.82). Seriam eles, pessoas se agarrando à mão de outra, na iminência de cair, sendo necessário que haja alguém para levá-la ao plano da superfície/realidade ( não se esqueçam da emblemática cena de &lt;em&gt;Um corpo que cai&lt;/em&gt;, em que James Stewart, Scottie, aparece necessitando de apoio de alguém para sobreviver a uma possível queda).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Outro motivo visual compulsivo em Hitchcock seria a imagem do carro à beira do precipício, prenunciando, mais uma vez, a possibilidade de queda iminente, o que podemos, mais uma vez sem auxílio do esloveno, associar ao temor ao abandono do corpo deixado à mercê das leis da gravidade. Assim, um carro à beira do abismo cumpre a mesma função da mão que pode tanto agarrar a mão do mocinho, como soltá-la, deixando, mais uma vez, seu corpo em abandono, um corpo em queda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Zizëk também faz alusão à imagem da mulher inteligente, porém sem muitos atrativos físicos que faria o papel da companheira de aventuras do herói - quem não lembra da amiga de James Stewart, Midge, vivida pela atriz Barbara Bel Geddes &lt;em&gt;em Um corpo que &lt;/em&gt;cai? Há, entre estes motivos visuais a imagem quase obssessiva do crânio mumificado, tal como vemos &lt;em&gt;em Psicose&lt;/em&gt;, representando a morte assustadora, como na cena em que vemos a terrível imagem de Norma Bates, mãe de Norman, no porão da casa lúgubre em que a personagem do assassino vive parte de sua vida. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Zizëk, inclusive, faz uma análise freudiana dos espaços geométricos pelos quais a personagem de Norman Bates transita, relacionando-os às esferas psíquicas idealizadas por Freud e que hoje já caíram no gosto popular: o id, o ego e o superego, sendo o porão, portanto, o lugar dos impulsos, dos conteúdos obscuros que não devem sair à luz do dia. Ora, não seria também o id o lugar conhecido como porão da mente, aonde guardamos todas as quinquilharias das quais não queremos mais saber? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Para quem se interessar por esta análise de &lt;em&gt;Psicose&lt;/em&gt;, poderá também assistir o filme &lt;em&gt;O guia pervertido de Cinema&lt;/em&gt;, em que também Zizëk aparece como astro principal, aparecendo em cenários usados em filmes, como a baía em que se passa &lt;em&gt;Pássaros, &lt;/em&gt;também de Hitchcock, entre outros que marcaram os filmes considerados obras-primas, não somente da autoria do cineasta americano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Sem dúvida há tantas outras peculiaridades em Hitchcock que não caberia aqui, tampouco caberia no ensaio de Zizëk, pois percebemos que o autor, a partir de seus insights, nos fornece a possibilidade de tantos outros. Porém, a ideia principal que fica deste ensaio é que os motivos visuais usados na obra do cineasta americano podem ser considerados &lt;em&gt;sinthoma&lt;/em&gt;, diferente do sintoma, algo que resiste à significação, são signos materiais que indicariam as vias pelas quais o cineasta constrói suas histórias, deixando amostra seu fantasma, ou seja, tudo aquilo com o que não pode lidar, e que insiste em aparecer, seja na imagem do crânio fossilizado, seja no carro à beira do abismo, na mulher inteligente, nas sombras que se transformam em silhuetas humanas, tudo conferindo o mais alto grau de suspense à película.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Depois de tudo isso, talvez possamos rasgar seda, idealizar tanto Hitchcock como o próprio Zizëk, no entanto, cabe um conselho de prudência: acalma-te!Assiste um Hitchcock, mas já com outros olhos, e tira tuas próprias conclusões.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-4293215853177313350?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/4293215853177313350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=4293215853177313350' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4293215853177313350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4293215853177313350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/12/zizek-hitchcock-e-corpos-que-caem.html' title='Zizëk, Hitchcock e corpos que caem'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TQOPyDRGHYI/AAAAAAAAAlI/EKihxw7lw40/s72-c/vertigo3.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-5651053408646526268</id><published>2010-11-22T14:42:00.007-02:00</published><updated>2010-11-22T15:13:48.543-02:00</updated><title type='text'>O estranho caso das toupeiras: identificação ou ignorância?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TOqjUpdL_HI/AAAAAAAAAlA/O3rRIFDH4-Q/s1600/toupeira_oculos.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542421866553801842" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TOqjUpdL_HI/AAAAAAAAAlA/O3rRIFDH4-Q/s200/toupeira_oculos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Machado de Assis já a definiu como um certo movimento de canto da boca, utilizado por algum cínico. Em geral, nós utilizamos a ironia como uma forma quase bem humorada para demonstrarmos nossas reais opiniões diante de um determinado objeto/pessoa/evento. A ironia, por si só, revela um sujeito que lança mão de linguagem oposta ao que realmente gostaria de dizer. Exemplo: "Mas está tão boa esta peça de teatro!". Ao analisar esta simples frase, podemos observar que a frase, por seu tom, exageradamente positivo quando pronunciada, revela, na verdade, a oposição com a experiência de fato vivenciada, a qual seria : "Não estou suportanto esta peça de teatro".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Muitas vezes não estamos atentos a ela, mas ironia está nas esquinas, nas margens, à espera de alguém que tenha coragem o suficiente para utilizá-la. A ironia, se uma pessoa fosse, seria elegante, porém de uma elegância nada óbvia, seria bela, mas não daquelas belezas plastificadas à moda Hollywoodiana, mas uma beleza reservada, bela, quase feia, mas, que ao de perto, poderíamos constatar todo seu esplendor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Muitas vezes, neste mesmo blog, procuro me utilizar deste recurso estilístico para enfatizar opiniões que tenho a respeito de um determinado evento/objeto/pessoa. Como a Psicanálise bem nos explica, há desejos que não nos convém realizar, o mesmo podemos dizer de ações. Há ações que, se realizadas, provocariam consequencias desagradáveis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Foi para criticar, sublimar uma situação difícil que escrevi "A perversão e o reino das toupeiras". Um texto inocente, banhado pela saliva da ironia, esta que, marginal que é, logo viu em mim um palco para se exibir. Poderia eu dizer que a ironia me escolheu e foi assim que pensei em sujeitos rasteiros que têm entre seus passatempos se utilizar do mérito alheio visando objetivos individuais. Em suma, as toupeiras , mesmo não enxergando muito bem, não deixam de se aproveitar das qualidades alheias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;O interessante é que, estava falando de pessoas em especial nas quais noto estas características tão "touperísticas"e que, ao fazer uso da ironia, não me é necessário aqui citar nomes, idades, profissões e ameaças, agressões verbais. O que me interessou foi usar , de fato, a ironia, para falar de algo em que acredito. Em poucas palavras: não preciso agredir ninguém, magoar ninguém, somente usar ironia e ter criatividade para imaginar um animal, por suas características particulares, semelhante a este tipo de pessoa a qual, de fato, eu gostaria de me referir. Simples assim, todos nós podemos fazer isso, e fazemos, vez por outra. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Engraçado foi que , neste mês de novembro, recebi dois comentários inesperados a respeito desse texto. Um deles , vindo provavelmente de uma toupeira, disse identificar-se. Em suas próprias palavras:"interessante , de repente me identifiquei": Toupeiras do mundo todo, uni-vos, foi isso que imaginei. Certamente meu texto atingiu esta pessoa em cheio e fê-la ver que, de fato, age e se comporta como uma toupeira, tal como a descrevi. A esta desejo que o texto sirva como aprendizado, que deixe de ser toupeira, uma vez reconhecendo-se nesta, mas, acho difícil, neste caso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;O outro comentário sobre o texto das toupeiras, recebi hoje. Alguém certamente também tocado pelo nobre caráter da toupeira aqui relacionado, resolveu romper com o silêncio, escrevendo-me palavras de baixo calão, advertendo-me, inclusive sobre o absurdo de minhas palavras diante de um mundo tão devastado, diante de tantos apelos que recebemos diariramente sobre atitudes ecologicamente corretas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Esta pessoa considero, sem meias palavras ou uso da ironia, um imbecil ecologicamente correto. É isto. A pessoa, além de não entender o uso da ironia presente no texto, ainda me criticou, ferrenhamente, sobre o absurdo em dizer que as toupeiras deveriam estar apenas em livros de fotos, como animais extintos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Certamente, o(a) imbecil ecologicamente correto acolhe animaizinhos em situação de risco, adota papagaios mancos e toupeiras manetas. Deve ser daqueles que usa ecobags mas não sabem a diferenciação entre ficção e realidade, e melhor, entre ironia e seriedade. Não percebe que tão ecologicamente correto como acolher animaizinhos e cuidar do planeta, é tratar o próximo com hombridade e respeito.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;A esta toupeira ecologicamente correta, meus pêsames, não posso receitar e se pudesse, não haveria remédio algum, senão educação, para lhe indicar diante de tanta demonstração de ignorância. Aconselho, se conselho algum couber, que releia o texto e tente, ao menos tente, observar a ironia nas entrelinhas, e nas linhas mesmo, porque nunca a disfarcei.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Mas, caso nada disso seja o suficiente. Digo: Não, não desejo a morte, a extinção, o extermínio, o sacrifício destes animaizinhos tão meigos e doces como as toupeiras, não, o que desejo é a extinção da outra toupeira, da toupeira-sacana, que se alimenta do sangue e do suor dos outros. Identifica-se também? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Chego à conclusão que o blog não é tão inabitado assim, e se, alguém se doeu com o extermínio das toupeiras-sacanas, ou é ignorante ou faz parte deste grupo de seres humanos que insiste em utilizar atitudes-toupeiras diante das pessoas. Ignorância ou identificação? Descubra você, a mim , diante disto, só tive mais oportunidade de zombar e de usar a boa e velha ironia para falar dos comentários recebidos, não farei isso sempre, porque seria perder tempo, tempo o qual nem sempre tenho para isso, mas valeu por ter rendido mais uma oportunidade para ser irônica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;A estes, meus sinceros e devotados agradecimentos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-5651053408646526268?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/5651053408646526268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=5651053408646526268' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/5651053408646526268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/5651053408646526268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/11/o-estranho-caso-das-toupeiras.html' title='O estranho caso das toupeiras: identificação ou ignorância?'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TOqjUpdL_HI/AAAAAAAAAlA/O3rRIFDH4-Q/s72-c/toupeira_oculos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-7826305832742240720</id><published>2010-11-13T12:13:00.007-02:00</published><updated>2010-11-13T14:00:12.147-02:00</updated><title type='text'>Encontros com a Poesia de Osvaldo Chaves</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TN6ku7HyxZI/AAAAAAAAAk4/lj9cDGEFQBI/s1600/livro.jpg"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; FLOAT: left; HEIGHT: 156px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5539045717763605906" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TN6ku7HyxZI/AAAAAAAAAk4/lj9cDGEFQBI/s200/livro.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Era para ser apenas mais um poema, algo do qual poderia falar, me debruçando sobre o tema que tanto me interessa , o tema da interface Psicanálise-Literatura. Quando me foi feito o convite, no início deste ano, para participar da coletânea &lt;em&gt;Encontros com a poesia de Osvaldo Chaves &lt;/em&gt;(Edições Bagaço, 2010), me senti inicialmente impactada: Como seria escrever sobre um poeta que não conheço? Como seria escrever um capítulo de livro?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;De fato, isso assustava, mas confesso que, a despeito do primeiro amedrontamento, veio a curiosidade de conhecer a obra de Osvaldo Chaves, padre e poeta cearense que, infelizmente, não tem sua obra reconhecida no restante do país.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Organizado pelas professoras Jerzuí Mendes Tôrres e Maria Heloísa Melo de Morais, &lt;em&gt;Encontros com a Poesia de Osvaldo Chaves&lt;/em&gt;, é uma coletânea que contou com a colaboração de oito críticos literários que disseram sim ao delicioso convite de se debruçarem sobre a obra &lt;em&gt;Exíguas &lt;/em&gt;(2008), coletânea em que Chaves reune poemas com as mais variadas temáticas, escritos em diversos períodos da vida do poeta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;É interessante ressaltar que o lançamento de &lt;em&gt;Encontros com a poesia de Osvaldo Chaves &lt;/em&gt;cumpre com a função de disseminar o conhecimento sobre a obra de um poeta tão consistente como padre Osvaldo Chaves, mas que, devido à dificuldade de publicação tão típica do nosso país, não pôde ser conhecido por outras pessoas fora do Ceará &lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Como participante desta iniciativa de Jerzuí e Heloísa, agradeço o convite e agradeço, especialmente, a oportunidade de ter conhecido um sítio tão singelo, tão vivo e tocante, como o Angelim. O poema &lt;em&gt;Angelim Intacto&lt;/em&gt;, obra que me escolheu, hoje faz parte dos seletos poemas que guardo com carinho, porque algo me acrescentaram. Sobre esse algo, não sei dizer o quê, mas sei que o sítio me tocou, me escolheu e por isso, agora, também é meu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O poema, como todo poema, não requer explicação. Mas, se alguma cabe, digo que o poeta, em Angelim Intacto, convida o leitor a conhecer o sítio de sua infância. Em sua essência de poeta, Osvaldo Chaves nos guia pela mão , por entre os cômodos, as escadas, os alpendres e os pés de jabuticaba lá do Angelim que resistiu às secas e a todas as intempéries da natureza, para permanecer vivo, intacto, na memória de poeta que, em cada estrofe, nos convida a sentir a atmosfera, os aromas, tudo que rodeia a sua infância, jamais perdida, porque transformada em arte. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Segue abaixo um trecho deste poema tão comovente, que tanto me mobilizou. O angelim, surpreendentemente, tornou-se meu, porque o senti, porque o escutei, porque o testemunhei, em minha memória, através do dom da poesia:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Nem tudo morre, muita coisa fica&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Intacta:&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;o aroma, o gosto, o som, a imagem e o contato&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;são a alma imortal das coisas transitórias.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Depois de morto o olfato, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;É vida, na memória, o aroma das coisas&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Apagada a visão,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;É vida a imagem, o relevo e a cor&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Morta a audição, ficam vivos os sons&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Gravados&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Nos microssulcos do íntimo do&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;espírito&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-7826305832742240720?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/7826305832742240720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=7826305832742240720' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/7826305832742240720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/7826305832742240720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/11/encontros-com-poesia-de-osvaldo-chaves.html' title='Encontros com a Poesia de Osvaldo Chaves'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TN6ku7HyxZI/AAAAAAAAAk4/lj9cDGEFQBI/s72-c/livro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-7878878705839416452</id><published>2010-11-09T17:12:00.004-02:00</published><updated>2010-11-09T18:01:24.191-02:00</updated><title type='text'>Meus quatro segundos com Jean-Pierre Lebrun</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TNmnyOkXQYI/AAAAAAAAAkw/loWJRI6U3Vs/s1600/fotolebrun.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 98px; FLOAT: left; HEIGHT: 124px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5537641698174648706" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TNmnyOkXQYI/AAAAAAAAAkw/loWJRI6U3Vs/s200/fotolebrun.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TNmnpXemKvI/AAAAAAAAAko/ap-gdLjJyQU/s1600/fotolebrun.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Se você tivesse a sua disposição 4 segundos de frente com seu ídolo, como usaria estes momentos de maneira proveitosa de modo que jamais se arrependesse destes momentos infinitos, duradouros, eternos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Pois bem, a história seria quase essa, senão fossem os detalhes que a diferem de qualquer outra mostrada em algum programa de televisão. Tudo aconteceu no XXXIX Encontro Anual do Centro de Estudos Freudianos do Recife - CEF/Recife. O palestrante-estrela-da-vez era Jean-Pierre Lebrun, psicanalista belga, autor de &lt;em&gt;O mundo sem limites&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;A perversão comum,  O futuro do ódio, &lt;/em&gt;entre outros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Lebrun é sumidade no que tange à Psicanálise contemporânea, tendo escrito em dupla com Melman &lt;em&gt;O homem sem gravidade&lt;/em&gt;, o psicanalista belga é firme em suas considerações, simpático em sua postura e articulado no que pretende expor. Em seu curso sobre "Os estados-limite" defende que o psicanalista de hoje deve começar a considerar estes estados não como uma quarta estrutura, após as conhecidas: Neurose/Psicose/Perversão. Lebrun vai além em sua exposição, relembrando aos desavisados e aos resistentes que o inconsciente é social, que não se concebe um trabalho de humanização, de psicanálise que prescinda do entendimento das realidades sociais e, como se não bastasse, ainda faz menção a certas instituições psicanalíticas que funcionam nos moldes de instituições religiosas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Lebrun é resoluto ao dizer que a cada novo paciente o analista se depara com a urgente necessidade de reinventar sua clínica, de atualizar o que chama de recursos de "navegação psicanalítica" para que sejamos - e aqui me coloco no lugar do psicanalista, por pura pretensão - ainda úteis nesta sociedade contemporânea.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Tudo caminhava para a perfeição. Lebrun falava diante de um público sedento de conhecimento sem pestanejar, sem beber um gole d´água, simpática e pacientemente aguardando que sua fala fosse traduzida para o bom e velho português , língua-mãe daqueles que povoavam a plateia do evento e que, por uma infelicidade, não poderiam ter acesso á Lebrun em francês.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Eu lá estava, agora chegou a hora de me situar nesta historieta: estava na primeira fila, do primeiro dia de curso, busquei com unhas e dentes agarrar-me àquela fila inaugural como se dali pudesse captar melhor o conhecimento que Lebrun fazia transbordar em meus ouvidos. Não raramente podia me dar conta do feito que era, para mim, uma psicóloga que sempre quis mesmo ser psicanalista, estar ali, diante daquele homem que parecia tudo saber: haja suposto-saber nisso tudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Somente em estar ali e poder dividir com Lebrun, a poucos metros de mim, a mesma cota de oxigênio já era honra o suficiente para me encher de orgulho e preencher um ano inteiro de aulas na Universidade. Acontece que , tal como nos ensina a Psicanálise, dá-se o &lt;em&gt;unheimlich&lt;/em&gt;, o desconhecido, o estranho motivador deste pequeno relato sem pretensão: Estou eu, em minhas idas e vindas de elevador, buscando ou trazendo alguma coisa, num determinado momento em que o curso estava em seu intervalo: Tudo se dá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Quando estou eu mais preocupada em apertar o botão certo do elevador, me deparo com o &lt;em&gt;unheimlich&lt;/em&gt; em pessoa: aquele sujeito branco, com cara de gringo e um jeito um tanto quanto bonachão, jeito de pai ou de vô, diriam outros. Era ele: Jean-Pierre Lebrun, em carne e osso, na mesma viagem, no mesmo elevador, naqueles infinitos 4 segundos que eternizaram o dia 05 de novembro de 2010.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;O que dizer em quatro segundos que traduza admiração e respeito? O que poderia eu, que não sei francês, falar àquele homem que é considerado um dos pensadores contemporâneos mais influentes da disciplina da qual venho buscando me inteirar há quase uma década?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;É preciso dizer que também houvera antes deste, um outro encontro com Lebrun, também quase particular e que durou cerca de 4 segundos, agora são 8 segundos em que Lebrun se dedicara a mim ou só tivera a mim como pessoa para olhar. Os quatro primeiros aconteceram quando eu , seguindo uma fila imaginária criada por alguém igualmente sedenta, decidi pedir-lhe um autógrafo em meu exemplar de &lt;em&gt;O Mal-estar na &lt;/em&gt;subjetivação. Mais uma vez me vi diante do obstáculo da língua: dara um dedo para poder falar , em francês: "Por favor, o senhor poderia me dar a honra de autografar este exemplar?". Somente isto, não precisava de um francês para traduzir um Seminário de Lacan, bastavam essas palavras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Não o fiz , o máximo que pude fazer foi esboçar um gesto que universalmente pode ser compreendido como: " Escreve aqui?", passando-lhe a caneta a qual Lebrun gentilmente aceitou e, cuidadosamente tratou de entender meu nome. Pronunciou um breve: "Miriam", com todo sotaque que Deus lhe deu e rabiscou com sua letra um tanto quanto ilegível até mesmo para quem sabe francês: " A Miriam , com toda minha simpatia. Jean-Pierre Lebrun, Recife Novembro 2010" ( Claro que contei com a ajuda de uma pessoa que traduziu tanta simpatia que eu julgava ser apenas um estranho "spaghetti, tal a dificuldade no francês e no deciframento da letra).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Ok, como era Lebrun, deixei passar o que raramente perdôo: a falta do famigerado acento no primeiro "i" do meu nome, era a assinatura de Lebrun e isto equivale a um autógrafo de Freud na minha Interpretação dos Sonhos ou mesmo de John Lennon em meu Imagine. Tudo quase igual em importância para mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Esta foi a primeira vez que obtive um autógrafo de alguém , em outro evento fiz o que sempre odiei nos outros: pedi para que David Zimmerman tirasse uma foto comigo. Odiei, a foto ficou boa, mas me senti tão tiete que nunca mais repeti o feito e no meu álbum com celebridades psicanalíticas só consta uma foto, e será a única.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Mas voltando ao elevador, senti uma verdadeira necessidade de dizer-lhe tantas coisas, tantas que, naquele exato momento consegui fazer rapidamente uma lista mental do que poderia dizer, perguntar, questionar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Começaria assim: "Lebrun, Lebrun!Sou sua fã, Adorei o Mundo sem limites, não conheço de fato tanto sua obra, mas me identifiquei tanto com você, com sua luta em dizer que Psicanálise também é social , com sua maneira sutil e firme de demonstrar sua relação de amor e ódio com Melman, sobretudo me identifico com sua posição de 'marginal' no que tange ao que concebe como psicanalítico, longe do centro parisiense, tal como eu me sinto longe do centro acadêmico ...". " Ah, Jean, posso chamá-lo assim?, antes que você fale alguma coisa, quero agradecer, porque eu só tenho a agradecer a oportunidade de ver assim tão de perto um intelectual, assim, como você e simples, simples que nem gente normal!"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Sim , isso seria uma demonstração pura de afeto e admiração, muito confundida com o que poderiam dizer "idolatria", "tietagem". Não pretendia apenas isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Claro que eu poderia contar com a possibilidade de o elevador emperrar e que ficássemos alguns minutos, quem sabe horas, quem sabe mesmo um dia inteiro, a espera do socorro, conversando sobre a função paterna, a função patriarcal, o declínio da função paterna, as cores do incesto, as cores do Édipo...seria um verdadeiro arco-íris.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Talvez não durasse tanto, talvez durasse mesmo apenas quatro segundos os quais eu deveria aproveitar inteiramente desabafando o que me assombra há tanto tempo: "Lebrun, Lebrun, por favor, me diga e ensine a este povo que Psicanálise é social, eu estou cansada de dizer, de divulgar, aonde posso vou e falo sobre isso, deixo claro, mas preciso de você ao meu lado para continuar com essa cantiga enfadonha ' o inconsciente é social' , 'somos sociais', 'a linguagem é social', por favor, me ajude, faça essa gente ver!" .&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Muitas coisas poderiam ser ditas, mas naquele momento, porque não falo francês, porque não tenho coragem suficiente e porque não havia tempo, substituí todas as minhas dúvidas, minha tietagem, minha admiração por um singelo sorriso, ao qual Lebrun, em sua simpatia quase paterna, me retribuiu. O resto que eu poderia dizer seria invenção, não disse nada, retornei ao meu quarto no qual pude espalhar: "vim com ele no elevador!". O resto seria lenda&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-7878878705839416452?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/7878878705839416452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=7878878705839416452' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/7878878705839416452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/7878878705839416452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/11/meus-quatro-segundos-com-jean-pierre.html' title='Meus quatro segundos com Jean-Pierre Lebrun'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TNmnyOkXQYI/AAAAAAAAAkw/loWJRI6U3Vs/s72-c/fotolebrun.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-7119437964999697422</id><published>2010-11-04T07:53:00.001-02:00</published><updated>2010-11-04T07:54:49.595-02:00</updated><title type='text'>XXXIX Encontro Centro de Estudos Freudianos - Recife</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TNKC1fUUnoI/AAAAAAAAAkg/jSLzqhkWUYs/s1600/minicartaz.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 141px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5535630747443175042" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TNKC1fUUnoI/AAAAAAAAAkg/jSLzqhkWUYs/s200/minicartaz.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-7119437964999697422?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/7119437964999697422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=7119437964999697422' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/7119437964999697422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/7119437964999697422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/11/xxxix-encontro-centro-de-estudos.html' title='XXXIX Encontro Centro de Estudos Freudianos - Recife'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TNKC1fUUnoI/AAAAAAAAAkg/jSLzqhkWUYs/s72-c/minicartaz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-7448726423904987393</id><published>2010-11-02T11:47:00.005-02:00</published><updated>2010-11-02T12:19:24.807-02:00</updated><title type='text'>Ana pelos olhos de Otto, Otto pelos olhos de Ana</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TNAak8QL9ZI/AAAAAAAAAkQ/RjxgqwGVg1A/s1600/images.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 142px; FLOAT: left; HEIGHT: 143px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534953163989972370" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TNAak8QL9ZI/AAAAAAAAAkQ/RjxgqwGVg1A/s200/images.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Uma história de amor e de coincidências. Este é o cerne de &lt;em&gt;Os amantes do Círculo Polar&lt;/em&gt; (Julio Medem, Espanha, 1998). Tudo se passa quando o expectador conhece Otto e Ana, duas crianças que têm o rumo de suas vidas afetado por uma série de coincidências intrigantes que ora os afasta, ora os une como se tivesse controle sobre suas vidas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;As coincidências acontecem desde o momento em que Otto, ainda menino, vai buscar uma bola que, por uma dessas coincidências do destino, não foi chutada direito por um amigo, levando-o a conhecer a menina Ana, atormentada pela notícia da morte do pai, e que, oportunamente, imagina que Otto seja seu pai, encarnado no corpo do menino.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Some-se a isso uma boa dose de interferência no destino , o que provocará mais uma sequencia de infinitas coincidências que ligará as vidas de Otto e Ana para sempre. Ao longo do filme testemunhamos o crescimento das duas crianças, a descoberta do amor e do que mais os movia: a busca pela maior coincidência de todas, a coincidência de suas vidas. Era isto que ambas as personagens esperavam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;A narrativa não-linear em que muitas vezes se confudem o Otto menino com o Otto adulto, jovem, a Ana adulta e a Ana menina, parece querer nos mostrar que, durante a vida, somos tudo isso: crianças, adolescentes, jovens, diante de inúmeras coincidências que a vida vai nos pregando ao longo de nossa existência, ela nos convoca inteiros, em todos os nossos devires, criança, jovem, adulto, somos todos um mesmo, de trás para frente, de frente para trás, como bem anunciam os palíndromos que formam os nomes : ANA e OTTO.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Assistimos ao filme tanto através dos olhos de Ana, como pelo ponto de vista de Otto. Os olhos têm um papel importante neste filme, podemos até dizer que estes é que são os verdadeiros protagonistas da película de Medem: "Otto pelos olhos de Ana, Ana pelos olhos de Otto" constrói a perspectiva do próprio espectador diante da história das vidas cruzadas das personagens interpretadas por Fele Martínez ( &lt;em&gt;Má educação&lt;/em&gt;) e Najwa Nimri.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Durante o filme entendemos o truque das coincidências que une Ana e Otto, dois palíndromos, nomes que podem ser lidos da esquerda para direita que não mudam seu significado. O que quer dizer estes palíndromos? Ana e Otto são os mesmos, criança, adolescentes e adultos, de trás para frente, os mesmos e da mesma maneira ligados, unidos e sempre, à espera.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Assim é a história dos &lt;em&gt;Amantes do Círculo Polar. &lt;/em&gt;O círculo Polar e seu sol da meia noite são a metáfora perfeita para a atemporalidade da vida, um lugar onde o sol não se põe permite que a vida continue, as coincidências continuem a espreitar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Julio Medem parece ter acertado em traduzir para o cinema toda o mistério da vida e de seus descaminhos, especialmente parece ter encontrado o modo mais belo de dizer-nos que somos esse joguete diante da vida, mas que, nem por isso, deixamos de utilizar o livre arbítrio. Belo, sensível e profundo, assim é os &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Amantes do Círculo&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt; Polar.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-7448726423904987393?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/7448726423904987393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=7448726423904987393' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/7448726423904987393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/7448726423904987393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/11/ana-pelos-olhos-de-otto-otto-pelos.html' title='Ana pelos olhos de Otto, Otto pelos olhos de Ana'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TNAak8QL9ZI/AAAAAAAAAkQ/RjxgqwGVg1A/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-7230526484949336196</id><published>2010-10-30T11:45:00.004-02:00</published><updated>2010-10-30T12:13:32.420-02:00</updated><title type='text'>A vida como ela é...sem tirar nem pôr</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TMwmjHa9A4I/AAAAAAAAAkI/5u1R9Uz1BXA/s1600/untitled2.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 146px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533840426860872578" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TMwmjHa9A4I/AAAAAAAAAkI/5u1R9Uz1BXA/s200/untitled2.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Não é com surpresa que vejo o sucesso que&lt;em&gt; A vida como ela é&lt;/em&gt;, ( Agir, 2009) perdurar até hoje, mesmo depois do estardalhaço causado em 1997, quando da produção da série exibida no programa &lt;em&gt;Fantástico&lt;/em&gt;, com direção de Daniel Filho e roteiro de Euclides Marinho, buscando um retrato fiel daquele Rio de Janeiro dos anos 50, da já citada Rua alegre, das vizinhas invejosas e das mulheres pecadoras que tão bem foram retratados pelo gênio óbvio Nelson Rodrigues.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Esse pretendia ser um post em que se exaltasse o livro da Agir, mas, ao mesmo tempo, me fui apresentada, agora já adulta, a obra que tanto instigava minha curiosidade, naquelas noites de domingo. &lt;em&gt;A vida como ela é&lt;/em&gt; saiu em DVD e assim, para quem não conhece o compêndio de crônicas homônimo, fica mais fácil compreender o universo rodrigueano. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;A vida como ela é...&lt;/em&gt;estejamos nós falando das crônicas ou da série de televisão continua instigante e , principalmente, fiel ao que se propôs: um retrato honesto da vida carioca, suburbana, tão cotidiana, e tão trágica, ao mesmo tempo. Ao tempo em que quase testemunhamos inocentes casais tomando um sorvete na leiteria do bairro de Laranjeiras, também assistimos à pactos de morte, traições, incestos , mortes risíveis como a morte do homem, que, cansado de jantar duas vezes, dividindo-se entre amante e esposa, resolver pôr fim a sua existência com um tiro no peito, porém não o faz sem deixar claro seus motivos: "morro porque cansei de jantar duas vezes", desabafa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Assim como "Mártir em casa e na rua", nome da crônica em questão, podemos nos surpreender com outras tantas, como a tão famosa &lt;em&gt;Dama do lotação&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; Terezinha, Delicado&lt;/em&gt;. Entre tantas não saberia aqui dizer qual é a mais fiel à vida cotidiana, não saberia também afirmar qual seria a mais exata em retratar a constituição psíquica do sujeito para sempre alienado em seu desejo, que, muitas vezes, não sabendo lidar com os descaminhos deste, acaba passando ao ato - termo psicanalítico que faz referência ao momento em que não é possível outro escoadouro socialmente aceito para deixar as pulsões fluirem: é necessário passar ao ato, porque não se pode fazer outra coisa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;É por isso que &lt;em&gt;A vida como ela é &lt;/em&gt;parece tão trágica, tão shakesperiana: é porque o que observarmos é a impossibilidade do sujeito compactuar com seu desejo, este sempre arredio, rebelde, obsceno. Por isso , o sujeito que não aguenta mais a farsa cotidiana de agradar esposa e amante resolve a questão se matando, por isso a noiva saudosa do ex-amante malandro decide por fim à sua vida ateando fogo em suas vestes, é por isso que Euzebiozinho se enforca vestido de noiva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Exemplos são muitos e eu não farei aqui o papel de estraga-prazeres dizendo o fim de todas as crônica que, inicialmente, faziam parte de um jornal diário o qual todas as pessoas, nos bondes, nas ruas, nos botecos compravam e se deleitavam ao ansiosamente procurar, por entre as páginas de política e policial, a pequena estorieta do dia, aquela a qual sempre seria surpreendente, porque demasiadamente humana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;A vida como ela é&lt;/em&gt; pode ser analisada e entendida como um excelente modo de investigação do psiquismo e de todas as mazelas que nos marcam, desde que entramos de sola neste mundo. Recomendo fortemente tanto a série televisiva como a reunião de crônicas publicada pela editora Agir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-7230526484949336196?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/7230526484949336196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=7230526484949336196' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/7230526484949336196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/7230526484949336196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/10/vida-como-ela-esem-tirar-nem-por.html' title='A vida como ela é...sem tirar nem pôr'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TMwmjHa9A4I/AAAAAAAAAkI/5u1R9Uz1BXA/s72-c/untitled2.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-1169253069605514823</id><published>2010-10-18T11:55:00.007-02:00</published><updated>2010-10-18T18:56:07.878-02:00</updated><title type='text'>As memórias de um gênio óbvio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TLxYbIniOjI/AAAAAAAAAkA/odKapKdphB4/s1600/memorias.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5529391665697143346" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TLxYbIniOjI/AAAAAAAAAkA/odKapKdphB4/s200/memorias.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;em&gt;“ Não há ninguém, vivo ou morto, que não tenha concebido a sua fantasia homicida. O melhor de nós já pensou em matar e já se imaginou matando, etc, etc (Aliás, envergonha-me estar aqui proclamando o óbvio)”. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nelson Rodrigues&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A um desavisado, certamente esta frase soaria como de mau gosto, típica de um escritor medíocre que não cansava de falar sobre anomalias, aberrações, coisas que acometem os anormais. No entanto, para os avisados e amantes da obra de Nelson Rodrigues, nada mais óbvio, de fato, do que a afirmação do autor: as pessoas trazem, dentro de si, todas as mazelas psicológicas que poderiam contribuir para a venda de qualquer noticiário policial, por mais sensacionalista que fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim foi a vida de Nelson Rodrigues, e ele não poderia falar do que não conheceu. &lt;em&gt;&lt;/em&gt;Em &lt;em&gt;Memórias e A menina sem estrela&lt;/em&gt; (Agir, 2009), viramos testemunhas das inúmeras situações que chamaram atenção desse mestre da literatura e do teatro nacional. Somos catapultados para o contexto sócio-cultural que viu nascer o jornalista Nelson, filho de uma família de jornalistas e que adquiriu, por força do hábito e da vida, um certo gosto pelo que lia e escrevia nos noticiários policiais: pactos de morte entre amantes, suicídios, assassinatos e traições, sobretudo a traição feminina eram os grandes interesses do então jornalista policial que gostava de acrescentar, aqui e ali, um tom dramático, poético até, nas mortes diárias que noticia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ler &lt;em&gt;Memórias&lt;/em&gt;, certamente compramos um bilhete de viagem de volta para o século XX, conhecemos o famoso carnaval de 1919 do qual Nelson fala com riqueza ímpar de detalhes, o que faz qualquer leitor subitamente descobrir uma serpentina nos próprios cabelos. Também viajamos rumo às origens do teatro nacional, conhecemos as polêmicas em torno do Teatro Municipal, do disse-me-disse que marcava a recepção da obra de Nelson em todos os setores da vida social carioca que costumava atrair-se por todo o sangue e adultérios mostrados pela obra do autor pernambucano que adotou o Rio de Janeiro como cidade natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcado desde o nascimento pela estrela de tarado ( vale a pena conhecer o fato que já anunciava a má reputação de Nelson quando adulto: aos quatro anos, Nelsinho teria sido proibido de visitar a casa de uma vizinha, mãe de uma menininha que deveria ter a mesma idade dele. De acordo com as palavras da atônita vizinha à mãe de Nelson: "Todos os seus filhos podem vir a minha casa, exceto Nelsinho").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se seguiu foi mesmo a confirmação da advertência da vizinha: Nelsinho cresceu e continuou sendo considerado &lt;em&gt;persona non grata&lt;/em&gt; no teatro brasileiro, na própria literatura para a qual tanto contribuiu, pois foi, em vida, um dos maiores desafetos de muitos grandes nomes da mesma, enfim, alguém a ser banido, extirpado do convívio social, pois sua obra exalava um cheiro de lama e miséria, estas tão expulsas, desde sempre, das sociedades civilizadas - Nelsinho, em toda sua vida, só pôde colecionar advertências, tais como a da vizinha da longínqua Rua Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, questionado por Carlos Drummond de Andrade sobre o motivo de Nelson não falar em sua obra de pessoas normais, o dramaturgo pernambucano engoliu a resposta que nunca dera ao poeta mineiro: "falo de pessoas tão normais quanto você e eu". Talvez o pernambucano fosse mesmo a pedra no caminho de Drummond, que, mesmo com tanta poesia, não conseguia entender a imensa normalidade presente na obra de Nelson Rodrigues: chegaria a ser obscena de tão óbvia a semelhança da obra mais "bizarra" com a vida mais normal, mais apática retratadas em obras como &lt;em&gt;A dama da lotação, Engraçadinha, Toda nudez será castigada&lt;/em&gt;, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os que não conhecem, vale a pena conhecer a obra do mestre dos acontecimentos corriqueiros, intérprete original de toda a mesmice sem graça com a qual o ser humano mediano dirige sua vida. Há de se falar de pessoas normais, ora, e não seria o adúltero uma das figuras mais famosas e conhecidas de que se têm notícia a nossa vã humanidade? Por acaso somente os anormais traem? Não creio nisso, nem Nelson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos ainda desavisados, recomendo &lt;em&gt;Memórias&lt;/em&gt; a fim de tomar ciência do contexto sócio-cultural que fez de Nelson o "grande tarado", fama repercutida pelas mesmas pessoas, de conduta moral imaculada, que, mais tarde se curvariam aos pés de Nelson na sua velhice e ainda mais depois de sua morte, em 1980.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tivessem de começar por algum lugar, conheçam a história, conheçam as &lt;em&gt;Memórias&lt;/em&gt;, aí então qualquer pessoa, normal ou não, estaria preparada para entender um pouco mais da genialidade daquele que ousou detestar a unanimidade.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-1169253069605514823?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/1169253069605514823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=1169253069605514823' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/1169253069605514823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/1169253069605514823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/10/as-memorias-de-um-genio-obvio.html' title='As memórias de um gênio óbvio'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TLxYbIniOjI/AAAAAAAAAkA/odKapKdphB4/s72-c/memorias.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-902342867257835472</id><published>2010-08-19T01:16:00.003-03:00</published><updated>2010-08-19T01:22:23.359-03:00</updated><title type='text'>Memórias para dias ensolarados</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TGyxJZgEBcI/AAAAAAAAAjw/5-6da15gbsU/s1600/35959.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 130px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TGyxJZgEBcI/AAAAAAAAAjw/5-6da15gbsU/s200/35959.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5506971219389580738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias ensolarados premiados com súbitas chuvas que inundam as ruas e deixam os becos de uma pacata cidade colombiana com cheio de enxofre. É este o cenário com o qual nos agracia Gabriel García Marquez em seu Memórias de minhas putas tristes (21 edição, Record, 2009). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste livro cheio de sol , suor e sensualidade nos deparamos com uma figura que talvez não combinasse, de início, com este cenário: um velho às vésperas de completar noventa primaveras encomenda a uma conhecida cafetina uma noite de amor com uma ninfeta virgem que deveria restituir-lhe tudo aquilo que a natureza e o tempo teimavam em lhe furtar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que a narrativa transcorre assim, cheia de sensualidade, página por página, captando o coração e as entranhas do mais calculado e sistemático leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Repleta de apelos sensoriais, muitas vezes acompanhamos o velho narrador em seus passeios por uma cidade que fora outra que não a que se apresentava, sombra do passado que constantemente é evocado pelo narrador ancião, velho jornalista, amigos das letras e das línguas, em especial o italiano e o latim, escritor de crônicas tão anacrônicas como seu próprio caráter, mas que, de alguma forma o mantinham vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que parece García Marquez em seu Memórias de minhas putas tristes é mestre em nos levar pela mão por entre becos e vielas, nos mostrar os caminhos tortuosos pelos quais sempre o amor se faz presente, nos fazendo quase sentir na pele os arroubos do amor e do sexo, contudo, por incrível que pareça, em nenhum momento o livro se torna pornográfico, mesmo que se pense nisso ao se imaginar um ancião contando as memórias de suas putas tristes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem diferente disso é o universo deste livro. Quase sentimos o cheiro da chuva, o ronronar do velho gato, a pele embrutecida de Delgadina e seu cheiro inconfundível de alcaçuz.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não bastasse a crueza da descrição de todo o cenário e a veracidade com a qual as personagens são trazidas à vida por Marquez, uma coisa há de se dizer: em meio a tudo isto, ainda assim, falou-se de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um amor cantado, embalado ao som de boleros e de clássicos de Mozart. Um amor maduro que , ao mesmo tempo, não deixa de se mostrar ridículo porque nos mostra a essência do humano: o patético quando se fala de amor. Latino como tinha que ser o amor é a vitória e a tragédia do ancião que, mesmo não sentindo a idade pesar em seus calcanhares admitia que passara a vida escapando do amor tal como o diabo evita a cruz divina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se poderia esperar menos do prêmio Nobel de literatura. Memórias de minhas putas tristes é uma história ensolarada, sensual, sensorial , passional de amor, tal como todo amor deveria ser para valer à pena, tanto que eu, leitora sistemática, acostumada aos escritos acadêmicos,  pude notar uma única lágrima, furtiva, quase clandestina a escorrer  face abaixo  ao virar a derradeira página de um romance que me ensina que não necessariamente para se falar de amor deve-se ser sério, sisudo, tal como um compêndio de psicopatologia. Na verdade quase nunca se deve sê-lo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-902342867257835472?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/902342867257835472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=902342867257835472' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/902342867257835472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/902342867257835472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/08/memorias-para-dias-ensolarados.html' title='Memórias para dias ensolarados'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TGyxJZgEBcI/AAAAAAAAAjw/5-6da15gbsU/s72-c/35959.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-4741799244826404905</id><published>2010-08-12T12:03:00.005-03:00</published><updated>2010-08-12T12:45:06.463-03:00</updated><title type='text'>O que posso dizer sobre Os Espiões?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TGQT0DMgw6I/AAAAAAAAAjg/cr9t58rsuLM/s1600/1261584046_os_espioes.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 200px; height: 171px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TGQT0DMgw6I/AAAAAAAAAjg/cr9t58rsuLM/s200/1261584046_os_espioes.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5504546429485499298" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;O bom leitor, o leitor ocasional, o chamado "traça de livro", o leitor mediano e até o leitor autor , seja quem for, não conseguirá se livrar da obssessão por &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Os Espiões&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt; (Alfaguara, 2009).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito por Luiz Fernando Veríssimo e inspirado em tantas histórias de detetive, em romances policiais,  em  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os Espiões &lt;/span&gt;somos guiados pelo fio que leva um editor entediado com a vida , com o casamento e com o trabalho a uma história privada pintada com tons de realismo macabro e contada como se fosse um crime passional que chega as suas mãos por meio de sucessivos envelopes brancos de autoria de uma tal de Ariadne.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Tal como todo bom romance policial, nós, os leitores mais fiéis, somos levados a conhecer o universo de Agomar Trapiche, do professor de cursinho  pré-vestibular Dubin, da bela Bela, sua secretária. Também conhecemos o delicioso e rabugento professor Fortuna, para quem a alfabetização de mulheres era vista como um atentado à boa civilização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Os Espiões, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;o leitor menos fiel também tem acesso ao mundo de Veríssimo, um mundo cheio de humor, de ironia e sutis críticas  sobre a hipocrisia e a mediocridade humanas. Não tenho aqui a intenção, também não possuo a pretensão de fazer um ensaio sobre &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Os Espiões.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;O motivo pelo qual não o farei é que me considero uma leitora fiel de Veríssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci sua obra porque alguém me dissera que era um dos melhores escritores brasileiros quando se pensa em escrita de humor, em um tipo de humor inteligência que é capaz de ultrapassar o próprio gênero para se alinhar ao que se tem de melhor na literatura de um país. Eu, humorista nata, achei que seria interessante conhecer a obra de Veríssimo, nunca li a de seu pai, mas , julgando pela herança genética e pelo que muitos me contavam, Veríssimo, o filho, tinha que ser genial. E é.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Sobre o enredo? Hum, muito pouco posso revelar, mas vou dizer que o livro prende qualquer que seja a categoria do leitor de modo que não existem mais "hora do almoço" "hora de sair", "hora de dormir". Veríssimo nos conduz, entrelaçando com talento os fios que Ariadne vai  revelando, capítulo por capítulo, envelope branco por envelope branco, deixando todo aquele que se encontra com o livro em mãos tonto como se estivesse em um labirinto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt; A respeito das alusões à De Chirico, à Ariadne de Teseu? Pouco posso dizer, somente me sinto autorizada a falar que o autor tem sucesso ao nos guiar por esse labirinto que a história de Ariadne nos apresenta. E o melhor? Não nos sentimos angustiados, no máximo, eufóricos para chegarmos ao derradeiro capítulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E quando lá chegamos? Que vontade de voltar...mas já é tarde, já fomos enfeitiçados e pena que o livro um dia acaba...mas não quer dizer que não poderemos retornar ao labirinto, nem que seja para rir com as opiniões e palestras do Professor Fortuna.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Como isto aqui não é sobre o autor e sim sobre a obra, pensei o que escrever sobre o recente livro do escritor gaucho que não revelasse a quem quer que esteja lendo isso o final da trama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito mesmo que até se me contentasse em contar como o fio de Ariadne é trançado e retrançado nos quinze capítulos em que o livro se desenrola, mesmo sem revelar o  final da narrativa, estaria prestando um desesrviço aos leitores, fiéis e infiéis, novos ou antigos de Veríssimo.&lt;/span&gt;  &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Farei o seguinte: não contarei nada. Espero que isso atice a curiosidade de quem gosta de tudo que Veríssimo escreve, ou mesmo chame atenção daquele que nunca leu nenhuma linha vinda lá das bandas de Porto Alegre.&lt;/span&gt;  &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Não contarei sobre a Ariadne que costumava escrever sem vírgulas, não falarei sobre a origem do apelido da figura soturna conhecida como Rico. Não. Não direi uma palavra sequer sobre o que significava, em Frondosa, dizer que iria "visitar o túmulo de mamãe".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu silêncio receberá aquele que me perguntar como o editor conhece Ariadne, o que de fato se poderia entender como a "Operação Teseu", ou mesmo porque diabos o Mandioca gostava de "entregar" os jogos que disputava pelo time de futsal da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta insistir, porque também nada direi sobre Dona Loló, Franco e Fabrízio Martelli.&lt;/span&gt;  &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Deixarei tudo à cargo da curiosidade de quem possivelmente me lê agora. Se alguém , ao ler isto aqui, se interessar, descubra por si só o trançado feito pela tal Ariadne, trançado  escrito  e amarrado com "a pena da ironia e da galhofa", expressão que, se não pode se restringir à Machado de Assis, não poderia deixar de ser associada à Veríssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exagero? Coisa de leitora apaixonada e fiel?&lt;/span&gt;  &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Sobre isto nada. Nenhuma palavra sequer. Descubram por si sós, eu é que não vou estragar uma história de detetive.&lt;/span&gt;&lt;span style="display: block;" id="formatbar_Buttons"&gt;&lt;span class="down" style="display: block;" id="formatbar_Italic" title="Itálico" onmouseover="ButtonHoverOn(this);" onmouseout="ButtonHoverOff(this);" onmouseup="" onmousedown="CheckFormatting(event);FormatbarButton('richeditorframe', this, 4);ButtonMouseDown(this);"&gt;&lt;img src="http://www.blogger.com/img/blank.gif" alt="Itálico" class="gl_italic" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-4741799244826404905?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/4741799244826404905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=4741799244826404905' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4741799244826404905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4741799244826404905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/08/o-que-posso-dizer-sobre-os-espioes.html' title='O que posso dizer sobre Os Espiões?'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TGQT0DMgw6I/AAAAAAAAAjg/cr9t58rsuLM/s72-c/1261584046_os_espioes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-258999415172889814</id><published>2010-07-12T01:41:00.005-03:00</published><updated>2010-07-12T02:32:42.944-03:00</updated><title type='text'>E.U.A versus Lennon: um documentário honesto</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TDqlB6zSeWI/AAAAAAAAAjI/z2Jal9UuExI/s1600/usjohnlennon.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 135px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5492884147914570082" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TDqlB6zSeWI/AAAAAAAAAjI/z2Jal9UuExI/s200/usjohnlennon.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;E.U.A &lt;em&gt;versus John Lennon&lt;/em&gt; é o documentário do momento. Na verdade rodado em 2006, o filme assinado por David Leaf e John Scheinfeld, certamente honrou seus objetivos: traçar o caminho tortuoso pelo qual se desenvolveu a carreira do ex-beatle quando passou a interferir ou a se preocupar com assuntos referentes à ordem nacional americana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O filme consegue ser fiel a seus propósitos; mostra um Lennon fixado na infância, sobretudo em uma mãe que praticamente o abandonara e que não o abandonou nas lembranças da vida adulta, um jovem rebelde por nascença, não por escolha: era ele o próprio Working Class Heroe que chegou a cantar em uma de suas músicas do período pós-beatles.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Vemos no documentário um John politicamente ativo, preocupado com os destinos da humanidade que, naquele momento - início dos anos 70 - estava sendo conduzida ao massacre comandada pelos governantes dos Estados Unidos, a maior nação de todas, até hoje.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Trazendo quase uma dúzia de relatos, uns emocionantes, outros revoltantes, parece-me que Leaf e Scheinfeld não tomaram partido de Lennon, como se poderia pensar, ao contrário, ouviram rebeldes setentistas, ouviram radicais extremistas, mas também deram vez e voz aos representantes do governo da época, à pessoas que podemos facilmente relacionar às cenas de truculentos embates com uma população em sua maioria jovem, em muitos casos sob efeito de drogas, mas, sobretudo, unidos por um só objetivo: Dar uma chance à paz, uma canção entoada primeiramente por John e Yoko e que posteriomente se tornou um hino de toda uma geração revoltada contra um governo no mínimo corrupto, contra uma guerra sem propósito - se é que alguma guerra tem outra motivação que não o sadismo de seus idealizadores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Do movimento &lt;em&gt;Bed Peace&lt;/em&gt; à sua ligação com o partido das "Panteras Negras", observamos o desenvolvimento político e humano de um artista, que, se começou sua carreira de sucesso com o aval de uma massa praticamente hipnotizada diante de sua atitude já rebelde nos palcos, diante de sua voz esganiçada em "Twist and Shout", nos últimos anos de vida teve boa parte desta mesma massa dividida entre os que o apoiavam e os que o rejeitavam veementemente , e para os quais não passava de um subversivo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Voltando um pouco no tempo, não achamos que Lennon dos anos 70, o que cantava a paz e o fim da guerra no Vietnã, não era muito diferente do jovem que ironizava os governantes: A própria família real inglesa foi motivo de chacota na voz de Lennon, não nos esqueçamos jamais quando o pop star pedia para que a rainha Elisabeth e sua turma ao menos balançassem suas jóias ao ouvir Twist and Shout no lugar de baterem palmas, como a maioria de seus súditos fariam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O Lennon do documentário é o mesmo jovem rebelde que não se contentou com o título de mais adorado do mundo junto com seus outros amigos, não era mais do FabFour, mas foi igualmente genial quando conclamou toda uma nação - e também boa parte do mundo, diga-se de passagem - a romper com a lógica quase facista do governo de Nixon que mandava e desmandava diante de uma nação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Lennon não ficou calado, sem dúvida com ajuda da mesma fama que o fez quem era, usou a mídia, usou sua excentricidade, inteligência e genialidade para trazer um pouco de reflexão à pessoas que costumavam engolir sem mastigar. Em suma, seus movimentos como o Bed Peace, a história de deixar o cabelo crescer pela paz, a sua própria relação com a exótica esposa Yoko Ono foram fundamentais para ele fazer o que pretendia: lançar a a reflexão, no intuito ingênuo de mudar o mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Você pode dizer que ele é apenas um sonhador, ele foi, mas deixou sua mensagem, é o que Yoko atesta em sua última aparição num documentário simples que honrou seu propósito: mostrar a relação tensa entre uma nação e um ídolo. A lição que fica é que , em tempos pós-Bush e guerra ao terror, não custava muito que outras celebridades realmente se imbuíssem de um espírito de paz, que não apenas se preocupassem com seus bolsos e imagens e que, sim, voltassem seu público e seus fãs para os problemas que, afinal, não são muito diferentes dos de trinta anos atrás.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O mundo continua o mesmo, a politicagem continua utilizando dos mesmos recursos hediondos, e as pessoas continuam sendo segregadas entre passivos e subversivos, continuam achando "um saco" votar, "um saco" assistir horário político. Num mundo em que imagem é tudo, atitudes de Lennon poderiam muito bem ser enquadradas como jogadas de marketing, mas, se assim fosse, como explicar as vantagens ( nenhuma )que Lennon obteve com toda sua luta pela paz?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Os quatro tiros que levou certamente não estariam contabilizados no fechar de contas. Em um mundo em que tudo é &lt;em&gt;fake &lt;/em&gt;e em que uma figura como Lady Gaga lança moda, em que ídolos do esporte são presos por crimes dignos de psicopatas, não me resta muita esperança ao imaginar um mundo de celebridades que faça mais do que doar um quinhão de sua fortuna à Ongs ou adotar jovens órfãos de lugares devastados pelo mesma nação que lota os cinemas e dá fama e fortuna às Angelinas Jolies da vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Pacifismo e engajamento é mais do que se faz hoje em dia, e acredito que &lt;em&gt;Eua versus John Lennon&lt;/em&gt; ensinaria muito às gerações atuais, calcadas essencialmente no individualismo que confudem felicidade pessoal com ativismo político-social, afinal, resta uma dúvida: Está-se adotando órfãos do Cambodja por uma necessidade pessoal ou por uma necessidade de chamar atenção para conflitos, guerras e submissão de outras nações perante o poderio bélico de uma potência mundial? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Para responder a estas questões, devemos pensar um pouco, mas, como pensar, se twitar um "calabocagalvao" é mais importante? uma briga entre mulheres por um homem é recorde de acessos? Se a notícia do dia é o carinha que ganha rios de dinheiro vivendo um vampirinho adolescente? Bem que estava na hora de um Lennon aparecer...mas fica difícil nesses tempos em que as pessoas se refugiam na fantasia e na ficção e tudo que for real é enfadonho, chato, sem muitos pixels. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Ponto para Leaf e Scheinfeld que conseguiram fazer um filme à altura de Lennon que estará sempre vivo, invariavelmente, quer queiram ou não.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-258999415172889814?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/258999415172889814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=258999415172889814' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/258999415172889814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/258999415172889814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/07/eua-versus-lennon-um-documentario.html' title='E.U.A versus Lennon: um documentário honesto'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TDqlB6zSeWI/AAAAAAAAAjI/z2Jal9UuExI/s72-c/usjohnlennon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-3138220029415591390</id><published>2010-07-06T11:21:00.005-03:00</published><updated>2010-07-06T15:43:15.004-03:00</updated><title type='text'>Sublima que melhora!</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TDNE9fzz_gI/AAAAAAAAAjA/yMOFuOkPCj0/s1600/17032680_1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5490808193996291586" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TDNE9fzz_gI/AAAAAAAAAjA/yMOFuOkPCj0/s200/17032680_1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Quando as pessoas estão envolvidas em festejos, comemorações, festinhas parece fácil dizer que estão acompanhadas, que estão em conjunto, em grupo, etc. Mas, como vamos dizer que estamos sós?Como sabemos que estamos sós?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Esta pergunta pode parecer de fácil resposta, uma vez que, aparentemente, estar só é o contrário de estar em grupo, ao lado de pessoas. Digo que não é bem assim, você pode estar ao lado de pessoas que não são tão significativas e que, por este fato, você continua se sentindo isolado, perdido, ou você pode estar com pessoas significativas e estar se sentindo igualmente sozinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Fato é que nas tristezas da vida, nos momentos em que você reza para não desesperar, raras são as pessoas que irão estender a mão, dizer "olha, estou aqui". Pouquíssimas. Nesse mundo em que vivemos, em que imagem é tudo, alegria é imperativo e ter amigos é sinônimo de felicidade, quem ousa se aproximar de uma pessoa que não faça parte dessa lógica, que nao compactue com comentariozinhos desnecessários e falsos? É isso, é disso que o povo gosta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Quanto a mim, continuo vivendo a solidão, às vezes acompanhada, às vezes solitária, mas quase sempre compartilhada com uma única pessoa - ainda bem que ele existe - e aos outros, a quem interessar possa, continuo aqui, não postando fotos revelando o quanto curti a Copa do Mundo, o quanto curti o São João, o quanto adorei a viagem que não fiz. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Como não há meios de se demonstrar a tristeza, o processo depressivo, a solidão, melhor mesmo é falar, mesmo que ninguém leia, porque isso, de algum modo, pode garantir dias melhores. Da solidão e da morte, ninguém nunca quer saber.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Sigamos com nossas alegorias, fotos em verde e amarelo e comentários falsos sobre as pessoas, a vida e o mundo. Ah, Rogers, como discordo de você, de onde você tirou que o ser humano é essencialmente bom? Se assim fossem , como seria a vida? Metade da humanidade - bem mais da metade, vamos ser sinceros - não aprendeu a ser gente , por isso, não vão se beneficiar com um livro chamado "Tornar-se Pessoa".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Entre Tornar-se Pessoa e ser sujeito, prefiro a última opção e "O mal estar na civilização" permanecerá meu livro de cabeceira, enquanto a dor não passar, enquanto a ferida não cicatrizar e ninguém vier a meu consolo, porque isso certamente não espero.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Sublima que melhora!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-3138220029415591390?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/3138220029415591390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=3138220029415591390' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/3138220029415591390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/3138220029415591390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/07/sublima-que-melhora.html' title='Sublima que melhora!'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TDNE9fzz_gI/AAAAAAAAAjA/yMOFuOkPCj0/s72-c/17032680_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-873468642452402563</id><published>2010-06-20T11:07:00.011-03:00</published><updated>2010-06-20T14:24:09.053-03:00</updated><title type='text'>A perversão e o reino das toupeiras</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TB4raodw2NI/AAAAAAAAAiw/yqeaKXr1AvQ/s1600/toupeira4.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 121px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5484869132722690258" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TB4raodw2NI/AAAAAAAAAiw/yqeaKXr1AvQ/s200/toupeira4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A toupeira, é um bichinho tão bonitinho, singelo e gracioso. Ali, naquele cantinho dele, pode ser tão feliz, tão acomodado. Este bicho que pouco enxerga mas muito ouve, que busca incessantemente por comida parece inofensivo...ledo engano, são bastante vivos e podem ameaçar mesmo os bichos maiores. Vejamos algumas informações sobre esse bicho de duas caras:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A toupeira vive debaixo da terra, nos campos e nos jardins.Está sempre com fome e por isso consegue cavar grandes túneis à procura de comida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Comem qualquer bicho que lhes apareça pela frente: vermes, larvas, minhocas, e às vezes até outras toupeiras. Para cavar a terra, a toupeira usa as patas da frente, que são muito fortes, uma espécie de pá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;À medida que vai avançando, a toupeira escava a terra e empurra-a para trás. A toupeira não vê quase nada, os seus olhos são do tamanho da cabeça de um alfinete! Mas em compensação ouve e cheira tudo muito bem a sua volta!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Como se percebe, a toupeira é um bichinho quase cego, sempre faminto mas que na verdade ouve e cheira tudo a sua volta. A toupeira é sacaninha, como a gente pode perceber, porque no interesse e estando com fome, não importa qual seja o alimento, estraçalha e come até as outras toupeiras com a única intenção de matar quem lhe estava matando.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A toupeira vive debaixo da terra, não deve ter acesso nenhum À luz e tem uma enorme vontade de sugar, de comer do outro aquilo que de interesse for. Não são as toupeiras graciosas réplicas de muitos seres humanos que conhecemos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Ora, olhos do tamanho de cabeças de alfinete certamente não enxergam longe, e, sinceramente, viver embaixo da terra não parece coisa boa para ninguém. Mas as toupeiras, elas gostam, elas são sujas e vivem enfiadas em buracos, tendo nessas pequenas "pás" que são seus dedos, importantes aliados no ofício de descobrir novos alimentos, novos seres para deles se alimentar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Quanto mais leio sobre a toupeira, mais me lembro de muitos seres humanos que mal enxergam um palmo diante do nariz - ou focinho - e que acabam por ter no olfato e nos dedos a maior vantagem: sabem farejar e se aproveitar do que vêem pela frente, e olhe que não vêem tanto, mas, uma vez enxergando, por que não?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Que me perdoem os ambientalistas, que me perdoem os telespectadores do Discovery Channel, mas que animalzinho sacana essa toupeira, espero tranquilamente o dia em que se comam até serem apenas fotos em livros sobre animais em extinção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-873468642452402563?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/873468642452402563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=873468642452402563' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/873468642452402563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/873468642452402563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/06/pequena-perversao-de-cada-dia-em-terra.html' title='A perversão e o reino das toupeiras'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/TB4raodw2NI/AAAAAAAAAiw/yqeaKXr1AvQ/s72-c/toupeira4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-999396389583172552</id><published>2010-05-04T10:28:00.002-03:00</published><updated>2010-05-04T10:58:46.865-03:00</updated><title type='text'>A lealdade de Hachiko</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S-AoBZ_wZMI/AAAAAAAAAic/K05hc_Bpnvk/s1600/5951810_1005662040.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 106px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5467413952251061442" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S-AoBZ_wZMI/AAAAAAAAAic/K05hc_Bpnvk/s200/5951810_1005662040.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Quando me deparei com o filme "Sempre ao seu lado" (Hachiko, 2009), protagonizado por Richard Gere e um cão akita, torci o nariz, não queria ver mais um filme de cachorros falantes e de aventuras extraordinárias à la K-9, um cão da pesada. Decididamente, não iria assistir. Até que tive acesso a uma crítica da revista Bravo! a qual elogiava o tal "filme de cachorro", justamente por tirar-lhe este aposto, Hachiko não era mais uma história de cachorro: Hachiko não fala, não saltita, não persegue bandidos, não trabalha para o FBI e não faz grandes truques a mando de seu dedicado dono.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Hachiko é a história de um cão que existiu, de fato, nos anos 20, no Japão. Um Akita que não costumava obedecer ao simples comando de "vá buscar a bolinha" , uma vez que só fazia o que realmente lhe agradava, e por carinho a alguém. A história, na verdade, mostra com sensibilidade o que é a lealdade, algo tão em desuso atualmente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Adaptada em uma pequena cidade americana, a história de Hachiko centraliza-se nos "sentimentos" do próprio cão, fazendo de Richard Gere um mero coadjuvante. Trata-se da história de um cão que, por costume, todos os dias acompanhava seu dono à estação de trem, via-o ir ao trabalho e, pontualmente, voltava ao lugar no fim do dia para esperar seu dono retornar. Acontece que em um trágico dia, a personagem de Richard Gere não retorna: morre repentinamente no local de trabalho e assim Hachiko nunca vê seu dono regressar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O tempo passa, Hachiko, no entanto, não esquece do afeto que seu dono lhe dirigiu por dois anos, e, durante toda a sua vida retorna todos os dias à mesma estação, à espera do dono que teimava em não voltar. Isso aconteceu por nove anos, até a morte do cão, em 1934. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Mais do que um "filme de cachorro", uma espécie de Rintintim ou Lessie, Hachiko é uma história que fala de lealdade e de como não devemos esquecer aqueles que amamos. Nos dias de hoje, somente a fidelidade canina é capaz de atos deste nível. Feito com extrema sensibilidade e sutileza, o filme é sim, triste, horrível, mas, por isso mesmo, percebemos sua beleza, em sua singeleza, numa história sem pretensão que se torna uma bela forma de falar de lealdade, companheirismo, apesar da transitoriedade da vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Nos anos que seguem a morte do professor, dono de Hachiko, tudo muda, sua viúva desfaz-se da bela casa em que viviam, Hachiko vai morar com uma nova família, com a filha de seu dono verdadeiro e convive com uma criança. Em uma rápida, mas primorosa cena em que não existem falas nem personagens humanos, acompanhamos o passar das estações, a partir da desfolhagem e folhagem das árvores que abrigam Hachiko: primoroso, porque singelo. Podemos notar que este é um recurso muito utilizado em cinema para demonstrar a passagem do tempo: a mudança da natureza, mas em Hachiko isto ganha um tom poético somente possível graças à sensibilidade de um diretor perspicaz e sutil.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Apesar de Hachiko, o tempo passa, as pessoas mudam, os arredores da estação transitam apressados, porém alguns são os mesmos de sempre, cumprindo a rotina diária: o dono do carrinho de cachorro-quente, a senhora que pega seu trem todos os dias, o homem encarregado da administração da estação, todos continuam seu ritmo de vida , o trem sempre vai e vem, e , à sua espera está Hachiko, esperançoso de receber seu dono, sempre, todos os dias, com o que poderíamos dizer "fé inabalável" no retorno, se não estivéssemos falando de um cachorro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Cachorro ou não, o que estamos tratando aqui é de transitoriedade, também. Se percebemos que o tempo não pára, os trens não abandonam as estações, o sol não deixa de nascer e morrer todos os dias, acreditamos que tudo, neste mundo que insiste em girar, passa, à exceção de uma coisa: o afeto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O afeto não morrem como as folhas das laranjeiras, como as flores das cerejeiras tão vistosas em certa época do ano no Japão. O afeto permanece em nós, imemoriável, sujeito à nuvens e trovoadas mas , sobretudo, não sujeito ao recalcamento. Não esquecemos e o tempo não amarela os sentimentos e afeto que temos por algo, alguém.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Assim, uma casa vive em nós, deixa de reduzir-se a seus limites geométricos e geográficos e passa a ser reconstruida com o cimento da nostalgia, mobiliado com os móveis os quais nossa memória projeta e inventa. Hachiko envelhece , o tempo inevitavelmente passa, mas até quando viveu guardou em algo que poderíamos chamar de "lembrança", os momentos de afeto vividos e compartilhados com seu dono, isso, sim, não é passível ao emboloramento, não obedece às leis que transforma tudo que é vivo em pó e em ruínas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A inevitável verdade não é negada: seremos nós, um dia, reduzidos à pó, seremos história tal como o sol que nasceu ontem e já não se encontra radiante no alto, posto que em seu lugar existe outro. A lua cheia de ontem pode até retornar, mas não será mais a mesma lua, e nós, crescemos e vivemos esse tempo que passa, passamos tal como os ponteiros de um relógio, mas algo, algo fica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Hachiko nunca cansou de esperar seu dono. A lealdade é o que lhe fez carinho e o sustentou, todos os dias, no mesmo lugar. Atualmente Hachiko está representado por uma estátua de bronze colocada no lugar no qual costumava deitar-se à espera de seu dono. O filme é belo, simples e, como a maioria dos filmes belos e simples, tem um quê de libertador. Vale a pena.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-999396389583172552?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/999396389583172552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=999396389583172552' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/999396389583172552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/999396389583172552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/05/lealdade-de-hachiko.html' title='A lealdade de Hachiko'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S-AoBZ_wZMI/AAAAAAAAAic/K05hc_Bpnvk/s72-c/5951810_1005662040.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-4711491818011653608</id><published>2010-04-22T23:25:00.003-03:00</published><updated>2010-04-22T23:35:00.287-03:00</updated><title type='text'>Conversa para passarinho piar</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S9EHBN1m9KI/AAAAAAAAAiU/YJFO0z9jr6g/s1600/passarinho.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 158px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5463155540452897954" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S9EHBN1m9KI/AAAAAAAAAiU/YJFO0z9jr6g/s200/passarinho.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Treino de vôo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Oh, serzinho cantante&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;És tu, tão belo e falante&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Que me ponho seca a rimar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;És tu que vens montado em dois palitinhos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Com aparência de caranguejo-uçá&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Oh, serzinho falante&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Amiúde até saltitante&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Vai, serelepe e todo errante&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Com a cabeça envolta em penugem&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Reivindicar teu lugar no céu&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Dos pardais e dos zepelins&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Oh, serzinho encantante&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Vem voar nessas grandes nuvens&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Que em teus palitinhos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;não hás mais de andar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Vai, serzinho discrepante&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Que teu ofício de origem&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;É mesmo o exercício de avoar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;-------------------------------&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Teorema do pardal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Todo pardal que avoa alto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;vai em busca do zepelim&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O zepelim que se vê ao longe&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;tá buscando alguma pipa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;toda pipa que é lançada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;é uma isca para as estrelas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Logo, o pardal que tão alto avoa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;De longe forma uma constelação&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;(Cristiano Leão)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-4711491818011653608?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/4711491818011653608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=4711491818011653608' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4711491818011653608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4711491818011653608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/04/conversa-para-passarinho-piar.html' title='Conversa para passarinho piar'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S9EHBN1m9KI/AAAAAAAAAiU/YJFO0z9jr6g/s72-c/passarinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-1419790150805963645</id><published>2010-04-22T01:56:00.004-03:00</published><updated>2010-04-22T02:35:45.893-03:00</updated><title type='text'>A Ilha de Bergman: A ilha interna</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S8_e7WLOv2I/AAAAAAAAAiM/4KaGQrIyLL4/s1600/bergman.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; FLOAT: right; HEIGHT: 132px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5462829984170032994" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S8_e7WLOv2I/AAAAAAAAAiM/4KaGQrIyLL4/s200/bergman.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Rodado na famosa Ilha de Farö, &lt;em&gt;A ilha de Bergman &lt;/em&gt;(Suécia, 2006) é um documentário que deveria mostrar a vida íntima de um dos maiores cineastas que o mundo conheceu, mas vai além. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A documentarista explora as questões de vida de Bergman que talvez só sejam esmiuçadas justamente porque aquele seria o último ano de vida do cineasta sueco. Fato é que, ao nos abandonarmos nos arredores da ilha de Farö, estamos com Bergman e fazemos também parte daquele cenário. Bergman responde com uma franqueza que só a idade avançada permite, tudo ou quase tudo que foi tabu, que foi triste ou doloroso em sua vida, que já acena para ele do outro lado do retrovisor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A impressão que se tem é que se penetra na alma do velho Bergman, genial diretor de "Cenas de um Casamento", "Persona", "Morangos Silvestres", etc, para percebemos a docilidade, a fragilidade de um homem que a todo momento de sua obra parecia sublimar o sofrimento - algo não muito original, mas que Bergman transforma em arte como poucos ousaram e puderam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Sublimar: Verbo interessante, amado pelos psicanalistas e desconhecido da população em geral. Sublimar, segundo a pena freudiana, significa dar uma nova roupagem à conteúdos que não necessariamente nasceram bem vestidos, isso tudo para passar do lado de lá do inconsciente e chegar às fronteiras cobiçadas da consciência. Geralmente essa nova roupa é costurada com o fio da arte e rematada pelo acabamento de um alfaiate bem competente e ocupado chamado Ego.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Conhecimentos psicanalíticos à parte, &lt;em&gt;A ilha de Bergman &lt;/em&gt;nos mostra um retrato fiel da intimidade e das questões que mais marcaram a vida do cineasta e que, de alguma forma, estiveram presentes em sua obra. A impetuosidade do inconsciente, as aterradoras exigências egóicas, o desejo sempre insatisfeito, a neurose, e , sobretudo , mais do que a falibilidade das relações sexuais, a inexistência delas, fazem parte de assuntos muito comuns na obra de Bergman, tornando sua trajetória artística algo único. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Dói ver Bergman, dói por uma coisa: a sublimação existe, mas dói no espectador dormir com todo aquele barulho provocado pelas belíssimas atuações de Liv Ullmann, de Erland Josephson, Ingrid Bergman, entre outros que atuam os papéis de nós mesmos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;É necessariamente esta dor que está presente não mais na obra, mas no discurso sem disfarce de Bergman, já no fim de sua vida, ao analisar a própria falibilidade na missão que recebeu, de ser humano. Bergman nos conta seus medos em relação à morte, a aceitação de que ela viria, seus desastrosos relacionamentos com as mulheres e um bando de questões que assustam toda uma humanidade, acrescidos de declarações que somam-se à culpa neurótica de cada dia que carrega em seus ombros, tal como nós todos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;A Ilha de Bergman&lt;/em&gt; é algo que ultrapassa as fronteiras da linda e paradisíaca Farö, deixa a Suécia e ancora na ilha de dentro do homem capaz de transpor suas dificuldades, ou, para ficar mais bonito, suas problemáticas, para a tela do cinema e, assim, faz de todos nós um pouco cúmplices de tudo que se desenrola no lado de dentro da tela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;De acordo com Freud, faz parte do êxito de um bom autor (e aqui podemos incluir o cineasta) conduzir sua plateia de modo que as tragédias internas das personagens sejam vivenciadas como algo familiar a nós, que achamos que estamos tão distante daquele mundo que se desenrola na tela branca. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Freud foi o primeiro a denunciar nossa semelhança com a neurose das personagens. Em "Personagens Psicopáticos no palco", um curto e delicioso texto do pai da Psicanálise, sabemos porque certos autores têm tanto sucesso ao idealizar uma personagem que, subitamente, tem tantas características parecidas com as nossas...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Sem dúvidas Bergman foi mestre também naquilo que Freud considerou uma das maiores provas do sucesso de um autor: ele conseguiu que nós nos identificássemos com toda a tragédia das suas personagens, justamente porque, quando se trata de mundo interno, personagem e pessoa real não são coisas diferentes, uma vez que a personagem sai de algum lugar real, a semelhança não é mera coincidência. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O documentário não nos mostra personagens, no máximo um homem, consciente de sua própria finitude, disposto a revelar para muitos e talvez para si mesmo, suas próprias tragédias, sucesso e fracasso, tudo enfim que faz parte da ópera bufa que se chama vida a qual todos nós encenamos, como maior ou menor brilho. Agora fiquei confusa: será que não nos mostra mesmo nenhum personagem?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;A ilha de Bergman &lt;/em&gt;vale para os fãs do cineasta e também para os que são fãs apenas da natureza humana, esta que anda tão em baixa. Vale a pena, recomendo fortemente, um bom exercício de auto-consciência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-1419790150805963645?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/1419790150805963645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=1419790150805963645' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/1419790150805963645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/1419790150805963645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/04/ilha-de-bergman-ilha-interna.html' title='A Ilha de Bergman: A ilha interna'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S8_e7WLOv2I/AAAAAAAAAiM/4KaGQrIyLL4/s72-c/bergman.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-4357318466870471244</id><published>2010-04-10T10:59:00.006-03:00</published><updated>2010-04-10T11:56:49.715-03:00</updated><title type='text'>Vinícius, a garota de Ipanema, e Freud: Um triângulo amoroso?</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S8CNyuYHp8I/AAAAAAAAAiE/7GCtRW1u6X4/s1600/08327101.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; FLOAT: right; HEIGHT: 139px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5458518650955212738" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S8CNyuYHp8I/AAAAAAAAAiE/7GCtRW1u6X4/s200/08327101.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Não é novidade que um dos temas recorrentes nas canções do chamado movimento da Bossa Nova na música brasileira, sem dúvida, é a mulher. Este corpo moreno, cheiroso e gostoso que você tem sempre é cantado em verso e prosa também. Muita prosa , diga-se de passagem, se deve a Vinícius de Moraes, amante incorrigível, para quem o amor era sempre possível, mesmo que fugidio, mesmo que se tenha que buscá-lo repetidamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Poderíamos aqui tentar entender de que maneira a Bossa Nova cantou as mulheres, mas para isso é necessário que viajemos um pouco no tempo e no espaço. Rio de Janeiro, 1958, é lançado "Chega de Saudade", álbum de João Gilberto um tanto quanto inicial, como se fosse um esboço do que viria a ser este movimento que ultrapassou os limites da música, tornando-se estilo de vida, de comportamento. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Viajemos mais no tempo e na história de um dos grandes nomes da Bossa, o velho poetinha , já citado. Em 1933, &lt;em&gt;O Caminho para a distância&lt;/em&gt; é lançado, sendo este o primeiro livro de Vinícius, então com 20 anos, composto de cerca de 40 poemas em que Religião e o conceito de Sagrado aparecem exaustivamente como temas corriqueiros, em relação á mulher, havia uma névoa cobrindo a imagem da mulher idealizada, posteriormente cantada em todos os seus atributos que não necessariamente incluem o sagrado, pois está mais para o profano. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Por ora vejamos esses poeminhas tão ingênuos, em que Vinícius retrata a figura feminina:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Aquela que dormirá comigo todas as luas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;É a desejada de minha alma&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Ela me dará o amor de seu coração&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;E me dará o amor da sua carne.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;[...]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Ela é a minha poesia e a minha mocidade&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;É a mulher que se guardou para o amado de sua alma&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Que ela sentia vir porque ia ser dela e ela dele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Trecho de " A que há de vir"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Ainda podemos relembrar outro trecho interessante, agora do poema "A esposa":&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Às vezes, nessas noites frias e enevoadas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Onde o silêncio nasce dos ruídos monótonos e mansos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Essa estranha visão de mulher calma&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Surgindo do vazio dos meus olhos parados&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Vem espiar minha imobilidade&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;[...]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;E ela fica horas longas, horas silenciosas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Somente movendo os olhos serenos no meu rosto&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Atenta, à espera do sono que virá e me levará com ele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Nada diz, nada pensa, apenas olha - e o seu olhar é como a luz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;Caminho para a distância &lt;/em&gt;já foi discutido aqui, em outro post, no qual trato especificamente deste livro, então, vamos atalhar. Em &lt;em&gt;Para uma menina com uma flor&lt;/em&gt;, uma coletânea de vários trabalhos de Vinícius que abrange um quarto de século de atividade do poetinha, percebemos uma mulher mais libidinosa, luxuriosa, que em pouco ou nada lembra a devotada esposa, dos olhos caridosos com aspecto de cuidadora, de mãe-mulher.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Vejamos porque, em "Conto Rápido"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Todas as manhãs de sol ia para a praia , apertada num maiô azul.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Por onde passasse, deixava atrás de si olhares de homens colados a suas pernas douradas,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;a seus braços frescos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Os fornecedores vinham para a porta, os velhos para a janela,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;as ruas transversais movimentam-se extraordinariamente à sua passagem cotidiana&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;[...]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O corpo era de vinte anos,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;no entanto, os cabelos pareciam velhos,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;mortificados de permanentes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;e, faltava-lhe aos olhos verdes a luz da mocidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Em outro, Vinícius alude À mulher que veio das sombras, o trecho é de " A mulher a sombra":&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A aurora é uma mulher que surge da noite,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;de qualquer noite - essa treva que adormece os homens e os faz tristes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Só a sua claridade é amiga e reveladora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Ao poeta mais nobre não seria dado desvendá-la em sua humildade extrema.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;[...]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A aurora dos que sofrem, a única aurora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Aquela mesma que eu vira um dia, mas cujo segredo não soubera revelar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Uma mulher que surge da sombra...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;É , para o poetinha, o mesmo que conseguia ser doce e dedicar uma flor à uma menina que gosta de brigadeiro e que tem um andar de pajem medieval, a mulher é encantadora em seus dotes, em suas curvas, alucinante aos olhos do mais nobre homem, o poeta, confuso entre o entendê-la e o amá-la. Vinícius é o poeta do amor, mas, sobretudo, é o poeta das mulheres. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Se aos vinte anos, o poetinha carioca sonhava com a amada de sua vida, ela, única mulher que iria dormir todos os sonos de sua vida ao seu lado, cerca de 25 anos depois, torna-se mestre em odes ao feminino que não necessariamente rima com a "amada eterna e única". Ele mesmo, não contente com uma, teve nove esposas, para ele o amor era sempre mais, sempre poderia dar mais e, caso não estivesse dando, é porque não era mais amor, era preciso resgatá-lo, seja em que braços for.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Claro que em &lt;em&gt;Caminho para a distância&lt;/em&gt; também constam alusões ao corpo feminino como fonte de prazer, os seios, os braços, as pernas, mas, ainda assim, isso é feito de maneira tímida, quase ingênua, ingenuidade essa que desaparece aos poucos na prosa madura de Vinícius.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O que vemos na Bossa Nova é uma reprodução de muitos textos e da prosa, agora cantada, de Vinícius , a mulher cheia de curvas é aquela garota que desfila em uma famosa praia carioca, a arrebatar os olhares de todas as gentes, seria ela a mesma moça do "Conto Rápido", aquela cujo corpo atraía para si os olhares de todos nos arredores?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Não podemos esquecer também do fato de que muitas canções de Vinícius tiveram co-autoria de Tom Jobim, outro grande apreciador da espécie feminina. Até hoje a tal Garota de Ipanema é alvo de curiosidade, e não há quem não a tenha feito o protótipo perfeito da mulher carioca, presente no imaginário social, continuamente referenciada em tantas outras canções, mesmo que não sejam mais Bossa Nova, o mito foi criado, a mulher carioca, a garota de ipanema, a mulher enfim, duas ou uma pessoa?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Acredito que a resposta não seja tão simples, mas podemos questionar uma coisa: nem uma, nem duas pessoas, mas um mito, algo que está para além do conceito de objeto de consumo, acredito que a mulher na Bossa Nova, estereotipou , em geral, a mulher brasileira, dotada de curvas e de um "nãoseioquê", também conhecido como "balacobaco" ou "ziriguidum" de que nenhuma outra no mundo parece ser provida. Devemos isso a Bossa Nova.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Ao fim de tudo isto e de tantas reflexões a gente pode dizer que a mulher, seja a mulher cantada aos vinte anos, ou anos 45, 50, é uma mistura, uma profusão de mistério , suavidade e candura, que, do mesmo modo que confundia a cabeça do velho Freud (não esqueçamos jamais do célebre continente negro!), mexia com a cabeça e com o coração ( porque poesia não é ciência!) de nomes como Vinícius.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Em Psicanálise, precisou Freud revelar que não entendia, não havia solução de se compreender a sexualidade feminina para que tantos outros também repetissem a mesma ladainha, o que gerou um certo estigma sobre o feminino dentro da teoria psicanalítica: E há de surgir aquele que a entenderá, aquele que desbancará Freud e finalmente retirará o véu que esconde a garota de Ipanema, ironicamente, tão descoberta em seu biquini ou em seu maiô azul?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Seriam duas pessoas diferentes, a garota da Bossa e a da Psicanálise? Se pensarmos em Freud, lembraremos do feminino quase sempre relacionando-o com as histéricas, Paris, Charcot e o hospital Salpetrière, mulheres neuróticas e recalcadas, mudas diante do poder fálico, a elas só cabia encenar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Já a mulher da Bossa, a mesma garotinha encantadora de Ipanema, não parece nada recalcada, nada muda, ao contrário, "sua beleza é um avião, demais para o meu coração", poderia algum poeta comentar. Voltando ao poema da "Mulher e a sombra", verificamos que, engraçado, a mulher também não era tão entendida pelos poetas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Será que Freud errou? Não era ele que alegava a superioridade dos poetas sobre  os cientistas em relação a todo assunto que fosse ligado aos estratagemas inconscientes? Engodo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Estes senhores tão devotados à figura feminina não saberiam tantas coisas mais do que os homens da ciência, a questão é que, o que velho Freud e seus seguidores tentaram fazer e teorizar acerca da mulher, não deu muito certo, o que nos deixa a alternativa descoberta por Vinícius : "Se não entendemos, que ao menos se cante sobre seus mistérios, mas não esqueçamos de seu andar, de seu requebrado".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Resultado: Bossa Nova 1 X Psicanálise 0&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-4357318466870471244?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/4357318466870471244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=4357318466870471244' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4357318466870471244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4357318466870471244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/04/vinicius-garota-de-ipanema-e-freud-um.html' title='Vinícius, a garota de Ipanema, e Freud: Um triângulo amoroso?'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S8CNyuYHp8I/AAAAAAAAAiE/7GCtRW1u6X4/s72-c/08327101.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-603728504870964085</id><published>2010-04-10T03:28:00.003-03:00</published><updated>2010-04-10T03:29:56.452-03:00</updated><title type='text'>Retorno!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Como é bom estar de volta ao meu aconchego.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Permaneço aqui, porque assim me permitiram...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A partir de hoje, estamos voltando para casa!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Quem apareceu no moveracheronta finja que nunca esteve lá e retorne a este lugar, se é que alguém lê isso!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-603728504870964085?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/603728504870964085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=603728504870964085' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/603728504870964085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/603728504870964085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/04/retorno.html' title='Retorno!'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-4746554274307433286</id><published>2010-02-07T17:39:00.006-02:00</published><updated>2010-02-07T18:16:25.353-02:00</updated><title type='text'>A Esquisita Esquisitologia de Wiseman</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S28dEl-6eeI/AAAAAAAAAh8/7KQ7iP0pqa4/s1600-h/esquisitologia1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; FLOAT: right; HEIGHT: 177px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435595240012151266" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S28dEl-6eeI/AAAAAAAAAh8/7KQ7iP0pqa4/s200/esquisitologia1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O que faz uma pessoa reconhecer um sorriso verdadeiro? Pessoas que sorriem mais vivem mais? Qual é a piada mais engraçada do mundo? Nascer em janeiro faz de alguém mais sortudo do que quem nasce em Julho? De que maneira poderemos distinguir quem fala a verdade de quem mente?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Estas são algumas das perguntas esquisitas as quais assombram e fazem parte da vida do cientista inglês Richard Wiseman, autor do best seller &lt;em&gt;O fator Sorte &lt;/em&gt;(2003) e , mais recentemente, do interessantíssimo &lt;em&gt;Esquisitologia: A Estranha psicologia da vida cotidiana&lt;/em&gt; (Editora Best Seller, 2008). Em &lt;em&gt;Esquisitologia&lt;/em&gt;, Wiseman nos mostra tudo aquilo que achamos que não é ciência de maneira científica. Cercando-se de questões que assombram grande parte de pessoas que podem ser chamadas de "curiosas" , o autor inglês nos ensina que a Psicologia também pode tratar de pequeninas temáticas cotidianas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Sim, a Psicologia não é apenas complexidade. Ao contrário, Wiseman revela ao curioso e atento leitor que a Psicologia nasce mesmo são das questões miúdas, das aparentemente inocentes questões que nos perseguem desde a infância e , com o passar do tempo, acabamos negligenciado, achando que nada disso terá importância em nossas vidas adultas, atribuladas...e complexas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O livro de Wiseman conta com seis capítulos em que o autor nos fala sobre mentira e verdade, piadas, nomes e horóscopo, fator sorte , mensagens subliminares, altura de candidatos à presidência, longevidade, música e consumo, etc. Diante destas temáticas, um leitor menos atento poderia pensar que o livro pende mais para o humor do que mesmo para o cientificismo, aquele, de Comte, companheiro velho de guerra. Nada de Wiseman combinaria com Positivismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Pelo contrário: Richard Wiseman nos prova por A + B, munido da mais pura Psicologia Experimental ( os termos "Wundt", "Cão de Pavlov" e "caixa de Skinner" te fazem lembrar de algo?) que, sim, dá para saber qual cantada atrairá mais mulheres do que homens, que anúncios de jornal atrairão mais pretendentes e que tipo de abordagem fará um garçom de restaurante receber gorjeta maior. Richard cita em seu livro Freud, Sócrates, Aristóteles, Galton , uma série de renomados homens que tiveram seus nomes vinculados à Ciência, e, para além de citá-los , põe em prova os conhecimentos sobre tantas das temáticas estudadas com afinco por estes nobres pensadores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Como se pode notar, &lt;em&gt;Esquisitologia ( &lt;/em&gt;derivada do termo inglês "quirkology") não se apresenta como uma "nova corrente" psicológica, tampouco Wiseman pleiteia sobre a hegemonia dos "esquisitologistas" em matéria de Ciência. O livro, a despeito do que muitos podem pensar , está repleto de referências a outros pesquisadores que costumavam e costumam levar a sério certos temas que a maioria de nós consideraria "menores" ou "sem relevância para o desenvolvimento do conhecimento científico" - academicamente falando.&lt;/span&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Um exemplo disto é o experimento de Jastrow, famoso psicólogo americano que nutria grande interesse pelo ilusionismo e por experiências oscuras e assustadoras. Para se ter uma idéia sobre Jastrow, no fim do século XIX, o famoso médico dedicou muitas experiências ao entendimento do que acontecia por trás do tabuleiro Ouija ( nos Estados Unidos , o tabuleiro Ouija é uma espécie de "jogo" utilizado por pessoas que desejam manter contato com entes queridos que se foram; é algo muito utilizado em sessões espíritas até hoje neste país).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Jastrow demonstrou em suas experiências com mágicos que muito do Iluminismo não tem a ver com a velocidade empreendida pelo mágico em manipular os objetos, mas sim de persuasão e percepção da platéia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Wiseman considera-se um fã de Jastrow, definindo-se, também, como um grande entusiasta do ilusionismo, espectador constante das comédias do grupo inglês Monte Python, e, além de tudo, um cientista muito bem humorado. De acordo com Michel Shermer, da &lt;em&gt;Scientific American&lt;/em&gt;, Wiseman pode ser considerado como o mais interessante e inovador psicólogo do mundo atual.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Você agora pode se perguntar: Por que deste alvoroço? Tudo é muito simples. Wiseman não precisa rechaçar e denegrir Freud ( Lembram do &lt;em&gt;Livro negro da Psicanálise&lt;/em&gt;? se não , aconselho outro título: "Em defesa da Psicanálise, de Roudinesco, lá quem quiser pode saber mais sobre isto), tampouco negligenciar a influência do pensamento dos mais aclamados nomes da Ciência Moderna, ao contrário: mantem viva o experimentalismo inaugurado por Wudnt, alia-se aos estudiosos das chamadas Neurociências e , além disto, não nega a importância das descobertas freudianas, desconsiderando os ditos "fatores inconscientes".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt; Em &lt;em&gt;Esquisitologia&lt;/em&gt; parece que estamos, de novo, voltando para os temas que sempre nos interessaram e que, aos poucos, fomos deixando de lado, não por declínio do interesse, mas por subestimação mesmo, onde já se viu estudar piada ser Ciência?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Olhemos lá...não esqueçamos de Freud e de sua clássica " um charuto é apenas um charuto". Pensando direitinho, Wiseman não é pioneiro, mas não podemos dizer que ele é menos interessante e inovador por isto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-4746554274307433286?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/4746554274307433286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=4746554274307433286' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4746554274307433286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/4746554274307433286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/02/esquisita-esquisitologia-de-wiseman.html' title='A Esquisita Esquisitologia de Wiseman'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S28dEl-6eeI/AAAAAAAAAh8/7KQ7iP0pqa4/s72-c/esquisitologia1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-6554382710925050650</id><published>2010-02-02T12:10:00.005-02:00</published><updated>2010-02-02T12:48:39.279-02:00</updated><title type='text'>As obscuras semelhanças entre as duas academias</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S2g4PX6bIOI/AAAAAAAAAh0/2a49UkjSr30/s1600-h/academia-comecar-110208.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; FLOAT: right; HEIGHT: 124px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433654787190759650" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S2g4PX6bIOI/AAAAAAAAAh0/2a49UkjSr30/s200/academia-comecar-110208.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Muitos desejam estare lá, pegam pesado lá dentro e, uma vez acostumados, dizem não largá-la mais. Esforçam-se, pagam com o suor do rosto e de todos os músculos do corpo juntos o preço por uma vida mais saudável, mais equilibrada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;É possível conviver com todo o tipo de gente por lá: pessoas que desejam roubar seu lugar - descaradamente - pessoas narcisistas para quem o espelho é mais do que um amigo, é um amigo confidente , pessoas deprimidas em cujas vidas nada ou quase nada há para se comemorar, por isso, é necessário que você saiba muito bem aonde está entrando, que conheça o solo sobre o qual seus pés estão firmados. Estou falando do que tenho aprendido na academia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Talvez alguém tenha pensado que falava de outro assunto, talvez algo mais filosófico, algo até que prometesse reflexões, elocubrações das mais variadas espécies. No entanto, cabe lembrar que "academia" é o mesmo nome que se dá a duas experiências não tão distintas na vida de um ser humano como eu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Academia = Corresponde a tudo relacionado ao ambiente acadêmico. Compreende-se que a Academia seja o celeiro de novos pesquisadores, formado por discentes e docentes os quais, envolvidos em verdadeiras e cruéis relações de amor e ódio, desenvolverão o que se convencionou chamar "experiência de aprendizagem"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Academia = Lugar essencialmente voltado para o culto ao corpo. Também pode ser denominado de "academia de ginástica", " ginástica" ou mesmo "lugar de treino". Geralmente sua imagem está associada à pessoas cujas vidas pendem para atitudes de cuidado extremo com saúde e beleza física.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Apesar destas diferenças óbvias que encontraremos nos dicionários mas que eu fiz questão de definir sem ajuda de Aurélio algum, elenquei algumas das características que, ao contrário do que possa parecer inicialmente, nos faz perceber as semelhanças entre estes dois espaços tão distintos - aparentemente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Desde o primeiro dia do ano de 2010 tenho, com afinco, me agarrado à ideais um tanto quanto novos para mim: vida saudável e equilibrada. Com este intuito, aderi ao grupo daqueles simpáticos e não tão simpáticos frequentadores de academias de ginástica, buscando, lógico, fazer parte do grupo, uma vez que na outra academia já tenho carteirinha há mais de um ano. Vejamos:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;1- Na academia de ginástica você chega como um zé ninguém; acima do peso, flácido e achando que tudo que você sabe não é nada perto daquelas pessoas tão poderosas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;2- No ambiente acadêmico - Universidade/Faculdade/Demais Instituições de ensino você chega como um zé ninguém; acima do peso ( vale lembrar que ganhou muitas calorias na base dos fichamentos e das eternas resenhas críticas feitas para obter um grau de mestre e doutor), flácido e achando que tudo que você sabe não é nada perto daquelas pessoas tão poderosas e mais "escoladas" que você.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;3- Na academia de ginástica as pessoas parecem felizes e como que animadas por pilhas alcalinas de alta potência. Parecem indestrutíveis com todos aqueles músculos definidos que você, reles novato, nem sabia que existiam no corpo humano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;4- No ambiente aonde "rolam as experiências de aprendizagem e o conhecimento impera" as pessoas parecem felizes - porém nem sempre o são. Parecem indestrutíveis até a primeira fofoca, a primeira reunião de departamento e a primeira eleição docente. Nestas ocasiões de tomada de decisão e de mudança de coordenação de curso vale tudo, tal como numa luta: todos os músculos podem ser utilizados para se mandar alguém tomar em lugares que você nem sabia que existia no corpo humano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;5- Na academia de ginástica é comum se observar pessoas admiradas com o próprio reflexo no espelho. Narcisos acham feio o que não é espelho. Malham a si, aos outros e , no entanto, podem , ao fim do dia, olharem-se no espelho enquanto contraem todos os músculos que você nem sabia que existia: "Não há ninguém mais belo do que eu"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;6 - Na academia/Universidade é comum se observar pessoas admiradas com o próprio reflexo no espelho. Malham a si, aos outros, e no, entanto, podem, ao fim do dia, olharem-se no espelho e diante de sua própria imagem dizer: "Não há ninguém mais inteligente do que eu".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Interessante que, apesar de tantas semelhanças em ambientes culturamente tão dissociados, pode-se perceber uma relação quase que de exclusão: O tipo "marombeiro" geralmente é considerado aquele que, na falta de exercício em outras áreas do corpo , como o cérebro, contentam-se em trabalhar os músculos que você nem sabia que existia no corpo humano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Já o "nerd", é notadamente alguém reconhecido pela inteligência e afinco aos estudos. É aquele sujeito que faz de tudo para prolongar sua estada na Academia: Gradua-se, pós-gradua-se, torna-se mestre, doutor, pós doutor e , com isso, deixa , muitas vezes de conhecer muitos músculos que o sujeito da primeira academia cansa de contrair e descontrair.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A vida é assim, nem tudo que parece oposto o é de fato, assim como nem todo marombeiro é burro, nem todo nerd é inteligente. Assim é o caminho da vida, tantas horas de estudo e de atividades extra-curriculares não valem muito no currículo lattes da vida real, assim como nem todos que estão querendo uma vida mais saudável virarão marombeiros da noite para o dia e passarão a conhecer músculos nunca dantes trabalhados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A vida é assim, num dia você acorda e pensa: é preciso entrar na academia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-6554382710925050650?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/6554382710925050650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=6554382710925050650' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/6554382710925050650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/6554382710925050650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/02/as-obscuras-semelhancas-entre-as-duas.html' title='As obscuras semelhanças entre as duas academias'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S2g4PX6bIOI/AAAAAAAAAh0/2a49UkjSr30/s72-c/academia-comecar-110208.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-3213016934940367898</id><published>2010-01-30T02:54:00.004-02:00</published><updated>2010-01-30T03:17:18.762-02:00</updated><title type='text'>As Comédias brasileiras de Verão</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S2PACDBGpXI/AAAAAAAAAhs/iZybi8Skp5o/s1600-h/21594854_4.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; FLOAT: right; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5432396716941157746" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S2PACDBGpXI/AAAAAAAAAhs/iZybi8Skp5o/s200/21594854_4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;" O futuro é uma folha pautada esperando a primeira anotação do ano, que tanto pode ser 'Dentista' na sexta quanto 'Deus, levar questionário' no sábado"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Luis Fernando Veríssimo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Essa é uma das frases do ótimo livro que reune alguns novos contos de Veríssimo. &lt;em&gt;Comédias Brasileiras de Verão &lt;/em&gt;( Objetiva, 2009) é um daqueles livros que podemos ler numa sentada, em um par de horas, durante a espera no dentista, no médico, ou mesmo durante uma aula monótona ( não podemos esquecer dos contos que Veríssimo escreveu para serem lidos especialmente na escola). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Pois bem, &lt;em&gt;Comédias&lt;/em&gt; não traz nada muito aprofundado a não ser que você goste de adentrar pelos meandros dos tão explorados conflitos entre homens e mulheres. Em sua maioria, os contos de Veríssimo exploram estas relações tão difíceis entre as pessoas com os costumeiros humor e ironia que só mesmo o autor gaucho é capaz de imaginar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Desde um pé inoportuno roçando outro debaixo da mesa, ao ciúme patético de um homem apaixonado, Veríssimo nos faz entrar nos lares das famílias de classe média, compostos, não raramente por homens e mulheres entediados com a relação e que deixam transparecer seu descontentamento nos mínimos detalhes e pelos mais variados e inusitados motivos:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;" Higino era o que se chamava de um rapaz 'bem-apessoado', em contraste com a sua namorada Naralei, que tinha um nariz que só podia ser chamado de hediondo, como certos crimes. Ninguém entendia por que o simpático e talentoso Higino, que podia ser o que quisesse na vida, namorava Naralei, que era tudo que ele não era"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O tirano - Comédias Brasileiras de Verão&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Veríssimo sempre pareceu muito apto a falar sobre as pequenas coisas do dia-a-dia que chegariam ao nível do trágico se não fossem cômicas, as personagens masculinas idealizadas pelo autor vão do ciumento possessivo que chega a imitar um cachorro tudo para não ser flagrado vigiando a amada até os inseguros machões que precisam entrevistar cada parceira para ter certeza de sua potência sexual. Das femininas então, muito se pode falar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Temos uma grande galeria nestas deliciosas Comédias, desde Mariazinha, a mulher média, comum, trabalhadora que não sabe se vestir para encontrar um homem e sentir-se mais feminina até Ana Luiza, a tal moça que, sorrateiramente roça seu pé na perna do amigo de seu marido. Não podemos, como se pode notar, falar de uma ética nestas personagens tão únicas pensadas por Veríssimo: muitas vezes, é mais divertido não ter ética nenhuma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Por este motivo, espia-se por trás de um poste a mulher amada, pensa-se com alegria numa possibilidade fortuita de traição conjugal, finge-se que um orgasmo é verdadeiro toda vez que assim o fazem crer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;As personagens destas &lt;em&gt;Comédias&lt;/em&gt; transitam entre o cômico e o trágico, sem nem por isso fazê-lo de maneira pesada, mesmo quando se trata de uma tentativa de suicídio ( a vizinha leonina do homem capricorniano): É que pelas mãos, pela pena de Veríssimo tudo é risível, até mesmo a impostura,o desprezo e o desespero.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Vale a pena tirar umas horinhas para se deleitar com este imperdível livro. Sua vida não mais será a mesma quando descobrir que as neuroses suas de cada dia não lhe são tão exclusivas assim...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-3213016934940367898?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/3213016934940367898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=3213016934940367898' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/3213016934940367898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/3213016934940367898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2010/01/as-comedias-brasileiras-de-verao.html' title='As Comédias brasileiras de Verão'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/S2PACDBGpXI/AAAAAAAAAhs/iZybi8Skp5o/s72-c/21594854_4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-6571888982535644063</id><published>2009-12-27T01:54:00.003-02:00</published><updated>2009-12-27T02:49:20.475-02:00</updated><title type='text'>Sobrevivendo a um papo-cabeça</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SzbmLc6u-kI/AAAAAAAAAhk/4OYI1D49se4/s1600-h/PEQUENO_MANUAL_DE_FILOSOFIA_PARA_SOBREVI_1232316014P.jpg"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5419772286002461250" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SzbmLc6u-kI/AAAAAAAAAhk/4OYI1D49se4/s200/PEQUENO_MANUAL_DE_FILOSOFIA_PARA_SOBREVI_1232316014P.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Mal pude conter minha euforia quando encontrei um pequeno, porém curioso título numa prateleira despretensiosa de um supermercado, lá estava o &lt;em&gt;Pequeno Manual de filosofia para sobreviver a um papo-cabeça &lt;/em&gt;(Editora Agir, 2008), olhando para mim, não pude evitar: levei-o.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;O livro, escrito por Sven Ortoli e Michel Eltchaninoff, um físico, outro filósofo é um interessante manual, tal como está expresso no título, para que possamos sobreviver àquelas conversas intermináveis nas quais , muitas vezes, somos jogados, assim, de pára-quedas, e nos vemos perdidos, encrencados, no popular: metidos numa enrascada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Dividido em capítulos que nos lembram todos os rituais típicos em que se constituem um jantar qualquer, tais como "O aperitivo" , " As entradas", " O prato principal", os autores discorrem sobre as trivialidades que fazem parte de um nem sempre agradável encontro entre pessoas que mais desejam aparentar uma cultura inexistente do que serem claros e objetivos. De Slavoj Zizek, a quem chamam de astro pop da Filosofia, à Simone de Beauvoir e seu segundo sexo, os autores nos dão divertidas dicas para entrarmos na onda e não nos sentirmos massas acéfalas diante de um caldeirão de intelectualidade. Não, com o nosso manual nas mãos jamais seremos chamados de frívolos, ignóbeis, tampouco obtusos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Em "O aperitivo", no tópico chamado "Do bom uso da citação", os autores dão um show de humor e ironia, tudo escrito com a pena do sarcarmo, desmascarando aquelas pessoas que tão bem conhecemos por trás dos discursos pomposos e elegantes. Não podemos esquecer uma das preciosas lições que o manual nos ensina:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;" Assim como os aperitivos, o emprego das citações exige equilíbrio e atenção incansáveis. Todos têm um pequeno arsenal cuidadosamente equipado, testado e, supõe-se, pronto a ser acionado. É mister, porém, saber utilizá-lo no momento certo". (p.27)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;De acordo com Sven e Michel, desafiar as citações de alguém pode revelar-se perigoso: "você pode passar por pedante ou agressivo". No entanto, cabe questionarmos: será que o objetivo dessas reuniões da "massa pensante" , da "nata intelectualóide" não são, a rigor, justamente claras demonstrações de pedantismo regadas por uma agressividade velada? Sim. O são, e por isso mesmo, lançar mão de um manual como este soa apropriado e até mesmo necessário, isto constitui-se na mais genuína tática de guerrilha, autodefesa pura, acredite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;"Massa crítica", "Desconstrução", "Situacionistas", " Gênero" e "Hipermodernidade" são outros conceitos explorados pelos autores e que fazem o público leigo, a mesma massa acéfala da sociedade, aquele 1% da população mundial que não leu Dostoiévski e tão pouco já ouviu falar em Hegel, entender um pouco os maiores pensadores da Filosofia até hoje, e isto significa dizer que o livro vai de Sócrates, como dissemos, até Zizek.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Além de mergulhar o leitor numa verdadeira aula de filosofia bem descontraída, também podemos sempre nos deliciar com a ficção construída pelos autores, sobretudo no que diz respeito aos perfis psicológicos de alguns tipos com os quais podemos nos deparar quando estivermos inseridos numa reuniãozinha de egos desse tipo. Não raramente encontraremos certos tipos dos quais devemos nos proteger de alguma forma, como, por exemplo:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;strong&gt;1 - Jornalósofo:&lt;/strong&gt; [...] o sujeito não é, ou não é exclusivamente, filósofo; &lt;em&gt;ad minima&lt;/em&gt;, fez estudos de filosofia, recusando energicamente o rótulo de 'jornalista', embora tenha pelo menos um programa de rádio, uma crônica num noticiário e artigos regulares publicados na impresa diária regional [...] É facilmente reconhecido pelo visual. Num jantar superchique, ele aparece de gola rolê, conciliador e sem afetação, exibindo extrema smplicidade, realçada por sandálias e dar inveja aos franciscanos". (p.24)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;strong&gt;2- O antenado&lt;/strong&gt;: "Ele não é desses intelectuais para quem a filosofia termina onde a vida começa, a verdadeira. Para ele, 'D &amp;amp; G' não evoca apenas o binômio Deleuze-Guatarri, mas também uma célebre grife de moda. [...]. Baixinho, olhar faiscante por trás dos óculos de aros de metal, lembra vagamente um John Lennon diretor de cinemateca". (p.31)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;strong&gt;3- O musicólogo pirado&lt;/strong&gt;: " Casaco de couro, &lt;em&gt;blue suede shoes&lt;/em&gt; e mecha grisalha. (p.35)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;strong&gt;4- O neo-hippie&lt;/strong&gt;: " adepto de valores autênticos, apóstolo do trabalho em cooperativa e do estilo &lt;em&gt;ethnic chic &lt;/em&gt;[...] expelindo superficialidades com uma voz meiga e um sorriso digno do buda alcançado o último degrau da verdade, ele vê filosofia em tudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;strong&gt;5-O vilão&lt;/strong&gt;: " Você fala das próximas férias? Ele anuncia com fleuma que está de partida para a Coréia do Norte [...]. O assunto é política? Opõe-se categoricamente à independência do Kosovo e improvisa uma homenagem póstuma a Milosevic. [...]" (p.74)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Sem dúvida, seja qual for a "cena" do momento, não poderemos nos desvencilhar deste tipo de reunião; acredite: cedo ou tarde você se verá enrascado, metido numa destas circunstâncias em que o que mais importa é arrotar eloquência e destilar um veneno pseudo-cultural. Filosofia pode não ser o prato principal sempre; é possível que você tenha que trazer na manga um manual específico sobre cinema &lt;em&gt;novele vague, &lt;/em&gt;expressionismo alemão, vanguarda literária, estar a par do que se passa na cena cult berlinense, e , claro, saber quem está na capa da Bravo! do mês. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Devemos também saber nos portar, vestirmo-nos com acessórios &lt;em&gt;vintage&lt;/em&gt;, utilizar maquiagem demais ou de menos (nunca o razoável), também devemos ter em mente, tal como dito no livro, uma ou duas citações, de cabeça, mesmo, isto é imprescindível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;As preferidas do momento são as que fazem referência ao Pequeno Príncipe, se você for mulher, digo, uma mulher no início da fase adulta, beirando os 25 anos, certamente terá que trazer no bolso uma citação de Clarice Lispector, algo que fale de "dor", "vazio" e "medo", não necessariamente nesta ordem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Falar de Freud também pode ser interessante, mas acredito que os autores pós-modernos estejam mais em voga. Citar Debórd, Susan Sontag e Zizek fazem toda a diferença, isso demonstra que você é alguém extremamente sábio e antenado no que acontece atualmente. Não podemos esquecer também de citar em algum lugar, qualquer que seja, uma referência à Chico Buarque, Clara Nunes ou Cartola ( que ficou mais conhecido pela multidão quando do lançamento do filme &lt;em&gt;Cazuza&lt;/em&gt;, verdade tem que ser dita).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Uma gafe? Citar poesia talvez não seja nada bom. É considerada uma arte menor, pois, qualquer obtuso é capaz de decorar um "Soneto da Fidelidade", quero ver mesmo é entender " Deus está morto", de Nietzsche. Outra coisa também que poderá prejudicar-lhe é não saber francês, sequer um "L'amour"? Vire-se com o que souber, nem que seja um &lt;em&gt;Eau de parfum&lt;/em&gt;. Tudo vale a pena, se a alma não é pequena , acredite, tudo depende do sotaque, muitas vezes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Bem, a despeito da minha vontade, a lista termina aqui; porém a cada dia que passa descubro novas artimanhas , novos interesses e trejeitos da população pseudo-cult com a qual convivo , mesmo contra vontade. Por ora, contento-me com meus próprios conselhos e com as pérolas graciosas do &lt;em&gt;manual,&lt;/em&gt; que, com certeza, se não me fará mais culta, ao menos me oferece a oportunidade de rir muito dessas circunstâncias tão entediantes. Mais que recomendo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-6571888982535644063?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/6571888982535644063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=6571888982535644063' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/6571888982535644063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/6571888982535644063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2009/12/sobrevivendo-um-papo-cabeca.html' title='Sobrevivendo a um papo-cabeça'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SzbmLc6u-kI/AAAAAAAAAhk/4OYI1D49se4/s72-c/PEQUENO_MANUAL_DE_FILOSOFIA_PARA_SOBREVI_1232316014P.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-7310060642033077793</id><published>2009-12-23T00:21:00.008-02:00</published><updated>2009-12-23T00:46:57.835-02:00</updated><title type='text'>A visão em Paralaxe aplicada à relacionamentos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SzGD8S0nCQI/AAAAAAAAAe0/wI3XcvyVrY0/s1600-h/131008_2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418256898571307266" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 127px; CURSOR: hand; HEIGHT: 181px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SzGD8S0nCQI/AAAAAAAAAe0/wI3XcvyVrY0/s200/131008_2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Paralaxe significa, de acordo com o dicionário Houaiss, mudança ou deslocamento aparente de um objeto quando se muda o ponto de observação. Em 2009 , um dos mais atuantes pensadores do recente século XXI, Slavoj Zizek lançou, pela editora Boitempo "A visão em Paralaxe". Eu, que ainda não li o livro, mas pretendo, venho aqui achincalhar o conceito de Zizek e aplicá-lo, da maneira mais esdrúxula possível, a um dos temas mais interessantes e que sucita diversas questões: os relacionentos entre homens e mulheres.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Antes de tudo, digo que isto aqui não é nenhum manual de instruções e, direi logo também que é inevitável a paralaxe, de outro modo, não podemos jamais evitar que a paralaxe invada nossos relacionamentos e nos faça deslocarmos, tal como meros objetos, objetos de desejo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Feito o preâmbulo, farei as considerações as quais acho necessárias, visto que não poderemos jamais impedir que a paralaxe se entranhe em nossas relações. Portanto, o que segue são algumas características do dado fenômeno associado aos relacionamentos:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;1 - A visão em Paralaxe no relacionamento consiste nas constantes modificações que sofreremos enquanto pertencermos à classe de meros objetos do desejo do Outro. Logo, entendamos:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;a) Se o objeto para você (namorado/marido/amante) inicialmente é visto como alguém rodeado de características positivas, extremamente interessantes, saiba, isto mudará: a paralaxe atuará da maneira mais cruel, destituindo o Outro de qualquer significado mágico/místico , a isto se chama: mudança de paralaxe. Em outros termos: desapaixonamento/abuso/desamor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Lado negativo: você será destituído de todas as qualidades douradas e áureas através das quais você foi alçado à posição de objeto de desejo privilegiado. A você não caberá nenhum tipo de argumentação, não adianta vestir-se melhor, maquiar-se melhor, emagrecer, engordar, falar baixo ou falar alto: quem te olha, o observador, já terá mudado de posição e a partir deste novo lugar, você não é tão interessante mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Lado positivo: O observador também é observado pelo objeto, logo, ele não mais será essas coca-colas todas; a paralaxe atua para ambos os lados. Isso é legal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;SITUAÇÕES COMUNS PARA EXEMPLIFICAR A VISÃO EM PARALAXE:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;a: &lt;strong&gt;Interesse imediato&lt;/strong&gt;: " Fulana/o me ama?" "Droga, olhando direitinho, e por esse ângulo, fulana não me é mais interessante"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;b: &lt;strong&gt;Pedido de atenção&lt;/strong&gt;: " Fulana/o precisa de mim? " Droga, vendo por este lugar, fulana/o não me é mais interessante"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;c: &lt;strong&gt;Acordo mútuo de Companheirismo&lt;/strong&gt;: "Fulana/o finalmente me aceita como seu par? " "Droga, vendo aqui de mais pertinho, fulana/o não me é mais interessante"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;CONSELHOS A SEGUIR DIANTE DA PARALAXE INEVITÁVEL:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;1 - Ñão lute contra a paralaxe, você um dia será desinteressante&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;2- Um dia do objeto, outro do observador&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;3- Tal como dizia Woody Allen, a humanidade é hipócrita e certamente um homem sentir-se-ia decepcionado com o clube que o aceitasse como sócio ( isto vale para namorados e namoradas)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;4- Quem tem o mel, dá o mel, quem tem o fel , dá o fel ( filosofia popular muito acertada)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;5- A paralaxe não perdoa ninguém, o que devemos saber é nos adequar a ela&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;6 - Um dia você é a roupa nova; noutro, o trapo ( depende do ângulo do observador)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;7 - Diante disto tudo, nos cabe apenas sublimar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-7310060642033077793?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/7310060642033077793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=7310060642033077793' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/7310060642033077793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/7310060642033077793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2009/12/visao-em-paralaxe-aplicada.html' title='A visão em Paralaxe aplicada à relacionamentos'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SzGD8S0nCQI/AAAAAAAAAe0/wI3XcvyVrY0/s72-c/131008_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-5945444792149844899</id><published>2009-12-01T16:07:00.005-02:00</published><updated>2009-12-01T16:50:37.866-02:00</updated><title type='text'>Nem Pasárgada nem Canaã: "As cidades de Freud"</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SxVk-e9bwAI/AAAAAAAAAeE/v73ZKerSeW0/s1600/Freud.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410341551980920834" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 134px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SxVk-e9bwAI/AAAAAAAAAeE/v73ZKerSeW0/s200/Freud.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;em&gt;" A psicanálise é projetada como uma cidade sem muros e sem fortificações, como uma ‘fábrica do pensamento’ , livre para a pesquisa e governada por uma única política, a da ética. É totalmente diversa da cidade utópica ou da cidade celeste que se fundamentam no princípio de uma harmonia necessária”.&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;em&gt;Giancarlo Ricci&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Em um livro que mais se parece um diário de viagem, Ricci guia o leitor pelas cidades maravilhosas que fizeram parte do itinerário de um viajante ilustre: Sigmund Freud. Suas constantes idas e vindas, seus trajetos por vezes labirínticos , tal como Ricci os avalia, outrora montanhosos contribuiram para a elaboração e desenvolvimento do arcabouço teórico da chamada "bruxa metapsicologia freudiana", a Psicanálise.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Em &lt;em&gt;As cidades de Freud&lt;/em&gt; ( Zahar, 2005), Ricci nos apresenta a geografia, os sotaques diferentes, os hábitos e costumes de cidades pelas quais Freud perambulou e sem as quais seria mesmo difícil imaginar o desenvolver da história do movimento psicanalitico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Assim o autor nos guia por Viena, Berlim, Frankfurt e mais outras 37 cidades as quais tiveram extrema importância para o pensamento freudiano. O mais interessante parece ser o artifício que Ricci utilizou: as próprias palavras do pai da psicanálise. Servidos de trechos retirados das correspondências de Freud para sua noiva, Martha Bernays, do amigo Fliess e do futuro desafeto Jung, Ricci nos leva a conhecer ainda mais o homem Freud por trás do criador da teoria psicanalítica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Assim, somos levados em seis capítulos a mergulhar no relevo montanhoso de Karlsbad e quase enxergar suas águas termais as quais tão bem faziam à saúde de Freud, também conhecemos um pouco da impaciência de Freud diante da agitada Paris, pois, segundo confidencia à noiva o médico austríaco:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;" A cidade e as pessoas eu as sinto estranhas, parecem de um tipo absolutamente diferente do nosso; acho que são todos possuídos por mil demônios... Tenho a impressão de que não são capazes nem de vergonha nem de horror, todos - homens e mulheres - aglomeram-se igualmente em torno da nudez da vida como dos cadávares da Morgue e dos cartazes horripilantes afixados pelas ruas..."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;(Ricci, 2005, p. 64)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Ora, era o espanto de um homem que sempre se julgara, possuir , em essência " um coração alemão-provinciano" diante das aglomerações, dos cafés e da agitação da grande Paris que nada lembrava a natal Morávia. Freud também, como Ricci sustenta, não gostava de Viena; não seria exagero também dizer que Viena era odiada por Freud com a mesma força com que odiava o jovem médico das histéricas. De acordo com o autor de As cidades de Freud, Viena pode ser considerado o ponto mais baixo do itinerário da viagem de Freud rumo à cidade da Psicanálise.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Nesse momento, cabe perguntar: se Viena é o ponto mais baixo, qual seria, então, o clímax desta viagem pela qual o homem Freud percorre e transgride os próprios limites rumo à cidadania única, a cidadania da cidade psicanalítica?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Não seria puro acaso a nacionalidade italiana de Ricci: a cidade considerada o marco, o cume desta "viagem de uma vida", era Roma, a qual, segundo nos informa o autor, sempre fora protelada, como que deixada para depois no itinerário freudiano. Depois de ter percorrido Palermo, Veneza e Milão, Freud finalmente visita a cidade de seus sonhos e de seu herói Aníbal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Um lugar simbólico, sem dúvida, que representa também um divisor de águas para a história da psicanálise: Em 1901 Freud chega à Roma e pela primeira vez pode-se dizer que já há um esboço de psicanálise, um mapa bem delimitado ( A Interpretação dos Sonhos tinha sido lançada um ano antes, marcando um novo início para a teoria).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;O itinerário, depois de ultrapassar esta primeira fronteira, não se esgota: ainda há muito a percorrer, pessoas a conhecer e , sem dúvida, Freud foi um aventureiro viajante rumo a um lugar que nem mesmo ele sabia precisar ou localizar: a riqueza de sua própria invenção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Assim, acompanhamos esta viagem e com o passaporte na mão chegamos ao Novo Mundo: A América do jovem Brill, a América que hoje denigre e pinta com cores outras o esboço que o precursor deixou-nos de herança. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;De acordo com o que se sabe, através da biografia de Ernst Jones, Freud murmurou nos ouvidos de um amigo, logo ao avistar a Estátua da Liberdade: "Mal sabem eles que estamos a lhes trazer a peste". Honrado pela Universidade de Worcester, em Massachussets, querido por muitos acadêmicos como William James, Freud conhece Nova York, Worcester e nada do que vira ali, no Novo Mundo, lhe enche os olhos: continua achando tudo muito cansativo, comemorando a volta ao seu velho continente , como escreve para a filha Mathilde: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;em&gt;" Estou muito feliz por estar de volta e ainda mais feliz por não ter que viver na América".&lt;/em&gt; ( Ricci, 2005, p.144).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Parece que Freud já previa, podemos arriscar, os riscos que sua psicanálise sofria em nome da adequação ao &lt;em&gt;american way of life.&lt;/em&gt; Sem dúvida o pragmatismo e o puritanismo americanos contribuiram para uma coisa outra que foi criada no lugar da teoria do inconsciente freudiano; a chamada &lt;em&gt;Ego Psychology &lt;/em&gt;emerge no continente americano fazendo o inconsciente desaparecer e transformando o psicanalista em meros "espremedores de cérebro" ( Ricci, 2005, p. 142).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;À despeito desta mediocrização que sofre a psicanálise em solo americano, Freud continua suas viagens, dá prosseguimento a seus novos empreendimentos, às vezes retornando à velhas questões que nunca pareciam saciadas, resolvidas ( vide o caso de Moisés e as várias vezes em que Freud retorna à mesma questão), noutras anunciando novos conceitos, novas inspirações, como se estivesse sempre vindo de Karlsbad , a cidade termal de que eu já falei.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;em&gt;As cidades de Freud&lt;/em&gt; nos mostra um viajante, um homem de seu tempo, preocupado com a ética da nova disciplina que criara, um judeu que não utilizava a origem para vitimizar a si e nem a seu povo, um homem cuja laicidade auxiliou o desenvolvimento de sua própria metapsicologia, que, se não pode hoje ser entendida como um percurso acabado, um projeto concluído, tampouco este fato torna , nós, psicanalistas, psicológos ou somente curiosos da área psi, menos aptos para fazermos nós mesmos os nossos próprios mapas, seguindo as nossas próprias rotas rumo à cidade psicanalítica a qual Freud alcançou, no fim de sua vida, ele mesmo um homem originalmente de fronteira, nos ensina a romper os limites e ir mais longe. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;É a isto que Ricci nos convida neste instigante e belo livro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-5945444792149844899?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/5945444792149844899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=5945444792149844899' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/5945444792149844899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/5945444792149844899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2009/12/nem-pasargada-nem-canaa-as-cidades-de.html' title='Nem Pasárgada nem Canaã: &quot;As cidades de Freud&quot;'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SxVk-e9bwAI/AAAAAAAAAeE/v73ZKerSeW0/s72-c/Freud.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-8411615039591006891</id><published>2009-11-24T15:04:00.009-02:00</published><updated>2009-11-24T20:59:56.069-02:00</updated><title type='text'>O conto do derradeiro dia</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/Swwf9Bvz0CI/AAAAAAAAAd0/NrMZLQcOtBs/s1600/leite-1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407732385866567714" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 179px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/Swwf9Bvz0CI/AAAAAAAAAd0/NrMZLQcOtBs/s200/leite-1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Acordou. Eram sete horas de uma manhã que levantava cinzenta, sendo o cinza o prenúncio do que viria a ser o último dia de sua vida, vã em quase todos os momentos, mas com relances de interessantismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Estava decretado, por alguma ordem divina, que aquele seria o derradeiro dia de sua existência: preparou-se para levantar, posto que tudo que até agora turvava seus pensamentos apareciam em sua mente ainda sem a companhia dos olhos, estes estavam preguiçosamente fechados, à espera de algum comando, de um som qualquer, do bater de asas de uma andorinha. Eram olhos fechados que inauguravam aquele dia, dia em que tudo findaria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Acordou-se, ou, dizendo de maneira mais correta, abriu a fina cortina que trazia diante dos olhos, oferecendo-os àquele cinza e aos raios de sol que não vinham. Tão logo registrava o mundo, as nuvens e o céu, sentiu a necessidade premente de alimentar-se: o estômago companheiro reclamava o de comer e era preciso atendê-lo para acabar com todo aquele protesto em forma de sons estranhos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Preparou para si mesmo um copo de leite o qual, cuidadosamente, colocou numa bandeja, ao lado de uma manga: assim, pensou, seria mais fácil suportar a morte que inadiavelmente aconteceria. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Era preciso adiantar o processo, uma vez que do destino último nada ou pouco se sabe, e, por &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;questão de evitar fila, era necessário apressar de vez o último suspiro, era mesmo imprescindível abrir a porta à ceifadora antes que ouvisse as primeiras e temidas batidas na velha madeira.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Com desdém olhou para o copo de leite: era muito , certamente seria o suficiente para fazer a passagem deste para outro mundo de barriga cheia, sem reclamações ou protestos estomacais de qualquer espécie. A manga seria apenas para facilitar o acesso rumo ao desconhecido, pensou sem titubear: se é para ir, que seja de uma vez e sem delongas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Depois de sorver o leite e chupar a manga que em nada lembrava as frutas maravilhosas que colhia no pomar de sua mãe, memórias de sua doce infância, repleta de igualmente doces jaboticabas e melancias, deu prosseguimento ao penoso processo de adiantar a vindura da morte.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Foi quando atentou para o fato de que somente se preocupou em tomar o leite e chupar a manga, mas esquecera do mais urgente: era preciso virar as chinelas, isto era de lei e não poderia faltar nos preparativos derradeiros.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Tirou as velhas chinelas e virou-as de sola para cima, imaginando ser este um gesto de mau agouro, e, se o mau agouro honrasse seu nome, certamente adiantaria em uma ou duas horas a morte inescapável. Era preciso, sim, virar as chinelas, como não pensara nisso antes? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Certamente deveria tê-lo feito ao levantar, antes mesmo de calçá-las, esse retardo, sem dúvida, retardaria também o início do seu fim.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;De qualquer forma, fê-lo: virou as chinelas e já achava que tê-lo feito era melhor do que andar por aí, calçado, somente esperando morrer por ter tomado leite e chupado uma manga. Tudo parecia muito bem, todos os rituais estavam sendo seguidos e isto com certeza lhe daria algum respaldo quando qualquer um outro falasse destas conversas de deixar a vida, de ir para outro plano ou outra existência.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Porém, nada poderia ser tão perfeito se não fosse um esquecimento: Não ouvira um pio de coruja , nenhum, durante a madrugada. Isto o deixou perplexo: "Como pretendo antecipar a minha morte se não há sinal qualquer de coruja, nenhuma lembrança, mesmo que vaga, de ter ouvido nada, nem um piozinho sequer anunciando a chegada da indesejada das gentes?", constatou.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Não, isso não estava certo, urgia substituir o pio da coruja por algo que assegurasse a eficiência dos últimos momentos rumo à eternidade. Pensou no mais óbvio sinal de azar: o gato preto. Sim! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;E porque não, se este não aparecia apenas à noite, se este era mesmo um animal doméstico e melhor, se era tão acessível?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Eis que surge a idéia: foi ao encalço de Benedito, um gato preto e tísico o qual sempre passou por maus bocados mas que, insistentemente, costumava posar diante da morte com um ar de escárnio, de superioridade, como se não a temesse. Benedito, sim! apesar de desafiar a ceifadora, seria ele o melhor substituto do pio da coruja. Acreditava que se o gato gastava seu tempo a se esquivar habilmente da própria morte, sem dúvida a desviaria de si mesmo ao colocá-la face a um outro inimigo, maior, humano, que era para se dar uma morte melhor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Desejou ser ele mesmo o substituto do gato quando a morte viesse buscar alguém. Benedito, que já vinha fazendo uso da oitava vida, se não demonstrou repúdio à idéia, tampouco se fez de rogado em aparecer e dar umas voltinhas diante de seu dono. Continuou, então, todo faceiro, passando para lá e para cá, esperando ser ele uma espécie de coruja piando e trazendo todos os mau agouros possíveis em seus tímidos, porém expressivos miados.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Depois de achar o gato, virar as chinelas, tomar o leite e chupar a manga, pensou: " Agora é que ela vem mesmo, sem dó nem piedade, ceifar-me a vida como sempre tem feito por ofício, agora sim, é o momento e não haverá nada além disso, uma morte rápida e rasteira, uma espécie de suspiro e pronto...outro espaço, outra vida, nuvens? Fogo? Harpas? Não se sabe, a única certeza que se tem é que ela vem e que será lépida, ágil", empolgou-se.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Nada de alvoroço, nada de meses em unidades de tratamento intensivo. Ela virá como vem o vento minuano nas querências gaúchas, ela virá como uma estrela cadente que poucos conseguem acompanhar. Virá como um cometa, como um espirro, será eficiente e cumprirá seu papel com maestria. Nada de extrema-unção; não haverá tempo. Nada de último desejo, tampouco restará consciência para sequer imaginar um último pedido. Ela virá como um furacão e levará aquilo que sempre foi uma existência pacata, por vezes morna, mas nunca arrebatadora.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Diante de todos os preparativos percebeu-se plácido, calmo, como sempre fora em vida: sentou-se, leu as primeiras notícias de seu último dia e pensou: “ É, a bruxa está solta...”. Foi quando atentou para um dos mais simples rituais e que, porém, esquecera de seguir: Procurou a primeira escada que desse com as vistas para passar por debaixo dela, porém, seria preciso sair de casa, pois lá não havia sequer qualquer escadinha de três, quatro degraus, tudo isto parecia já cansativo, mas, pensou, o que seria mais um último cansaço diante daquela vida quase sempre entediante? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Por que não dar um derradeiro passeio, contemplar as últimas flores que insistirão em florescer mesmo quando seus olhos virarem comida de minhocas? Vá lá, a morte requer certos sacrifícios, e era preciso fazê-los, nem que fosse para morrer em paz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O fato de andar pela rua já poderia adiantar em muito o processo, concluiu. Por isso, preparando-se para sair de casa, resolveu dar várias chances ao azar e com isto talvez chegasse a sua morada final com muitas horas de antecedência na frente de muitos outros que certamente estariam cansados, em fila, tendo passado por uma morte mais difícil.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Deixou todas as portas destrancadas, que era para pegar o ladrão desprevenido, procurou sair também com todo o dinheiro de que dispunha em mãos: não era uma soma alta, mas era alguma coisa para qualquer um que fosse menos privilegiado pela vida ou pelo destino. Saiu com notas de cinqüenta reais na mão esquerda, levando Benedito à coleira, sem chaves ou carteira. Seguiu seu caminho com passos calmos, como se não houvesse pressa alguma no mundo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Não pôde deixar de notar os olhares curiosos: não era todo dia que se via um homem de ceroulas azuis, descalço, com um gato preto numa coleira e notas visivelmente esmagadas na mão. Todos olhavam-no e ele parecia trazer no peito um desejo tão bravio, uma coisa de herói destemido, não temia ladrão, queria mesmo que estes chegassem e lhe atacassem, levassem seu dinheiro e sua vida, isso estaria nos planos da ceifadora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Também queria ser visto, mesmo que tivesse passado toda a vida se escondendo dos olhos de quem quer que fosse. Um exibicionismo último não lhe cairia mal, pensara enquanto formulava alguma frase engraçada para ser colocada em sua lápide.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Seguiu seu rumo e só parou quando avistou a escada e não hesitou: preparou-se, deu o último suspiro e seguiu, pronto para passar por baixo daquela estrutura de metal enferrujado. No entanto, como esta vida pode ser tudo, menos justa, nada acontecera e a escada não funcionou como um portal para outra vida, longe disso. Era apenas uma escada enferrujada, mas, se não morreria pelo simples trabalho do mau agouro, morreria de tétano se seus dedos dessem com alguma espécie de prego enferrujado, animou-se.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Passou algumas horas a passar por baixo da velha escada até que cansou e seguiu para sua casa. Lá voltando, encontrou tudo como antes: nenhum sinal de arrombamento, nenhum sinal de intruso, era ele, sozinho, se deparando com o espelho. Aquela figura já patética, praticamente nu, aparentava cansaço, mas, pelo que pôde observar nos próprios olhos, não aparentava tédio; aquele último dia fora bastante movimentado, diria certamente a quem quer que lhe interrogasse, nos lados de lá.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Deprimiu-se pela última vez com sua aparência, Foi até a cama e pensou que esperar pela morte deitado seria muito mais conveniente, uma vez que nunca viu ninguém ser enterrado em pé. Deitou-se para vê-la chegar e , quando ela chegasse, não poderia ter nenhum reflexo, nenhum ímpeto de lutar contra a voraz inimiga: até aí a preguiça já teria consumido todos os seus ímpetos ou impulsos, tudo isto que nunca usara em vida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Deitou-se e lá ficou, a esperar a eternidade, que, face o adiantado da hora, certamente não viria mais. Resolvera dormir porque durante a noite a tal coruja piaria e estaria, enfim, completo o ciclo de uma vida lastimável. Se não fosse hoje, pensou, de amanhã não escaparia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-8411615039591006891?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/8411615039591006891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=8411615039591006891' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/8411615039591006891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/8411615039591006891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2009/11/o-conto-do-derradeiro-dia.html' title='O conto do derradeiro dia'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/Swwf9Bvz0CI/AAAAAAAAAd0/NrMZLQcOtBs/s72-c/leite-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-2886690028612352660</id><published>2009-11-12T04:01:00.016-02:00</published><updated>2009-11-12T04:35:32.308-02:00</updated><title type='text'>Entre o noir, o desejo, a comédia e o masculino: Uma possibilidade de falar de Abraços Partidos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SvunyNjC1bI/AAAAAAAAAdU/96Sook6Sdfk/s1600-h/los-abrazos-rotos-cartel1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403096659032987058" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 140px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SvunyNjC1bI/AAAAAAAAAdU/96Sook6Sdfk/s200/los-abrazos-rotos-cartel1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;“Há que se terminar os filmes, mesmo que seja às cegas”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Com esta frase, encerra-se o mais recente filme de Almodóvar, &lt;em&gt;Abraços partidos&lt;/em&gt;, ou, &lt;em&gt;Los Abrazos rotos&lt;/em&gt; (Espanha, 2009). Com Penélope Cruz e Lluiz Homar nos papéis protagonistas da película, observamos um retorno do cineasta espanhol ao universo &lt;em&gt;noir &lt;/em&gt;dos estúdios hollywoodianos tão bem explorado em &lt;em&gt;Má Educação&lt;/em&gt; (2004), pois, apesar de haver, no meio crítico, freqüentes discussões a respeito do que seria um filme &lt;em&gt;noir&lt;/em&gt; - ou seja, o filme que ficou conhecido por privilegiar locações luxuosas, narrativas densas a respeito, não raramente, dos psicologismos e desvios de caráter das personagens ( em sua maioria femininas) – não se pode negar a inspiração e a alusão a este estilo de filme em Almodóvar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;Abraços partidos&lt;/em&gt; trata da história de um escritor sobrevivente de um desastre que lhe provocara um tipo de cegueira irreversível. Mateo Blanco ou Harry Caine (impossível não pensar na sonoridade deste nome e a sua similaridade com a palavra inglesa Hurrycane, em português Furacão). Revelado ao espectador como uma narrativa não linear, o filme apresenta um &lt;em&gt;flashback&lt;/em&gt; do passado de Mateo Blanco por ele mesmo editado, na forma de uma conversa com Diego, como diz a personagem de Mateo, antes de fazer cinema gostava muito de contar histórias, isto, de antemão, adverte o espectador que, nem tudo no relato pode ser verossímil, por via das dúvidas, estamos diante de uma história contada pelo narrador de quem a verossimilhança do relato depende e sobre a qual o espectador, tal como Diego, jamais terá garantias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Tal como Diego, o espectador é levado à gaveta na qual Mateo ou Harry Caine, guarda as lembranças mais importantes de seu passado. Em meio a fotos rasgadas, cadernos e álbuns de fotografia, conhecemos um pouco da vida de Mateo, ou suas mais importantes passagens que levariam a compreensão da sua trajetória de vida, mais especialmente no período entre 1992 e 2008 – época atual em que se passa a conversa de Mateo/Harry e Diego.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Não se pode esquecer que a gaveta aberta por Diego e que dá mote à narrativa também guarda os segredos que serão revelados no decorrer do filme, dando-lhe todos os elementos e matizes de um bom filme &lt;em&gt;noir.&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Tal como Diego, bisbilhotamos a relação entre Mateo e Judit, agente de Mateo, através das fotos guardadas, bem como somos apresentados a personagens importantes que farão parte do enredo que conheceremos a seguir: o retrato de Madelena, interpretada por Penélope Cruz, a figura de Ernesto Martel filho, atualmente conhecido como Raio-X.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Assim como a gaveta, a folha de jornal impresso também apresenta ao espectador a figura de Ernesto Martel, uma espécie de vilão do filme, cuja morte noticiada torna vívidas as lembranças de quatorze anos as quais assombram as vidas tanto de Ernesto como de Judit e que motivam a narrativa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Tendo, pois, cumprido a missão de revelar um pouco a trama do universo de &lt;em&gt;Abraços partidos&lt;/em&gt;, cabe agora fazer menção ao homem que idealizou tudo isto, e, sobretudo, porquê este filme já tem sido considerado mais uma obra-prima deste cineasta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Em “Conversas com Almodóvar” (Jorge Zahar, 2008), Fréderick Strauss, importante jornalista a quem o cineasta deu inúmeras entrevistas desde o início de sua carreira, no começo da década de 80 até a atualidade, sustenta que Almodóvar filmou “a linha reta do desejo com o que ele tem de espetacular quando é definido como alvo. Mas também, e ao mesmo tempo, a curva sinuosa que todas as histórias de desejo percorrem” (Strauss, 2008, p.10).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Um retorno ao masculino?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Com isto, é correto afirmarmos que, esquecendo o universo &lt;em&gt;Kitsch,&lt;/em&gt; o melodrama, a comédia escrachada que atravessa tantas vezes a obra do cineasta – temos bons exemplos disso tanto em &lt;em&gt;Kika&lt;/em&gt; (1993) como em &lt;em&gt;Maus Hábitos&lt;/em&gt; (1983) – Almodóvar interessa-se pelas vicissitudes do desejo, nunca abandonando esta temática em seu discurso fílmico. Assim, se temos em &lt;em&gt;Kika&lt;/em&gt;, o disparate, a relação sexual que teria tudo para ser traumática transformada surpreendentemente em comédia, temos em filmes como &lt;em&gt;A lei do Desejo&lt;/em&gt; (1987), &lt;em&gt;De salto alto&lt;/em&gt; (1991) , e mais recentemente &lt;em&gt;Má Educação&lt;/em&gt; (2004) e &lt;em&gt;Volver &lt;/em&gt;(2006) , a temática da ditadura do desejo, seus caminhos e descaminhos os quais, por vezes, levam às personagens a viverem vidas que apagam ou, possivelmente, atenuam os limites existentes entre comédia e tragédia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;Abraços Partidos&lt;/em&gt; não é diferente: percebemos como o desejo é subjacente a toda narrativa, seja na figura de Raio –X, Ernesto Matel filho, desejoso de tornar Mateo o escritor de um filme idealizado para denegrir a figura paterna autoritária e castradora, seja no desejo recôndito da personagem Judit, para quem o próprio desejar tornou-se motivo de amargura e angústia, ou mesmo no desejo de Madalena, representado não somente pela vontade de representar, de ser atriz, mas de viver com um homem cujo poder e obsessão não se tornasse moeda de troca no relacionamento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Em recente crítica veiculada pela revista &lt;em&gt;Bravo!&lt;/em&gt; deste mês, o jornalista Paulo Nogueira contempla o lançamento de &lt;em&gt;Abraços partidos&lt;/em&gt; e o considera como o filme que reconcilia Almodóvar com as personagens masculinas densas e com maior carga dramática. Segundo o que sustenta o jornalista, em &lt;em&gt;Abraços Partidos&lt;/em&gt; encontra-se um Almodóvar sempre magistral, mas, desta vez, mais brilhante, posto que retorna ao masculino depois de uma longa carreira focalizando o universo psicológico feminino, fazendo deste um ponto central de sua obra.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Pelo que percebe o leitor de &lt;em&gt;Bravo!,&lt;/em&gt; Nogueira regozija-se deste retorno de Almodóvar ao masculino, porém, há algo que o crítico não menciona ou mesmo fez questão de não relacionar ao filme: a importância do feminino como o que promove a movimentação do desejo das personagens masculinas, mais especificamente: Diego, Mateo/Harry e Ernesto Matel.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Dizendo de outra forma, concordo com Nogueira quando este sustenta que nunca houve na filmografia de Almodóvar outra personagem masculina tão rica e densa como Mateo/Harry. No entanto, não falar da importância, muitas vezes velada, mas constante, do desejo feminino movendo a narrativa de maneira quase invisível , incorre, no mínimo, em desatenção: É a personagem de Judit que toma a cena e esclarece muitas questões que Mateo/Harry desconhecia sobre seu acidente, sobre o destino da verdadeira película &lt;em&gt;Chicas y Maletas&lt;/em&gt; que escreveu e cujo protagonismo era de Madalena (Pina), culminando, também, com a revelação da paternidade de Diego, filho de Judit.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Assim como o aparente secundarismo da personagem de Judit, não se pode esquecer que o destino de Madalena foi selado pela obsessão e pelo amor psicopata de seu amante, Ernesto Matel, poderoso empresário cuja residência impressiona pelo simbolismo fálico – não se pode esquecer dos quadros de revólveres que aparecem a todo tempo nas cenas feitas neste cenário – parece não conhecer os desejos de sua amante, a cena dos dois em Ibiza após o coito demonstra a ignorância do homem poderoso face ao desejo de Madalena: será que ela ficara feliz por imaginar seu amante morto? Relacionado a essa ignorância sobre o desejo feminino, tem-se aparecimento da personagem que não tem nome, mas é paga por Martel para ler os lábios de Madalena nas cenas de um documentário das filmagens de &lt;em&gt;Chicas y maletas&lt;/em&gt;, feitas por Raio-X.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;A comédia em &lt;em&gt;Abraços Partidos&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Apesar das alusões ao estilo &lt;em&gt;noir&lt;/em&gt;, do drama psicológico que aproxima &lt;em&gt;Abraços Partidos&lt;/em&gt; do gênero do suspense, não se pode esquecer da comédia, também presente nos filmes de Almodóvar, &lt;em&gt;Abraços Partidos&lt;/em&gt; não seria exceção. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Assim, Mateo/Harry, em 1994 produz &lt;em&gt;Chicas y Maletas&lt;/em&gt;, uma comédia, inaugurando um novo estilo em sua filmografia: desejava tentar algo diferente. Seja nas cenas cômicas do universo do filme produzido por Matel e dirigido por Mateo/Harry que quebram um pouco o clima pesado e intrigante da película real, seja nos momentos finais de &lt;em&gt;Abraços partidos&lt;/em&gt; em que o espectador adentra nas cenas verdadeiras de &lt;em&gt;Chicas y Maletas&lt;/em&gt; – não se pode esquecer as claras referências das cenas do filme com &lt;em&gt;Mulheres à beira de um ataque de nervos (1988)&lt;/em&gt;, também de Almodóvar – está-se diante do inusitado, do cômico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;O desfecho do filme parece uma tentativa de um novo compromisso com o espectador que, se antes se sentia imerso numa atmosfera tensa e intrigante, agora era convidado para entrar noutro universo, o universo do cômico de &lt;em&gt;Chicas y maletas&lt;/em&gt;: somos ejetados dessa realidade cômica a partir do retorno à ilha de edição , às personagens de Judit, Diego e Harry/Mateo, para, enfim, sabermos que estamos chegando ao término da película, pois, como prenuncia a personagem de Lluis Homar: “há que se terminar um filme, mesmo que seja às cegas”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Tantas outras questões do universo almodovariano...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Sem dúvida poderíamos aqui falar de muitas outras questões, e com isso, acredito, estaria tornando este texto mais longo, mais cansativo, o que não se faz objetivo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Poderia falar da presença do vermelho em todas as tomadas do filme (Segundo Almodóvar, o vermelho tanto representava a vida, a luz de sua terra natal, como também sangue, desejo), também da questão do metafilme, ou seja, o filme dentro do filme, a importância do registro cinematográfico para todas as personagens – a onipresença da câmera: ora cumprindo o propósito de filmar &lt;em&gt;Chicas y Maletas&lt;/em&gt;, ora contribuindo para a feitura de um outro filme, do qual pouco se fala , porém, mas nem por isso menos importante: o documentário feito por Ernesto Martel filho sobre as filmagens do filme de Mateo/Harry: A câmera de Raio-X tanto denuncia o romance entre Madalena e Mateo/Harry, como testemunha o acidente envolvendo os dois amantes).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Sinto-me satisfeita por ter dito isso que disse e não mais, seja por falta de oportunidade, ou mesmo de foco. De acordo com o que dizia o próprio Almodóvar: “Todas as diferentes formas de ver o filme têm origem no próprio filme, e por essa razão são todas autênticas e válidas, incluindo as que menos me agradam” (Strauss, 2008, p. 56). Desse jeito, eu percebo que ainda há tanto mais para descobrir em &lt;em&gt;Abraços Partidos&lt;/em&gt;, por hora é isto que vejo, e o bom é justamente isso, ou não seria cinema.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-2886690028612352660?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/2886690028612352660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=2886690028612352660' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/2886690028612352660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/2886690028612352660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2009/11/entre-o-noir-o-desejo-comedia-e-o.html' title='Entre o noir, o desejo, a comédia e o masculino: Uma possibilidade de falar de Abraços Partidos'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SvunyNjC1bI/AAAAAAAAAdU/96Sook6Sdfk/s72-c/los-abrazos-rotos-cartel1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-2526815267504465171</id><published>2009-10-28T00:52:00.007-02:00</published><updated>2009-10-28T01:31:01.376-02:00</updated><title type='text'>A descoberta do mundo ou a descoberta de Clarice</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/Sue5KYMjCTI/AAAAAAAAAag/GHV8srJgPqw/s1600-h/A_DESCOBERTA_DO_MUNDO_1231273933P.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397486266371737906" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 133px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/Sue5KYMjCTI/AAAAAAAAAag/GHV8srJgPqw/s200/A_DESCOBERTA_DO_MUNDO_1231273933P.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;"Sou tão misteriosa que não me entendo"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Clarice Lispector&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Uma vez me falaram algo de que nunca me esqueci: Ler Clarice não é fácil, ler Clarice é angustiante. Eu, acreditando piamente das palavras de quem não parecia mentir, assumi então que era medrosa o suficiente para jamais, sob hipótese alguma, dar com os olhos em linhas assinadas por Clarice Lispector.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Acontece que, por esses mistérios que a vida prega, e , obviamente, seguindo o meu caminho, não pude evitar, um dia, ler Clarice. Mas, vejam bem: não comecei como todos, ainda não li um livro seu, romances, conheço Macabéa apenas do cinema e por ela nutro, em segredo, uma certa amizade, também não sei de onde isto veio, mas veio, e pareço me compadecer de Macabéa, mesmo sabendo dela apenas o que um livro didático de literatura me permitiu saber.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O caminho foi sendo feito até eu chegar nas Crônicas de Clarice; primeiro, "Clarice só para mulheres", dizia respeito às crônicas escritas para jornais brasileiros sob pseudônimos, feitas para divertir e informar as donas-de-casa, ciosas do dever do lar, ocupadas pelos cuidados maternos e envolvidas pelas obrigações conjugais. O livro é interessante e pude ver uma Clarice outra; lê-la, neste momento, não foi nada angustiante, sequer senti uma mísera fagulha de desespero, dor ou desolação; ler esta Clarice me fez entender um pouco mais de ser mulher, me fez saber segredos culinários, estéticos, enfim, nada que lembrasse dor me veio através da pluma de Clarice, talvez, porque com ela compartilhei algo que seria restrito à condição feminina: era isto, eu era mulher, Clarice era mulher, o livro era só para mulheres.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Acontece que nem tudo são rosas silvestres nesta descoberta. Descubro eu mesma outras crônicas, várias, escritas no período que vai de 1968 a 1973, em que vejo uma outra Clarice, uma Clarice, digamos assim, nem sempre leve, nem sempre didática, nem sempre só para mulheres, mas , prioritariamente, essencialmente mulher.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Acredito eu, agora, que Clarice é mais mulher neste, quando assina com seu nome e não mais sob pseudônimos, as crônicas nem sempre saborosas, nem sempre apetitosas, nem sempre feitas para a boa mulher do século XX.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;A descoberta do mundo&lt;/em&gt; ( 1999, editora Rocco), me apresentou a Clarice de que alguns já falavam; a Clarice angustiada, triste e de uma tristeza ininteligível. Clarice, em suas crônicas, revela mais de si do que poderia supor o inocente leitor de "Clarice só para mulheres". Em crônicas como "Pertencer", " Ideal Burguês" e "Ritual", percebe-se o tom nem sempre fácil com que Clarice nos leva pela mão, ela, que a mim parece ter vivido como um ser acuado, com medo da própria existência e dos segredos que ela mesma gostava de ostentar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Não, estavam certos os outros, Clarice não é fácil, tampouco agradável em todos os momentos; confesso que o prazer que retiro da leitura é originada justamente desta esperteza, dessa compreensão aguda que a autora possui da natureza humana, e não estou eu aqui falando mais uma vez de feminices. Clarice mesmo disse que não éramos seres segregados, tão diferentes dos outros. No entanto, o que percebo é que Clarice se mostrou muito mais mulher do que no outro livro que li, o outro, também interessantíssimo , me revelava a máscara social que eu, você e todas nós usamos; aqui e ali podemos notar uma pista de que há algo por trás de máscaras sociais feitas de pepino; algo além de bacias de sal grosso para pés cansados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Este algo mais eu vi em &lt;em&gt;A descoberta do Mundo&lt;/em&gt;. Ora, não seria diferente, e eu agora posso pensar, não seria nada cômodo, tampouco apaziguante, descobrir o mundo, posto que feito de lamentações, de perdas e de solidão. Solidão tão bem expressada na escrita sofrida e desejosa de companhia de Clarice Lispector.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Eu aceitei ser sua companhia, acredito que era isso que ela buscava, uma alma capaz de entendê-la, uns olhos para lê-la e que, com isso, dessem sentido a sua vida, tão arduamente vivida, aguentada. Eu emprestei meus olhos à leitura, mesmo contrariando meus primeiros ímpetos de não adentrar em um universo angustiante, aceitei o desafio: Ler Clarice não é fácil e seu constante apelo à companhia, à cumplicidade, me faz uma espécie de leitor-testemunha, o que nem sempre, ou quase nunca, é reconfortante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Descobrir o mundo não é fácil. A leitura, esta ainda não acabou, posto que o mundo é vasto e o de Clarice me parece sem fim. No entanto, sigo, agora não mais ouvindo da boca dos outros o quão difícil é Clarice, mas sabendo de mim mesma que não, não é tarefa fácil esta que aceitei ao adquirir o livro, mas, justamente por isso, não canso de empreendê-la.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;No fim de tudo ainda não acabei de descobrir o mundo e, caso um dia o faça, será uma decepção para mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-2526815267504465171?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/2526815267504465171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=2526815267504465171' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/2526815267504465171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/2526815267504465171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2009/10/descoberta-do-mundo-ou-descoberta-de.html' title='A descoberta do mundo ou a descoberta de Clarice'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/Sue5KYMjCTI/AAAAAAAAAag/GHV8srJgPqw/s72-c/A_DESCOBERTA_DO_MUNDO_1231273933P.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-1258479166870797527</id><published>2009-10-05T13:21:00.003-03:00</published><updated>2009-10-05T13:53:20.566-03:00</updated><title type='text'>Budapeste: Metalinguagem e identidade</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SsokXkWE_RI/AAAAAAAAAaY/q4jvkk9NXK0/s1600-h/budapeste-filme-01g3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389159891414088978" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 134px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SsokXkWE_RI/AAAAAAAAAaY/q4jvkk9NXK0/s200/budapeste-filme-01g3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;"A palavra metalinguagem, formada com o prefixo grego meta, que expressa as idéias de comunidade ou participação, mistura ou intermediação e sucessão, designa a linguagem que se debruça sobre si mesma. Por extensão, diz-se também: metadiscurso , metaliteratura, metapoema e metanarrativa . "&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Em "E-dicionário de termos literários"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Se eu pudesse resumir o filme &lt;em&gt;Budapeste &lt;/em&gt;em uma palavra, esta seria "Metalinguagem". Ao conhecermos a estória do escritor José Costa , iremos nos aventurar, em língua estrangeira , pelos caminhos que unem e separam duas cidades tão distintas: Rio de Janeiro e Budapeste.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A narrativa diz respeito a um escritor brasileiro que, vivendo uma vida apática e sem sentido, desloca-se por entre duas cidades numa tentativa de encontrar a sua identidade. No Rio, é José Costa, autor de best-sellers, porém, na condição de &lt;em&gt;Ghost Writer&lt;/em&gt;, ou seja, escreve, mas não recebe os louros da obra; escreve para outrem , por outrem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Em &lt;em&gt;Budapeste&lt;/em&gt;, José Costa torna-se Kósta Zsozé, escritor, marido de Kriska (quem lhe ensina a língua húngara, a qual, segundo ela, é impossível de se aprender por livros) e também autor, não de prosa, mas de poesia, o que significa muito: Costa nunca escrevera em português nenhum verso, já em húngaro, viu-se diante do fascínio de uma outra língua, aquela, a única a qual o diabo respeitava, segundo Kriska, e, por isso, tinha que fazer algo, este algo foi: deixar as palavras surgirem assim, no papel pálido, tais como os "Fecse", as andorinhas, em húngaro, cujo bater de asas dava origem à obra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;Budapeste&lt;/em&gt;, baseado no romance homônimo de Chico Buarque, nos fala essencialmente de metalinguagem: o fim do filme deixa esta intenção muito clara em diversos momentos: seja no aparecimento na tela do autor da verdadeira obra, o próprio Chico, seja no olhar que, surpreendentemente José Costa ou Kósta Zsozé nos endereça, depois de nós, espectadores, nos depararmos com a capa do livro fictício escrito pelo Costa, igual à capa do livro de Chico, tudo culminando com a imagem da câmera que filma tudo e parece nos entregar a informação de que tudo é ficção, corroborado pelo apropriado "corta" do diretor que encerra a película.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;Budapeste&lt;/em&gt; fala de entre-lugares, língua, metalinguagem. Melhor dizendo, podemos questionar: O que muda quando deixa-se de ser José Costa para ser Kósta Zsozé? Budapeste e Rio? Prosa ou Poesia? Autor ou &lt;em&gt;Ghost Writer&lt;/em&gt;?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Trata-se da linguagem que fala sobre a própria linguagem, a poesia de quem só se aventurava em prosa é um caminho novo para Costa, tal como a prosa não deixa de ser um caminho novo para aquele que ficou famoso na Música. Mas, em que podemos mais pensar, ao nos surpreendermos com o Amarelo de Budapeste e o azul do Rio de Janeiro?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Pensamos, sobretudo, e não por acaso, no que somos, do mesmo modo que Costa era outro quando se travestia de Kósta e falava o idioma, e buscava entranhar-se naquela língua tão diferente do português. Por que a necessidade de outro país, outra língua, outra mulher? - Costa era casado com Vanda no Rio de Janeiro, jornalista de sucesso cujo principal papel era inferiorizá-lo, ele, que não tinha escrito um livro sequer ( Vanda ignorava a condição de Ghost Writer).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Temos a necessidade premente de nos reinventar, de buscar quem somos , e, mesmo assim, esta busca não incorre em certeza de descoberta, tampouco em sucesso. Nunca acharemos quem somos, sequer teremos a vaga noção do que somos, o que não é pouco angustiante. Costa ao se transformar em Kósta, busca a todo momento o seu reconhecimento, e nada mais simbólico do que a profissão que escolheu: escrever sem aparecer, porém, em alguns momentos esta necessidade irrompe e ele brada: "Sou eu, sou eu o autor do livro!".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A metalinguagem permeia toda a obra, assim como palavras, estruturadas assim, em sílabas e transformadas nos "tercetos secretos" escritos por Kósta, cuja poesia nunca será húngara porque irremediavelmente estrangeira, brasileira. Era o que Kósta não sabia: Não se podia abandonar a essência, traduzida em nacionalidade, o que não o impediu de tentar: A palavra para explicar a palavra, Fecse para Andorinha, assim como Costa para Kósta e Budapeste para Budapeste ( o do Chico).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;No fim percebemos que em Budapeste ou no Rio , algumas coisas certamente não mudam. Costa será sempre Costa, mesmo que em outro cenário, e nós, nós nos depararemos com a nossa não menos angustiante condição de espectador a qual o filme bruscamente nos remete, esta é a função da câmera e do olhar inesperado do ator para nós, nós que estamos no cinema, uns estupefatos, outros não tanto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-1258479166870797527?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/1258479166870797527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=1258479166870797527' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/1258479166870797527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/1258479166870797527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2009/10/budapeste-metalinguagem-e-identidade.html' title='Budapeste: Metalinguagem e identidade'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SsokXkWE_RI/AAAAAAAAAaY/q4jvkk9NXK0/s72-c/budapeste-filme-01g3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-8169835400486628406</id><published>2009-09-19T10:12:00.007-03:00</published><updated>2009-09-19T10:49:53.422-03:00</updated><title type='text'>Guidon, Celim ou Cabeça de touro?: O Mistério de Picasso</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTgWzs70LI/AAAAAAAAAZs/kCcFs-5PbRc/s1600-h/dvd_7664.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5383174137055006898" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTgWzs70LI/AAAAAAAAAZs/kCcFs-5PbRc/s200/dvd_7664.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Pablo Picasso costumava dizer que , se por acaso, estivesse a caminhar por uma rua e se deparasse com um velho guidon de bicicleta e um celim, estaria diante da cabeça de um touro. Segundo ele, para o "homem comum", o guidon e o celim seriam e morriam sendo, apenas, o guidon e o celim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Diante disto, a gente pode se perguntar, o que faz de Picasso um homem incomum? Em &lt;em&gt;"O Mistério de Picasso" (França, 1955). &lt;/em&gt;Clouzot, o diretor, convence o amigo e artista espanhol a realizar um filme mostrando o que seria o seu "mistério". A saber, podemos pensar aqui: O mistério de sua arte. Convencido de que este seria um bom trabalho e um meio de se tornar cada vez mais popular - ele adorava mostrar-se grande, tal como realmente o foi - Picasso resolve então criar 20 trabalhos inéditos ali, em frente à câmera de Clouzot.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;O resultado disto são pinturas e desenhos impressionantes que carregam a marca da genialidade de Picasso. O espectador, guiado pela mão e pelo pincel de Picasso, que mal aparece em toda a película, pensa estar a todo tempo invadindo um pedaço de papel, uma tela branca. Ele vai construindo e ao mesmo tempo cumprindo o papel de cúmplice na criação da arte de Picasso. Somos - e agora me coloco eu também como espectadora - raptados da nossa comum realidade pelas pinceladas rápidas e cheias de sentimento e levados para atmosferas diferentes daquela na qual estamos, de fato, inseridos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Conhecemos cafés, entramos em arena de touradas, visitamos corpos perfeitos , tudo isto guiado pela mão do artista genial. Durante todo o filme temos a sensação de que estamos dentro da folha de papel, dentro da tela e somos , também com elas, pintados, oferecidos a uma outra realidade, uma realidade cheia de cor, de brilho, espânica por natureza e por direito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;O que chama atenção no filme de Clouzot, além da arte de Picasso, é a pretensão do diretor: O argumento para realização do filme é, logo de início, revelado ao espectador: era intenção de Clouzot demonstrar como a genialidade assalta o artista que, compelido pelas suas maiores e mais vigorosas paixões, empresta à obra de arte todo seu ser em busca de algo mais, alívio das tensões, talvez.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Clouzot abre o filme com uma voz narrando este objetivo maior que seria, demonstrar, através do movimento das mãos de Picasso , como a obra de arte é sentida e, posteriormente, concebida até se transformar na tela, no desenho acabados. Esta demonstração, contudo, de acordo com a opinião de Clouzot, só é possível nas artes plásticas, posto que não é possível acompanhar o desenrolar da genialidade na execução das obras primas da Músicas, como, por exemplo , nas sinfonias de Mozart, e tampouco na Literatura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Por nos entregarmos à mão de Picasso, temos a impressão de que somos também pintados. No entanto, o argumento de Clouzot é discutível: Será que nos 75 minutos de filme estamos todos nós, espectadores, testemunhando o nascimento da genialidade? Não sei, acredito que estamos diante do nascimento das obras, estas que, após a realização do filme foram destruídas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Não se pode dizer, porque vemos uma obra de arte nascer, que estamos perto de desvendar o mistério de Picasso, tampouco, o mistério de toda genialidade. Não seriam as artes plásticas, portanto, privilegiadas em relação à Literatura ou à Música, dito de outro modo: Será que acompanhar os movimentos passionais do pincel de Picasso nos faz realmente estar testemunhando e mais, desvendando o mistério da genialidade?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;De acordo com Freud, todo artista tem em si o privilégio de ter livre acesso ao que chama de "reserva natural original", na qual todo homem guarda suas paixões e impulsos da vida infantil. Seria, pois , o artista aquele que tem um espécie de "passe livre" para adentrar nesta reserva. Reserva que, no homem comum, permanece inóspita, inabitada, quase perdida, porém existente - alhures, na vida inconsciente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Disto podemos pensar que,não é por acompanharmos a mão de Picasso que teremos todos acesso à reserva natural original que faz nascer a arte, enquanto expressão da genialidade. O mistério, à despeito do que pensava Clouzot, está menos revelado do que se esperava. Aqui, mais uma vez cito Freud. O autor considera o exemplo de um escritor que, mesmo interrogado sobre sua arte e disposto à revelá-la, não consegue fazê-lo. Em suas palavras:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;" &lt;em&gt;Nosso interesse intensifica-se ainda mais pelo fato de que, ao ser interrogado, o escritor não nos oferece uma explicação, ou pelo menos nenhuma satisfatória; e de forma alguma ele é enfraquecido por sabermos que nem a mais clara compreensão interna dos determinantes de sua escolha de material e da natureza da arte da criação imaginativa em nada irá contribuir para nos tornar escritores criativos&lt;/em&gt;"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;( Freud, 1908, em Escritores criativos e devaneios)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;É fato: Não é porque testemunhamos o nascimento de vinte obras de arte que seremos capazes de entender as vinte razões diferentes que as originaram. Não, não é acompanhar o nascimento da obra que nos permite entendê-la, conhecê-la, tampouco nos oferece a capacidade também de realizá-la. Não tenhamos a pretensão de desvendar o mistério da genialidade, ela não nos deixa nenhuma pista, apesar de Clouzot.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;A reserva natural, esta permanece perdida. Até a encontrarmos. Até aí, para a maioria de nós, o guidon e o celim serão sempre as partes de uma bicicleta. Contentemo-nos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-8169835400486628406?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/8169835400486628406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=8169835400486628406' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/8169835400486628406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/8169835400486628406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2009/09/guidon-celim-ou-cabeca-de-touro-o.html' title='Guidon, Celim ou Cabeça de touro?: O Mistério de Picasso'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTgWzs70LI/AAAAAAAAAZs/kCcFs-5PbRc/s72-c/dvd_7664.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-8162841167932526176</id><published>2009-09-16T00:55:00.008-03:00</published><updated>2009-09-16T01:05:10.610-03:00</updated><title type='text'>Ciência e Poesia em tempos de guerra</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrBiOVcUDII/AAAAAAAAAZk/ttqlDHUPpy0/s1600-h/guernica.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381909553121332354" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 119px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrBiOVcUDII/AAAAAAAAAZk/ttqlDHUPpy0/s200/guernica.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O que será que toca um poeta e um cientista de tal maneira que os discursos de ambos acabem por se parecer, por realçar fatos que guardam certa semelhança entre si? Acertou quem apostou em “tragédia”. Não é preciso – há que se dizer – ser nem oficial de versos ou bastião do cientificismo para chegar à conclusão de que tragédias tornam os corações mais amolecidos, menos rígidos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;As primeira e segunda Guerras mundiais foram exemplos dessas tragédias que acabaram por unir corações e mentes em torno de uma só situação: a tragédia de vidas abreviadas por conta do egoísmo humano e do ufanismo quase imoral que dizia saber das coisas da vida e conhecer o bem de uma nação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O poeta , da sua maneira, deixa suas angústias falarem e tomarem conta do papel; em forma de versos vão aparecendo palavras tristonhas que se ligam umas as outras para formar uma estrofe que acaba sempre muito mais bonita do que indicaria seu conteúdo:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;“ &lt;em&gt;Depois da guerra vão nascer lírios nas pedras, grandes lírios cor de sangue, belas rosas desmaiadas. Depois da guerra vai haver fertilidade, vai haver natalidade, vai haver felicidade [...] Depois da guerra não haverá mais tristeza: todo o mundo se abraçando num geral desarmamento&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Vinícius de Moraes em “Para uma menina com uma flor (maio de 1944)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;“ &lt;em&gt;Uma flor que dura apenas uma noite nem por isso nos parece menos bela. [...]. Quando o luto tiver terminado, verificar-se-á que o alto conceito que tínhamos das riquezas da civilização nada perdeu com a descoberta de sua fragilidade. Reconstruiremos tudo o que a guerra destruiu, e talvez em terreno mais firme e de forma mais duradoura que antes&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Sigmund Freud, em “Sobre a Transitoriedade” (novembro de 1915)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;É, há quem diga que Ciência e arte não se bicam; eu sou da opinião de que se complementam, se irmanam, se entendem. Caso não o fosse, Freud não falaria tão bem de flores efêmeras e Vinícius não entenderia de armistícios. O melhor que aprendemos nisso tudo é que o homem, seja seu ofício versar ou pesquisar, não perde a esperança, nem em tempos de guerra. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Ilustração: Guernica, Pablo Picasso &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-8162841167932526176?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/8162841167932526176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=8162841167932526176' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/8162841167932526176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/8162841167932526176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2009/09/ciencia-e-poesia-em-tempos-de-guerra.html' title='Ciência e Poesia em tempos de guerra'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrBiOVcUDII/AAAAAAAAAZk/ttqlDHUPpy0/s72-c/guernica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-401107898782407916</id><published>2009-09-07T08:42:00.002-03:00</published><updated>2009-09-07T08:46:37.966-03:00</updated><title type='text'>Integrações</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SqTykG4NQ2I/AAAAAAAAAZE/h9piEiZaiMQ/s1600-h/243722.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5378690557122790242" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 180px; CURSOR: hand; HEIGHT: 180px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SqTykG4NQ2I/AAAAAAAAAZE/h9piEiZaiMQ/s200/243722.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Depois de tudo te amarei&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Como se fosse sempre antes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Como se de tanto esperar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Sem que te visses nem chegasses&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Estivesses eternamente&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Respirando perto de mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Perto de mim com teus hábitos,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Teu colorido e tua guitarra&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Como estão juntos os países&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Nas lições escolares&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;E duas comarcas se confundem&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;E há um rio perto de um rio &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;e crescem juntos dois vulcões.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Perto de ti é perto de mim&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;E longe de tudo é tua ausência&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;E é cor de argila a lua&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Na noite do terremoto&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Quando no terror da terra&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;juntam-se todas as raízes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;e ouve-se soar o silêncio&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;com a música do espanto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O medo é também um caminho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;E entre suas pedras pavorosas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Pode marchar com quatro pés&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;E quatro lábios, a ternura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Porque sem sair do presente&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Que é um anel delicado&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Tocamos a areia de ontem&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;E no mar ensina o amor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Um arrebatamento repetido&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;Pablo Neruda&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-401107898782407916?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/401107898782407916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=401107898782407916' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/401107898782407916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/401107898782407916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2009/09/integracoes.html' title='Integrações'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SqTykG4NQ2I/AAAAAAAAAZE/h9piEiZaiMQ/s72-c/243722.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-5013588660299956773</id><published>2009-09-04T02:49:00.003-03:00</published><updated>2009-09-04T03:35:04.805-03:00</updated><title type='text'>Perguntas  que jogo para o Universo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SqC0l633u2I/AAAAAAAAAY8/MxMP1oZn45o/s1600-h/duvidas_de_ingles.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377496518632127330" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SqC0l633u2I/AAAAAAAAAY8/MxMP1oZn45o/s200/duvidas_de_ingles.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Gostaria de fazer aqui algumas perguntas que sempre franziram meu cenho, martelaram meu juízo, criaram em minha mente pequeninas interrogações, queimaram meus neurônios, enfim...perguntas que eu não sei se serão respondidas, porém, uma vez feitas, estarão jogadas para o Universo, espero que este me dê alguma solução, resposta, luz ou o que seja. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Algumas podem parecer descabidas, outras, mais cabidas. No entanto, não deixam de ser pertinentes, ao menos para mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Dizem respeito, em sua maioria, à temas variados. Não tenho eu a pretensão aqui de esgotar uma questão, de fazer disso um problema de pesquisa e utilizar metodologias variadas de modo que obtenha uma resposta. Não, não , não, longe de mim. São perguntas variadas, descabidas ( a quem primeiro assim as entender) mas muito, muito intrigantes. Que seja o Universo, então, o que me dará as respostas que há tempos busco, sem sucesso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;1- Por que todo stand-up comediant é mau humorado?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Essa, sem dúvida, é a pergunta que mais assola meu cérebro questionador. Eu não consigo entender porquê diabos são esse tipo de comediantes tão mal humorados, de mal com a vida, mal amados e mal comidos. Como uma amante do gênero, comecei a perceber certas semelhanças no humor de cada comediante que se intitula como stand up comediant.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Vejam bem, se seguirmos as pistas e voltarmos no tempo, encontraremos Jerry Seinfeld, que, para mim, foi o precursor dessa onda do momento que vemos inundar nosso país.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;É em todo canto: programas de &lt;em&gt;talk-show, youtube, orkut, twitter... &lt;/em&gt;Esteja você aonde estiver, fatalmente irá encontrar um desses comediantes paulistas ( tou generalizando, calma, esse tipo já se espalhou Brasil à fora e à dentro), braquelos, que fazem questão de se intitular &lt;em&gt;nerds&lt;/em&gt;, praticantes inveterados de esportes sedentários ( se é que existem) e que, sempre, mas sempre mesmo, estão reclamando da vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Se formos entender o que seria a comédia "em pé", podemos perceber que não raramente as temáticas são casos banais do cotidiano, questões irrelevantes que certamente não teriam a mínima graça para aquele comediante mais bonachão, mais risonho, alegre, leve. É isso: ao contrário dos tipos mais tradicionais, nós vemos praticamente todos os dias em todos os tipos de mídia brasileira esses tipinhos com sotaque paulista falarem mal de filas de banco, de assalto, de rua cheia, rua lotada, fila dupla, fila única, caixa eletrônico, pastel de padaria, leis anti-fumo, fumantes, lei seca, alcoolismo, programas de tevê, programas de rádio, programas de internet...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Enfim, a lista se alongaria deveras se eu tivesse a pretensão de citar todos os temas por estes comediantes abordados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;O que quero dizer é: será que para fazer stand up comedy você tem que ser um sujeito extremamente irritado, impaciente, de mal com a vida, de mal com o governo, prefeitura, vizinhança, esposa, gato, cachorro e papagaio? Será isso o objetivo do stand up comediant, perder toda a noção do significado da palavra "comediante"?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Por que diabos têm que reclamar de tudo: Será que só existe graça na reclamação? Sei lá, eu prefiro a época que comediante era um sujeito engraçado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;2- Por que ser nerd tá na moda?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Eu decididamente não entendo isso. Primeiro a mídia toda nos enche o saco para que sejamos mais jovens, mais magros, mais fortes, mais atléticos, mais bonitos, lipoaspirados, e, consequentemente mais desejáveis. Depois começa um certo movimento mundial de culto ao nerd, ou seja, ao exato oposto do cara que é mais forte, mais atlético, mais bonito, mais lipoaspirado? Por que agora está na moda ser loser se nossa sociedade sempre nos impôs os ideais de sucesso geralmente relacionados àquele mesmo tipinho que anda em academias?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;3- Será paz e tranquilidade sinônimo de vagabundagem?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Não entendo. Sinceramente não entendo. Você tá lá, na sua vidinha 100%paz e amor, cultiva vegetais geneticamente inalterados em sua hortinha, surfa todos os dias , dá bom dia à arvores, girassóis e pardais mas, ainda assim, é tachado como sem noção, hippie, malandro ou vagabundo. Nossa sociedade e nós ( nós somos a sociedade) nos diz que um homem de sucesso é um homem realizado afetiva, financeira e profissionalmente (mais ou menos nessa ordem). Mas , se de repente alguém resolve fazer um caminho não tão tradicionalmente vinculado à esse "ideal de sucesso"...bem, aí é o caso daquele fulano mesmo, que nunca quis estudar e não deu valor a nada nessa vida...Nesse momento esquece-se se o fulano é feliz por não ter querido estudar para adequa-lo à classe dos vagabundos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;No fim, você tem que estudar, trabalhar muito, casar e procriar, porque assim, assim terá dinheiro, que te dará bens, que te dará felicidade, ou, pelo menos, te livrará de ser vagabundo, natureba, hippie, sem noção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;4- Se todo mundo diz que não quer se expor, porque tem orkut, twitter, msn, irc e o diabo à quatro?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Esse é certamente um enigma que assola a humanidade. Fulaninho vai e faz coisas que deveria fazer entre quatro paredes na areia das praias movimentadas e vai parar no orkut. Fulaninho e Fulaninha resolvem tomar todas e filmar suas peripércias e vai parar no youtube, Fulaninha é professora mas resolve mostrar que sabe dançar da maneira não tão infantil e vai parar no youtube. O que estas situações tem em comum? protagonistas que não, definitivamente não gostariam de se expor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Eu não entendo porque você vai e sobe num palco com 450 celulares apontando diretamente para você (ou mais precisamente para a parte mais inferior localizada ao sul do osso do mucumbú) e se sente exposta, denegrida, enjuriada porque, no outro dia isso foi parar na rede. Não seria mais honesto dizer: é isso aí, eu faço loucuras na frente de todo mundo, eu danço obscenamente na frente de todo mundo, eu faço de tudo e aind por cima gravo, filmo e fotografo porque o que eu quero é aparecer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Seria mais honesto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;5 - Por que as pessoas fazem perguntas que não querem ouvir ser respondidas?Ou, se querem ,já sabem a resposta que vão escutar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Essa é a clássica situação entre namorados: "Amor, vocÊ me ama?" "Você vai me trair um dia?", "Você acha a vizinha bonita?". Geralmente essas questões saem de bocas femininas, mas também não estou dizendo que nenhum homem jamais tenha inquirido sua amada com tais questões...Será que você espera ouvir um "Ah, amor,vou sim, lógico te trair um dia, mas não será hoje né, benhê?" ou "Não amor, não amo, mas se você é capaz de amar por nós dois, que mal faz?".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Ninguém jamais chegará a esse nível de sinceridade o que invalida terminantemente a importância de tais perguntas. Ninguém nunca vai te dizer que vai te trair, que não te ama, que não pensa na vizinha. Isso é fato, você sabe que vai acontecer - e reze para não ter acontecido ainda- e não cabe a você fazer perguntas tão difíceis a seu par. Já diria uma letra de pagode "deixa acontecer naturalmente", não faz pergunta que piora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;6- Quem são essas pessoas que viram fãs súbitos de celebridades súbitas?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Eu gostaria muito de saber o que fazem, o que comem, quem são os tais fãs do Max e da Francine do BBB, os fãs da Mirela da Fazenda, o pessoal que torce para o novo ganhador de No Limite, que escreve faixas para a nova banda de pagode do momento. Sério mesmo, eu acho que essas pessoas são encontradas num depositário de gente carente, daquelas que vive a vida por um ídolo, que faria de tudo para ver aquele lugarzinho sombrio e inabitado de seu coração povoado pelo primeiro que aparecer na televisão, que rebolar um pouquinho, que for capaz de ganhar 1 milhão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Sim , eu me dirijo à você agora, fã da Siri, do Diego Alemão, o mesmo que vai comprar o livro novo da Fani e se interessar pela sua biografia. Eu me pergunto que nível de carência é este que os fazem disponibilizar parte de seu tempo (e é muito tempo) na adoração de pessoas que vocês sabem que não vão durar, essas pessoas logo serão substituídas por outras. Mas, porque, por que você insiste em adorá-los, o que falta em sua vida?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Bem, com certeza essas questões agora foram liberadas da minha mente e eu espero que o Universo faça bom proveito delas. Se alguém quiser me responder, sinto-me, antecipadamente, grata pela atenção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29883324-5013588660299956773?l=moveboacheronta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/feeds/5013588660299956773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29883324&amp;postID=5013588660299956773' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/5013588660299956773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29883324/posts/default/5013588660299956773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moveboacheronta.blogspot.com/2009/09/perguntas-que-jogo-para-o-universo.html' title='Perguntas  que jogo para o Universo'/><author><name>Mírian Maranhão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02364613502204392033</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://3.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SrTiPkDqskI/AAAAAAAAAZ0/Xo2JLWnHt88/S220/AIbEiAIAAABECPiznevumPru1QEiC3ZjYXJkX3Bob3RvKihkY2IwNjM3ZmYyMDA4Zjg3YjljNzFlZGI5Zjc5Y2M4NGU4MzFhMWM5MAHNMdL2z7EJG4j-cskpgOk6buSv0Q.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SqC0l633u2I/AAAAAAAAAY8/MxMP1oZn45o/s72-c/duvidas_de_ingles.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29883324.post-4901974264238002396</id><published>2009-08-25T00:36:00.008-03:00</published><updated>2009-08-25T15:48:28.407-03:00</updated><title type='text'>O Flamengo , a aposta e o bilhete</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SpNfQqR-XMI/AAAAAAAAAY0/CODqr-rVXhs/s1600-h/flamengo1.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373743520215358658" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sWyQCqN6UyA/SpNfQqR-XMI/AAAAAAAAAY0/CODqr-rVXhs/s200/flamengo1.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Aristides não era o que poderíamos chamar de um homem bem apessoado; quem o conhecia sabe que ele não tinha lá qualquer coisa que indicasse elegância ou a mais tênue camada do tal “verniz social”. Aristides era rude até na aparência, no alto da cabeça que vinha direita mas no cume se estreitava, habitavam cabelos crespos e já embranquecidos por ofício do tempo e dos problemas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Tinha um nariz chato, próprio da sua cor. Era mulato o Aristides, e, como todos os mulatos, parecia-se com um. Não cheirava mal, também não cheirava bem. Possuía um cheiro característico de loções pós-barba compradas no mercado mais conveniente da vizinhança, não fazia questão de roupa bem passada e há quem diga que possuía limitado número de camisas devido à freqüência com a qual as repetia. Aristides não era , definitivamente, um modelo de beleza e charme, mas tinha seus encantos justamente em sua aspereza, em sua rudeza.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Se era simples na aparência, nada diverso poderia ser dito de seus hábitos. Costumava – quando estava de folga – ir a um bar localizado em seu bairro, tomar algumas doses de aguardente, assistir ao jogo de futebol que estivesse passando e voltar para sua casa, onde morava sozinho, o que bastante o incomodava, tinha medo da solidão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Aristides trabalhava como pedreiro, sua função em uma obra era seguir à risca o que diziam os homens que estudaram mais que ele; ouvia atentamente, derrubava parede, construía parede, rebocava a parede, tudo de acordo com o gosto e a vontade de quem o ordenasse. Não costumava falar muito, algo que, em sua profissão, poderia ser até de grande serventia, dizia que um bom pedreiro era aquele que tinha bons ouvidos e mãos fortes para agüentar a labuta diária.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;O nosso homem, como já dá para perceber, era o típico brasileiro mediano, possuía pouca instrução e trazia na alma uma espécie de apatia que transbordava pelos seus olhos e por toda sua face, que acompanhava a postura sempre submissa, derrengada. Aristides tinha os ombros largos e curvados para baixo. Tinha também orelhas de abano, fato que lhe rendera muitos traumas na infância durante os poucos anos em que freqüentou a escola.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Se tinha uma diversão, essa era às quartas-feiras, quando ia ao tal bar da esquina, beber e ver futebol, sozinho: Aristides não tinha muitos amigos e fazia questão de sentar numa mesa afastada das outras e da qual via os jogos de bola, munido sempre de uma cadernetinha vagabunda na qual anotava os resultados dos jogos de todos os times brasileiros que jogavam às quartas-feiras desde o ano de 1995.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Aristides era organizado, a mesma caderneta, quatorze anos depois: rascunhava, desenhava linhas pretas nas folhas brancas para criar tabelas nas quais constavam dia, mês, ano e gols marcados por todos os times brasileiros os quais via jogar pela televisão. A caderneta era a única alegria na vida de Aristides, pode-se dizer. Era como se naquele espaço, dentro das linhas daquelas tabelas ele pudesse controlar o mundo a seu redor, buscar explicações para o sucesso ou a derrota. Aristides com sua caderneta se sentia importante, pois sonhava um dia debater com os narradores dos jogos a queda e ascensão dos times ao longo dos quatorze anos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Se não tinha muita imaginação, utilizou o pouco que tinha ao criar, em sua mente, um dia em que seria comentarista de futebol e falaria, sem papas na língua, sobre os técnicos e os jogadores de cada time brasileiro, sempre embasado nos dados estatísticos anotados detalhadamente em sua caderneta. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Mais além seria pedir demais à escassa imaginação do pedreiro, achava feio sonhar e, mais feio ainda, acreditar no próprio sonho: não raramente caía com a barriga no chão toda vez que se prestava a devanear e a sonhar com o ofício de comentarista; logo que sua cabeça subia às alturas e a imaginação parecia pegar no tranco, Aristides atrapalhava fazendo-a estancar, prontamente pensava: - Ora homem, isto nunca acontecerá, volta pro teu mundo que teu sonho acaba é nesta mesa de bar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;– Moço, me dá mais uma dessa branquinha&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;E lá se iam os primeiros quarenta e cinco minutos e com ele a página em que Aristides copiava as impressões gerais dos times adversários. Sempre que se pegava escrever, pensava em si mesmo engravatado, em um paletó de brim escuro, comentando os jogos com preparo e astúcia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Foi numa dessas quartas-feiras que Aristides ouviu um bafafá nas mesas ao lado, logo se sentou, tirou do bolso a carteira surrada e o chaveiro enferrujado em que pendurava a única chave de sua casa. Mal se sentou e foi logo colocar as suas orelhas de abano à serviço da informação:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;- Vai ser empate, rapaz!E digo mais, vai ser 2 a 2 porque o time é novo e não pegou confiança no técnico ainda, sem pensar que em casa, a coisa muda...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A discussão começava na mesa ao lado da de Aristides e era protagonizada por quatro homens qu
